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Novo horário da AM de Oliveira do Hospital cria polémica e dois elementos daquele órgão abandonam reunião

A marcação da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital para a tarde de ontem acabou por levantar criticas por parte de alguns elementos da oposição e levou mesmo dois eleitos a abandonarem os trabalhos. Primeiro, o social democrata Nuno Caetano, que viu o presidente da mesa daquele órgão recusar a sua participação por ter chegado atrasado. Depois, por solidariedade para com o colega, o presidente socialista da Junta da União de Freguesias de Oliveira do Hospital e São Paio de Gramaços pediu para a sua presença não ser considerada, uma vez que também tinha chegado fora de horas.

“Não me sentiria bem com a minha consciência se não fizesse isto. Quero que a minha participação nesta reunião não seja considerada e que e as votações em que participei sejam retiradas. Posteriormente justificarei a minha falta pelas vias próprias”, explicou Nuno Oliveira na sua derradeira intervenção, sublinhando que, tal como o colega, também ele tinha chegado com um atraso significativo. De seguida, sentou-se nos lugares destinados ao público.

Antes, Nuno Caetano, sem esconder alguma surpresa e irritação pela atitude de Rodrigues Gonçalves, abandonou o salão e acusou o PS de falar muito em democracia, mas de não colocar tal conceito em prática. “Isto parece ser uma estratégia para impedir as pessoas de falar”, referiu aquele elemento do PSD. “Estive fora em trabalho. Nem toda a gente tem disponibilidade para estar aqui há hora a que a reunião foi marcada. O PS fala muito em democracia, mas depois a prática é esta”, rematou. A atitude do líder da AM, de resto, também não foi muito bem recebida mesmo por alguns elementos do PS que, nos bastidores, consideravam aquela tomada de posição despropositada. “São coisas que só servem para incendiar e não acrescentam nada”, lamentou um presidente de Junta de Freguesia.

Rodrigues Gonçalves lá foi dizendo que a mesa daquele órgão tem de definir um limite de tempo para a chegada dos eleitos. O social democrata Rafael Costa pediu então ao homem que lidera os trabalhos para especificar qual era esse limite. Rogério Gonçalves não especificou, limitou-se a dizer que a mesa tinha de estabelecer um limite. “Mas qual é esse limite?”, repetiu aquele deputado do PSD.  Gonçalves voltou a não conseguir definir essa linha temporal.

Antes, já o presidente da Assembleia Municipal tinha explicado o que o levou a optar por este horário, em vez do habitual (sexta-feira à noite). Um dos argumentos foi a necessidade de evitar que as reuniões se prolongassem noite dentro, muitas vezes “até às 4 da manhã”. “Esta é uma experiência. Pedi uma estatística dos horários a que se realizam estas reuniões nos concelhos à nossa volta e verifiquei que em 21 municípios 11 deles fazem as reuniões de manhã e à tarde. Só Oliveira do Hospital, Gouveia e Mealhada faziam à noite. Não vi qualquer impedimento para que se realizasse esta experiência, até porque nós éramos uma excepção à regra”, disse, alegando ter falado com vários presidentes de junta que não levantaram objecções.

“Essa cadeira não está formatada para si”

A justificação não colheu junto do eleito Rafael Costa, para quem o novo horário só serve para afastar a população do debate da vida política. “Até aqui sempre houve o bom senso de marcar as AM para a sexta à noite ou para o sábado de manhã e sempre correu bem. Se isto é uma experiência, está demonstrado pela ausência de público, que é uma má experiência. A continuar assim só teremos aqui reformados e desempregados, porque quem trabalha não pode vir neste horário”, acusou aquele elemento do PSD. Também o eleito António Lopes disse não entender a necessidade da reunião ser marcada para aquela hora, argumentando que se os trabalhos fossem bem conduzidos a AM começaria às 21h00 e às 24h00 estava terminada. “Essa cadeira não está formatada para si”, atirou a Rodrigues Gonçalves que, recorde-se, passou a ocupar o lugar depois do António Lopes, o homem eleito para o lugar, ter sido destituído, num processo que decorre ainda nos tribunais.

Já o eleito do CDS não viu qualquer inconveniente no novo horário, afirmando que política faz-se de manhã e à tarde e não à noite. Mas mesmo Luís Lagos não deixou de mostrar algum desconforto pela forma como Rodrigues Gonçalves impedia a resposta dos elementos da oposição. “Assim não há direito ao contraditório”, comentou para Rafael Costa que se encontrava sentado ao seu lado e que também já tinha sido impedido por Rodrigues Gonçalves de rebater algumas afirmações feitas contra as suas intervenções.

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