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O céu de Fevereiro de 2023…

Neste mês de fevereiro de 2023, a anoitecer dá-nos um espetáculo planetário – virados a Oeste, os planetas Júpiter e Vénus estão perfeitamente visíveis. Depois da conjunção com Saturno (que está a passar em frente ao Sol e só volta a ser visível ao amanhecer, no fim de março), o movimento aparente de Vénus continua a afastá-lo do Sol, e por isso durante este mês vê-se cada vez mais alto no céu, ao mesmo tempo que se vai aproximando do planeta Júpiter, até à conjunção dos dois no dia 1 de março. Entretanto, a Lua, no seu trajeto mensal pelo céu, ainda se junta aos dois planetas.

Logo no dia 5 temos a lua cheia, com o quarto minguante a chegar no dia 13 e a lua nova no dia 20. Por isso, só vemos a Lua a passar perto de planetas quase no final do mês.

No dia 22, os três objetos astronómicos mais brilhantes do céu à noite reúnem-se, com uma separação de menos de 7 graus. Neste dia, um fino crescente da Lua estará a 3,5 graus de Júpiter e a 4 graus de Vénus, mais ou menos a meio entre os dois planetas. A Lua (que apesar de estar ainda muito pouco iluminada, tem já magnitude -8,2), Vénus (com magnitude -3,9) e Júpiter (com magnitude -2,1) são, respetivamente, o primeiro, segundo e terceiro objetos mais brilhantes do céu à noite.

Tenham em atenção que, quanto menor é a magnitude, mais brilhante é o objeto. A lua cheia, com magnitude -12 é o objeto mais brilhante do céu à noite e a nossa estrela, o Sol, com magnitude -26,7, é de longe o astro mais brilhante do céu. Já a estrela mais brilhante do céu à noite, Sirius, na constelação do Cão Maior, tem magnitude -1,5.

O Cão Maior, juntamente com o Cão Menor, são os cães de caça de Orion (ou Orionte), o caçador, uma das constelações típicas do inverno. Esta constelação pode ser facilmente encontrada, nesta altura do ano, como um enorme retângulo de estrelas brilhantes, que tem dentro 3 estrelas, de brilho semelhante, mas muito alinhadas.
No canto inferior direito está Rigel, a 7ª estrela mais brilhante do céu. É uma supergigante azul, 80 vezes maior do que o Sol e com 18 vezes a massa da nossa estrela. As estrelas azuis são as mais quentes, com temperaturas à superfície acima dos 10000 K.

No canto superior esquerdo do retângulo está a estrela Betelgeuse, uma supergigante vermelha, com uma massa apenas 14 vezes superior ao Sol, mas cerca de 890 vezes maior do que a nossa estrela – se estivesse no lugar do Sol, Betelgeuse quase alcançava a órbita de Júpiter! Sendo uma estrela vermelha, é também menos quente do que o Sol, com uma temperatura a rondar os 3600K.

As três estrelas alinhadas, a meio do retângulo, desenham o cinto de Orion, que por cá também são conhecidas por Três Marias. Logo abaixo destas está a espada de Orion. A olho nu, num céu escuro, à volta da estrela do meio da espada vê-se uma nebulosidade, que é a Grande Nebulosa de Orion, uma das maiores maternidades de estrelas das redondezas. Daqui a umas dezenas de milhões de anos dará origem a um enxame de estrelas semelhante às Plêiades, na constelação do Touro, constelação onde também encontramos o planeta Marte.
E já que falamos de Marte, no dia 27 a Lua atinge a quarto crescente e na madrugada de 27 para 28 passa a apenas 2 graus deste planeta.

Boas observações.

 O céu virado a Sul, às 20h30 do dia 15 de fevereiro de 2023, com a constelação de Orion a passar a Sul a esta hora. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis /Stellarium)

 O céu ao anoitecer, virado a Oeste, no dia 22 de fevereiro de 2023. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis /Stellarium)

 

 

 

Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)

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