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“No próximo ano, provavelmente, todos os portugueses já terão médico de família”

Pouco antes das 10h30, o bastonário da Ordem dos Médicos, acompanhado pelo autarca José Carlos Alexandrino chegou ao Centro de Saúde de Oliveira do Hospital. José Manuel Silva, que se mostrou convencido que no próximo ano a falta de médicos no país estará superada, não demorou muito tempo para se aperceber da angústia dos vários utentes que aguardavam por uma consulta ou por uma simples receita. “É preciso fazer barulho para ver se há médicos, porque isto é uma vergonha”, atirou um utente, enquanto outro pedia desculpas, mas não deixou de contar os seus problemas ao representante dos clínicos. Pelo meio ia pedindo desculpa. “Não faz mal. O seu depoimento é importante. É preciso ouvir as pessoas que não têm voz”, tranquilizou-o o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. “Estou há três meses à espera de uma consulta”, sublinhou outro beneficiário do Sistema Nacional de Saúde.

José Manuel Silva ouviu e conversou com utentes e médicos de serviço. Depois, o bastonário procurou tranquilizar a população. Frisou que se deslocou a Oliveira do Hospital para se inteirar dos problemas e trazer uma palavra de esperança. Explicou que, após o actual período transitório de falta de clínicos devido à redução excessiva do numerus clausus nas faculdades nos anos 90, à emigração e às reformas antecipadas, tudo deverá estar resolvido no próximo ano. Mas o que é necessário para superar a actual situação? “O que é preciso fazer, e este Governo já o começou a fazer, numa fase transitória é instituir medidas de descriminação positiva para o Interior e, sobretudo, dar uma verdadeira oportunidade para que os médicos reformados voltem ao trabalho com uma remuneração condigna. O actual Governo já aprovou a possibilidade do médico reformado acumular 75 por cento correspondente ao horário normal de trabalho que estiverem a desempenhar com a sua reforma. Esta medida vai permitir que, provavelmente, no próximo ano todos os portugueses já tenham médico de família. Vão acabar este ano a especialidade de medicina geral e familiar 350 jovens e no próximo ano mais 400. Com isto e o regresso ao mercado de trabalho dos médicos reformados vamos resolver os problemas do país desde que existam medidas atractivas para os médicos se fixarem no Interior”, explicou o bastonário no final da visita.

“Dentro de dois anos estamos a formar médicos para o desemprego ou para a emigração”

Considerando que as Câmaras Municipais podem desempenhar um papel importante na criação dessas condições, José Manuel Silva aproveitou para elogiar o papel desenvolvido pela autarquia oliveirense. “A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital tem sido um exemplo de cooperação na fixação de médicos no seu concelho. Mas, efectivamente, dentro de um ano, não teremos falta de médicos”, assegurou ainda o bastonário, salientando que dentro de dois anos o país estará mesmo a “formar médicos para o desemprego ou para a emigração”. “Não temos falta de médicos. Temos é um problema de contratação por parte do Sistema Nacional de Saúde. Estamos a formar médicos muito acima das necessidades do país. Haja vontade de apostar no SNS”, frisou. Explicou também que nesta visita transmitiu ao presidente José Carlos Alexandrino ser preciso fazer ver aos responsáveis governativos que o Sistema Nacional de Saúde terá de querer fixar médicos no Interior. “É uma responsabilidade dos governos e um direito que as Câmaras Municipais têm de exigir ao Governo central”, rematou.

“O aumento de mortos é reflexo da falta de médicos”

O Presidente da autarquia de Oliveira do Hospital reconheceu que a situação no concelho melhorou nos últimos tempos, mas ainda não está bem. O que é lamentável é que temos vindo a melhorar alguma coisa através da contestação, da luta e não deveria ser assim”, começou por referir José Carlos Alexandrino, para quem o concelho precisa de mais três ou quatro médicos para entrar numa situação de alguma tranquilidade. “Oliveira do Hospital chegou a ter 16 mil utentes sem médico de família. Hoje tem seis mil. As coisas estão melhor, mas ainda não estão bem. Há um conjunto de problemas que precisamos de resolver”, explicou, salientando, por exemplo, a falta de médicos nas extensões de saúde num concelho que já teve 16 médicos e hoje conta apenas com oito.

“Queremos clínicos nesses locais para que existam menos utentes a recorrer ao Atendimento Permanente e para que haja uma maior proximidade entre o doente e o médico de família”, disse, garantindo que não se irá calar enquanto todos os problemas não estiverem resolvidos. “O município paga ajudas de custo àqueles que se queiram instalar no concelho. Damos voz a quem não tem capacidade de reivindicação. Tenho essa obrigação. Vamos continuar inconformados enquanto o problema não estiver resolvido. Tem de haver saúde para estas pessoas”, prometeu.

José Carlos Alexandrino diz mesmo existir uma relação directa entre a falta de médicos e o incremento de óbitos. “Com o estado calamitoso a que chegou a saúde houve um aumento de mortos que é reflexo da falta de médicos”, sublinhou o autarca, para quem a visita do bastonário da Ordem dos Médicos veio dar visibilidade à luta que o concelho está a travar. E falou na necessidade de superar o problema num curto espaço de tempo em duas extensões de saúde. “A de Lagares da Beira é uma delas e espero que em Maio fique resolvida, mas existe também a de Santo António do Alva. O meu objectivo é abrir mesmo aquelas extensões que já estiveram a funcionar e agora estão encerradas”, rematou o autarca, lamentando que Oliveira do Hospital seja notícia por estas “lutas”.

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