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No rescaldo eleitoral …O que ainda não foi dito. Autor: António Manuel Nunes Soares

Após a divulgação dos resultados eleitorais muitas têm sido as análises e os comentários políticos – comentários e análises para todos os gostos, diga-se em abono da verdade. Mas ninguém disse ainda que os portugueses foram enganados pelas diversas forças políticas, sem exceção.

Nenhuma das forças políticas disse, em campanha, o que faria caso não tivesse uma maioria absoluta. Todas as forças políticas pediram o voto dos portugueses apresentando as suas propostas programáticas de governação. E foi nesse pressuposto que os portugueses lhes deram o seu voto.

Agora cada um analisa, à sua maneira, os resultados eleitorais.

Mas a grande verdade é que os portugueses votaram nas diversas forças políticas partindo do princípio que aquilo que lhes foi apresentado seria cumprido. Mas não. Ao contrário do esperado, todas as forças políticas querem subverter a confiança que o povo lhes deu porque apresentam cenários diferentes daqueles que não propuseram ao povo.

Penso que nenhuma força política se pode servir do voto que lhes foi confiado para fazer algo que nunca propôs e nenhuma está mandatada pelo voto popular para o fazer.

Se cada uma das forças políticas tivesse dito claramente o que faria caso não tivesse maioria absoluta os resultados eleitorais não teriam sido estes.

Dou apenas um exemplo para ilustrar o meu pensamento. Duas equipas realizam um jogo de futebol. No final a equipa A vence o desafio mas durante o encontro foi expulso um jogador da sua equipa. O público entende que a equipa A é a vencedora. A equipa B reclama a vitória porque alega que tem mais um jogador em campo subvertendo as regras do jogo.

É esta falta de ética e de verdade que faz com que, cada vez mais, a classe política seja vista com desconfiança. É a falta de palavra dos atores políticos que afasta cada vez mais os eleitores dos atos eleitorais. A provar esta falta de coerência de alguns atores políticos está o facto de agora certas forças políticas até abdicarem daquilo que são as suas linhas políticas fundamentais que as caraterizam para montarem o cavalo do poder.

Para bem da própria democracia os agentes políticos têm de se pautar pela seriedade e pela verdade demonstrando honestidade política em todos os seus atos

Como podem os portugueses ter confiança nestas mulheres e homens que, de um dia para o outro, deixam de lutar por aquilo que sempre defenderam? Estariam porventura errados e só agora foram iluminados miraculosamente e já podem abdicar dos seus princípios fundamentais?

Haja coerência e que cada uma das forças políticas pense no país real e na verdade dos votos que lhe foram confiados, não tirando conclusões falseadoras dos resultados eleitorais.

Que cada uma das forças políticas pense que o voto que lhe foi confiado, por cada um dos eleitores, foi um voto de confiança assente apenas naquilo que cada força política apresentou clara e publicamente aos eleitores e que não lhes foi passado nenhum cheque em branco para falarem em nome do povo e propor soluções que não foram legitimidadas através do voto.

1011320_406881772756264_453585576_nAutor: António Manuel Nunes Soares,

Presidente da Junta de Travanca de Lagos

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