Home - Opinião - O “Debate” da Propaganda. “Eleições à porta, seja Deus louvado”. Autor: António Lopes
Assembleia Municipal pretende ratificar destituição António Lopes que considera este acto mais uma ilegalidade

O “Debate” da Propaganda. “Eleições à porta, seja Deus louvado”. Autor: António Lopes

Na política de “números”, em que o PS local se vem tornando exímio, anuncia-se um “debate da “governação autárquica”, para debater, imagine-se, os assuntos de responsabilidade do poder central, como seja a saúde, as acessibilidades e a perda de serviços públicos. Assim..! “Sem sofisma” nem meias palavras..!
Sem prejuízo de melhor opinião, parece-me, estamos perante um debate, isso sim, de propaganda serôdia e inconsistente.
Quem, como nós, acompanha de perto e por dentro, há mais de quatro anos, não pode deixar de sentir alguma indignação com esta falta de pudor político. Objectivamente, de concreto, o que foi feito nestes cinco anos? O que mudou na governação autárquica? Que linhas orientadoras foram definidas no sentido de inverter a desertificação, de fomentar o desenvolvimento, de assegurar o que ao longo dos anos foi conseguido? O que foi feito para dar resposta aos novos desafios, para consolidar o desenvolvimento já conseguido, para assegurar e melhorar os serviços públicos instalados? Quem foram os pioneiros arautos da “racionalização dos meios” e dos serviços? Quem foram os profetas da “optimização” dos serviços, pela via do encerramento? Afinal, quando foi encerrada a extensão agrária? Quem foi o “pai” do encerramento dos serviços de saúde? Quem é que protelou no tempo a construção da ESTGOH? Quem começou a “magicar” a extinção dos concelhos e freguesias? Quem são os mentores da reforma judicial? Quem teve a maior manifestação de professores? Quem começou a “reforma” do ensino, que já levou ao encerramento de centenas de escolas e ao despedimento de dezenas de milhares de professores?
É sintomático que o PS escolha para debater os serviços sob tutela do Estado! “Eleições à porta”!
Vamos ao debate. Porque não fez António Guterres, os IC6, 7 e 37? Ao tempo, a dívida publica era de 52 489 milhões de euros e representava 60% do PIB. Guterres governou de 28 de Outubro de 1995 a 6 de Abril de 2002, seis anos e meio. Fez a A6 (Marateca-Elvas), que continua às moscas. Fez todo o A23 que custou umas centenas de milhares a mais que custavam os nossos ICs. Fez parte da A8, que está igualmente às “moscas”. Durão Barroso governou 27 meses, de 6 de Abrir de 2002 a 17 de Julho de 2004. Santana Lopes esteve à frente do Governo oito meses, de 17 de Julho de 2004 a 12 de Março de 2005? A dívida, então, atingiu os 83 377 milhões de euros, o equivalente a 60% do PIB. Sócrates e o PS retomaram o Governo e estiveram lá até 21 de Junho de 2011.

Resumindo, no espaço de 16 anos o PS governou 13. Não fizeram os benditos ICs. Pelos vistos era o Durão Barroso em 27 meses ou o Santana Lopes em oito que tinham a responsabilidade de os fazer. Acresce que Sócrates herdou uma dívida de cem milhões de euros aumentando-a em 52% para cento e cinquenta e dois mil milhões, o equivalente a 100% do PIB. O mesmo é dizer que conduziu o país à bancarrota, que nos levou à Troika e à perda temporária da independência.

Em 2007, no “totalitário” regime de Mário Alves, ainda participei numa manifestação contra o encerramento do Centro de Saúde, acompanhado do Presidente de Nogueira do Cravo. Hoje, nesta democracia do “sorrisinho” censura-se quem toma um café comigo. Então, governava o PS e o ministro Correia de Campos. Andavam ambos, numa senda de encerrar Hospitais e Centros de Saúde, promovendo as célebres PPPs que nos estão a levar “couro e cabelo”. Na educação, como se disse, foi o período mais agudo e mais demolidor neste sector. Fico em grande expectativa quanto às conclusões deste debate. E para que não digam que não se lembram, nem nos tentem “vender” amnésia, deixo estes “lembretes”, com datas e números, para que não restem dúvidas e suscitem soluções…

Em 2005, então recém-eleito membro da Assembleia Municipal, nas listas da CDU, convidei todos os líderes partidários, tendo merecido a atenção e a disponibilidade de todos eles, para um jantar, onde propus um conjunto de ideias tendentes ao desenvolvimento do concelho. Foi opinião unânime fazer-se um levantamento minucioso da realidade, continuando um trabalho iniciado pelo Dr. Cesár de Oliveira. Recordo que todos os partidos se disponibilizaram a sensibilizar os seus quadros para este projecto. O então criado NDEIB assumiu-se precursor dos mesmos objectivos, tendo ganho essa via. Recordo ter ouvido ao Dr. Francisco Rolo a expressão: “Foi a única coisa com pés e cabeça que ouvi nos últimos tempos”. Várias vezes, nos quatro anos em que “fiz parte da solução”, lembrei este encontro e esta expressão. Muitas foram as vezes que perguntei o que é que faltava para a implementar. Só que, eram outros os tempos e outras as vontades. A verdade da oposição não era a solução no Governo.
Com a criação da BLC3 acalentei, e ainda acalento, a esperança de que o esboço do “meu” projecto possa um dia ser realidade. Porém, o rumo que as coisas levam, nem a melhor das benevolências, me deixa acreditar. O objectivo, é negar o que ali se passa, é negar as contas e as colocações. A democracia porque tanto se debateram e está plasmada nas páginas das actas da Assembleia Municipal, são engulhos que tentam não “deglutir” quando com paciência e sentido de responsabilidade, com frequência lhes lembro e envio. A Assembleia a quem Mário Alves era obrigado a responder,”deixou de gozar” dessas prerrogativas!
Enquanto, para esconder as debilidades e incapacidades próprias, querem escrutinar o Governo, não será melhor resolverem o que podem e está ao seu alcance e responsabilidade na autarquia? Será que estarão orgulhosos do desempenho, no Governo da Nação e querem “acabar a obra”? Mais trabalho e menos política politiqueira.

Autor: António Lopes

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