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O Deputado «guerrilheiro» e o Primeiro-Ministro dos «zig-zagues». Autor: Carlos Martelo, cronista de escárnio e maldizer

Eu, cronista que sou, e a bem dizer, também de escárnio e maldizer por obrigação cívica, direi agora: – «um passarinho disse-me» que houve um acalorado diálogo por telemóvel entre um determinado Primeiro-Ministro de um país «à beira mar plantado» e um certo Deputado eleito pelo doutoral círculo de Coimbra.

Quando disseram a esse Deputado que o «seu» Primeiro encarava a hipótese de demitir um certo Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Ministro com quem mantinha frequente relacionamento, o Deputado resolveu intervir no caso.  Primeiro, telefonou de supetão a duas «velhas» amigas que são Ministras do mesmo governo e, de forma exuberante, invetivou-as a também intervirem na defesa do ameaçado Ministro, junto do Primeiro.  Porém, e para sua desagradável surpresa, apesar de «choramingarem» pesarosas perante o provável desfecho, ele não obteve garantias efetivas de elas o fazerem também porque não lhes interessava (chegaram a confessar-lhe) estarem a chatear o Primeiro e até a lembrá-lo que também elas são contestadas enquanto Ministras…

Aí, o «nosso» Deputado soltou uns «porra pra isto!» e sentiu subirem-lhe a tensão arterial (sim, é mesmo «tensão» …) e a irritação perante aquela falta de respeito, perante a sua vontade, vinda daquelas duas senhoras consideradas como amigalhaças, quase cúmplices da política.

De seguida, «torturou» o seu telemóvel e quem o atendeu do outro lado até conseguir que o Primeiro o atendesse também alertado que fora para isso por parte de assessor.

De seguida, o diálogo decorreu rápido mas empolado conforme relatos a que tivemos acesso:

Deputado, com voz a aparentar firmeza:

– «Boa tarde, senhor Primeiro-Ministro.  Obrigado por me ter atendido a chamada.                    Eu confirmo ser o Deputado «fulano de tal» eleito pelo seu partido, em Coimbra.  Também já fui Presidente de Câmara aliás tal como se lembrará de mim».

Primeiro-Ministro:

– «OK, senhor Deputado, boa tarde.  Sim, recordo-me bem de si e da sua fogosidade no discurso…. Então, desta vez qual é o assunto?».

Deputado:

– «Vou direto… Constou-me que quer demitir aquele Ministro que tem a tutela das Infraestruturas, portanto das Vias Rodoviárias.  Olhe, deixe-me dizer-lhe que eu não estou nada de acordo como isso.  Eu sou amigo dele e mantemos um bom relacionamento enquanto Ministro, ele, e Deputado, eu…».

Primeiro-Ministro:

-«OK. Mas deixe-me dizer-lhe a si que se eu pensar em demitir esse ou outro Ministro é porque tenho razões fortes para isso, tá a ver?  E também lhe digo que já lá vai tempo desde quando o homem dava melhor conta do recado que tinha a cargo. De facto, ele está a arranjar demasiados problemas para levar o barco a bom porto ou, melhor dito, para levar o avião a bom aeroporto, se me entende?…».

Deputado:

– «Ó Senhor Primeiro-Ministro, deixe-me dizer-lhe que eu não tou preocupado como isso do aeroporto.  Eu não viajo de avião e também não tenho terrenos para especular lá pró Montijo ou prá Portela.  Eu tou à espera, há muitos anos, é de viajar de automóvel pelo IC 6 até à minha Cidade, tá a ver?» – ironizou o Deputado.

– «E eu não tou preocupado com isso do IC 6 ou do IC 7 e quejandos que por aí, por onde é para eles passarem, por aí há poucos votos…» – assumiu meio trocista o Primeiro.

Deputado.

– «Peço desculpa, mas não me continue a lixar o juízo com esse paleio, que me passo com a conversa!  É que eu já me ´atravessei´ perante os Votantes, aqui na política autárquica, com muitas promessas e outras tantas ameaças de lutas… E ainda não fiz nada mas isso pode mudar!» – atirou seco o Deputado.

Primeiro-Ministro:

– «Atenção senhor Deputado que essa sua conversa, a levantar o que me parece serem ameaças, não me comove.  Aliás, mais parece conversa vinda de um radical do PC ou do Bloco, pra não falar do Chega…» – atalhou o Primeiro.

Deputado:

– «Não me chame de nomes, por favor. Volto a dizer-lhe que não concordo nada com a eventual demissão do meu amigo Ministro! Já tínhamos almoçado juntos na Assembleia da República e tínhamos combinado que as obras do IC 6 iam continuar com ou sem ´litigações´ (deveria ter dito ´litigâncias´) em tribunal » – empolou o seu tom de voz, o Deputado.

Primeiro:

– «´Litigações´? Que é isso?» –  tripudiou o Primeiro. «Se o senhor Deputado queria dizer ´litigâncias´ como me parece correto dizer-se, olhe que os meus Ministros não podem passar por cima dos Tribunais…e mesmo eu, que não me chamo Sócrates, também não faço isso».

Deputado:

– «Por favor, não divirja.  O meu apoio ao Ministro é grande, neste momento!  Insisto em que ele não seja demitido que temos o IC 6 pra continuar!» – quase berrou o Deputado ao telefone.

Primeiro-Ministro:

– «Aconselho-lhe mais calma na nossa conversa ou terei de desligar» – ameaçou o Primeiro em voz grave embora em tom ainda cordato.

Deputado:

– «Calma tenho eu tido e em demasia» – ripostou o Deputado.  «Eu sou um ´guerrilheiro´, assim ao jeito dos beirões como eu sou, como o Zé dos Telhados e o João Brandão.  Sou mesmo capaz de agarrar um buldózer e arrasar a Estrada da Beira, quiçá o IP 3 em protesto.  Eu e a minha equipe que mantenho lá na Câmara Municipal, pode acreditar!».

Primeiro:

«Bom, senhor Deputado.  Basta de berrar comigo que eu sou o seu Primeiro-Ministro caso já esteja esquecido disso. Aliás, fui eu quem decidiu da sua inclusão em lugar elegível nas listas para as últimas eleições e não fiz tal opção para lhe aturar agora as suas inconveniências verbalistas. Deixe-me lembrar-lhe que o senhor é apenas um entre 118 Deputados na Assembleia da República eleitos pelo meu partido.  Portanto ponha-se no seu lugarzinho e porte-se bem» – ralhou a baixa voz o Primeiro.

Deputado:

– «Mas eu tenho prestígio suficiente, tenho suficiente credibilidade para lutar com possibilidades de ganhar até porque eu sou um ganhador!» – gabou-se o Deputado.

Primeiro-Ministro:

– «De facto, esta nossa conversa já vai longa e mesmo impertinente de sua parte. Mas já agora informo-o, e não é por cortesia que o faço, que já não irei demitir esse senhor Ministro de que falamos.  Ele merece uma segunda oportunidade que ainda é novo. Agora, e como é óbvio, não pense o senhor Deputado que é por receio das suas ameaças que eu agora revi a minha posição inicial nesta matéria…» – concluiu o Primeiro.

Deputado:

– «Fico mais satisfeito com essa informação.  Mas também vou permanecer atento…» – ainda conseguiu dizer o Deputado.

Primeiro-Minsitro:

– «Tenha mais calma, senhor Deputado, e passe bem!» – arrematou o Primeiro e desligou.

Deputado:

-«Pois pois, ficaste à rasca com a minha posição de genuíno ´guerrilheiro´  e deste o decidido por não decidido» – e enquanto assim falava, o Deputado ensaiou um meio sorriso de autopresunção ao pousar o telemóvel na mesa.

Cronista:

– E foi assim que o intrépido Primeiro-Ministro, um pretenso “Senhor da Guerra», falou ao telefone com o Deputado «guerrilheiro» capaz de disparar muito palavreado e muitas «selfies».  E nós por cá ficamos à espera do IC 6, entre outros, pelo que nos estamos nas tintas em relação a este ou àquele Ministro das Infraestruturas.  Queremos é o IC concluído independentemente de quem cá o vier inaugurar !  Já basta de tretas e de falsas promessas!

Que avance o IC 6, e depressa!

 

Carlos Martelo

 

 

 

 

Autor: Carlos Martelo

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