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O 25 de Novembro de 1975 foi uma golpaça “para-militar”…. Autor: João Dinis

O 25 de Novembro de 1975 foi uma golpaça “para-militar” comandada, de facto, por Frank Carlucci – CIA – “and friends” (e amigos)…designadamente Mário Soares, Vasco Lourenço e, mesmo, Otelo Saraiva de Carvalho. O principal objectivo foi o de ilegalizar a actividade do PCP e prender os seus principais dirigentes a começar por Álvaro Cunhal. Falharam esses objectivos que o PCP não embarca em aventureirismos e golpaças !

A golpaça contra-revolucionária que estoirou a 25 de Novembro de 1975, foi montada, durante meses, por um conjunto de militares de facto “reaças” para a época. Foram apoiados e estimulados pela acção mais ou menos secreta mas convergente (e dirigente) da CIA e do seu “chefe” em Portugal, Frank Carlucci, o qual, aliás, estivera (há pouco tempo) no Chile a apoiar o golpe fascista de Pinochet contra Salvador Allende e a Democracia Chilena… Sim, a pretexto de ser o Embaixador dos Estados Unidos da América (EUA) em Portugal, Carlucci movimentava-se, de facto, como chefe da CIA em Portugal, os serviços secretos “terroristas”, aqui colocado para combater a nossa Revolução dos Cravos.

Na preparação activa da golpaça do 25 de Novembro, Carlucci reuniu mesmo com alguns Comandantes Militares que, a seguir, intervieram em movimentações militares.

Aliás, é sabido que unidades militares adstritas à NATO e aquarteladas em Espanha (Badajoz) estiveram de prevenção e preparadas para invadir Portugal caso os verdadeiros golpistas julgassem necessário.

A 25 de Novembro, até houve paraquedistas que foram deslocados para a base da NATO em Cortegaça (próximo ao Porto) e para aí também foram os aviões da Força Aérea Portuguesa deslocados desde (pelo menos) a sua base em Monte Real (próximo a Leiria). Ora quem planeou e autorizou estas movimentações de tropas e de meios aéreos militares Portuguese para a base na NATO em Cortegaça?

É sabido que o Embaixador Inglês em Portugal e o MI 6 – os serviços secretos de Sua Majestade, a Rainha de Inglaterra – também andaram metidos nesses preparativos…

No plano político e partidário, Mário Soares e o “seu” PS, Vasco Lourenço e até Otelo e outros tiveram papel de grande destaque enquanto “conspiradores”. Vários deles expressaram logo – quem pode esquecer declarações do patarata do Jaime Neves, dos Comandos da Amadora ? – e “confessaram” mais tarde que um dos principais objectivos que tiveram em vista com o 25 de Novembro foi o de ilegalizar o PCP e prender os seus principais dirigentes a pretexto de alegada tentativa em tomarem o poder pela força e de querem “dissolver” (?!) a Assembleia da República que preparava a Constituição da República Portuguesa ( veio a ser aprovada em Abril de 1976), obra que o PCP sempre considerou como sendo uma conquista do 25 de Abril e uma das mais progressistas Constituições de toda a Europa e que, por isso mesmo, a tem defendido com unhas e dentes…

Quero aqui prestar mais uma homenagem a Salgueiro Maia que, a 25 de Novembro, saído no comando de uma coluna militar desde Santarém mas, desta vez, com ordens para ajudar a conter um “golpe” militar em Lisboa, se recusou a entrar dentro desta cidade para se juntar aos ataques “democráticos” contra unidades militares que, aliás, estavam sitiadas dentro dos seus próprios quarteis!…

Este comportamento “saudável” de Salgueiro Maia ao recusar-se entrar – “à queima” – no 25 de Novembro, custou-lhe várias “punições”, de facto, que inclusivamente o afastaram de uma carreira militar (até à sua morte precoce) a condizer com o seu prestígio e a sua capacidade militar enquanto “herói do 25 de Abril” !…

O golpe contra o PCP foi travado e tiveram que recuar…

A “coisa” que tinham engendrada e que rebentara a 25 de Novembro, e que já levava a pata levantada para cair sobre o PCP, foi muito oportunamente travada, logo a 26 de Novembro, pelo major Melo Antunes em plena televisão, honra lhe seja feita. E, claro, também foi travado pela enérgica e esclarecedora denúncia que o PCP logo fez sobre a verdadeira natureza daquela golpaça !

De lembrar que Mário Soares, dias antes do 25 de Novembro, chegara a propagandear uma ameaça que estaria iminente, aquilo que designou como a imposição (pelo PCP e pela CGTP) de uma “comuna de Lisboa”. E para se “pôr a salvo” dessa ameaça – que ele próprio inventou – foi mesmo para o Porto com parte da direcção do PS para aí instaurarem um “governo” nacional de emergência ! Ou seja, deu cobertura político-partidária à golpaça “para-militar”.

O “casca de banana” – como lhe chamou um dos militares reaças envolvidos – mais próxima ao eclodir das movimentações, para a “insubordinação”, de algumas unidades de paraquedistas a partir do quartel de Tancos, foi a passagem compulsiva à disponibilidade (fim do tempo de tropa) de 1 200 paraquedistas de Tancos, precisamente, acção provocatória que, como era previsível, incomodou seriamente esses paraquedistas e muitos dos seus camaradas que permaneceram no activo e se mobilizaram para o que desse e viesse…e que, também como era previsível, se movimentaram a 25 de Novembro.

Chamo-lhe golpaça “para-militar” porque aparentemente encabeçada por militares, produziu uma “aberração” operacional:- afinal a maior parte dos militares alegados “golpistas” que foram acusados de pretenderem apoderar-se do poder, esses, os alegados golpistas do 25 de Novembro, não chegaram a sair em força dos seus principais quarteis militares e seja em Tancos – muitos dos paraquedistas alegadamente “golpistas” – seja no Regimento da Polícia Militar, com quartel na calçada da Ajuda, em Lisboa.

Sim, quem veio para a rua em armas, em acções militarizadas significativas, a cercar e a ameaçar com tiros e a ordenarem prisões, foram unidades militares comandadas pelos alegados defensores da Democracia ! Uma óbvia contradição que, por si só, esclarece a verdadeira natureza da golpaça e as motivações, confessas e inconfessas, dos seus verdadeiros promotores.

E a provar que o PCP não embarca em aventureirismos e outras provocações, Álvaro Cunhal coligiu documentação abundante relativa à preparação e execução da golpaça do 25 de Novembro por parte dos seus verdadeiros promotores e principais interessados. A partir desse trabalho, Álvaro Cunhal publicou um livro que é um precioso elemento de estudo para quem quiser consultar essa documentação muita dela que fora produzida pelos verdadeiros “conspiradores” e golpistas. Chama-se essa “preciosidade” documental: “ A verdade e a mentira na Revolução de Abril ( A contra-revolução confessa-se)”. Vale a pena ler.

Viva a Verdade ! Viva a Democracia ! Viva os Democratas !

25 de Novembro de 2020

Autor: João Dinis, Jano

 

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