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“O desgaste deste executivo não é mais acentuado porque as pessoas ainda não sentem que exista uma alternativa…”

Empresário, Luís Lagos é o único elemento do CDS/PP presente na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital e uma das vozes que mais se faz ouvir. Em entrevista ao CBS critica a atitude da bancada do PS que, em sua opinião, não contribui com qualquer ideia para o concelho. Acredita José Carlos Alexandrino é o abono de família do PS, um partido que, no seu entender, o presidente da autarquia tem levado ao colo. “Quem ganhou as eleições autárquicas foi o José Carlos Alexandrino, não o PS”, diz, mostrando-se convencido que o actual autarca vai avançar para outro mandato. Este eleito também se mostra preocupado com o silêncio sobre os polémicos contratos para a limpezas dos rios e os casos da BLC3. “As entidades envolvidas tinham, no mínimo, de vir esclarecer tudo imediatamente. À mulher de César não lhe basta ser séria…”, sublinha.

CBS – O último resultado das legislativas pode, de alguma forma, reflectir o desagrado dos oliveirenses com este executivo camarário?

Luís Lagos – Sinceramente acho que não. Uma coisa são eleições legislativas, outra as eleições autárquicas. O que se pode extrapolar deste resultado é que o abono de família deste Partido Socialista é José Carlos Alexandrino. O que se percebe das legislativas é que a base de apoio do PSD e do CDS no concelho é enorme. Mas quando um candidato do PS consegue ter o resultado que teve é sinal que vale por si próprio. Vai muito além do partido. Quem ganhou as eleições autárquicas foi o José Carlos Alexandrino, não o PS. Se tivesse sido candidato independente ou por qualquer outra força política ganhava na mesma. O PS foi à boleia.

Mas existe a ideia de algum desgaste deste executivo…

Lagos Isso é evidente. O próprio executivo tem essa noção. Ainda assim, acho que José Carlos Alexandrino hoje voltaria a ganhar. O desgaste deste executivo não é mais acentuado porque as pessoas ainda não sentem que exista uma alternativa ao actual presidente. Esta tem sido a grande sorte deste executivo. O eleitorado sente que ainda não há uma alternativa capaz a José Carlos Alexandrino. Se não fosse assim, ele estaria muito menos confortável. Infelizmente, o centro-direita ainda não conseguiu gerar uma alternativa e isso tem um preço e não me digam que José Carlos Alexandrino não vai ser candidato, porque estou convencido que vai. Quem não quer ser candidato não está sempre em campanha como é o caso.

Como será possível, então, vencer José Carlos Alexandrino?

Atendendo ao que foram as últimas autárquicas, à derrota imensa que sofreu o centro direita em Oliveira do Hospital, a única forma que temos de conquistar o eleitorado é com um programa de centro direita que reúna os dois partidos (PSD e CDS/PP). Um programa que seja de facto alternativa e encabeçado por uma personalidade com capacidade de liderança e de gerar entusiasmo. Acho que era desejável. Se é possível? Não sei. E encontrar essa liderança não é fácil. Será também necessário um projecto político inovador, alternativo com vontade de fazer a diferença. Que liberte a sociedade civil do beija-mão e da mão estendida. Isso é fundamental porque existe a necessidade de se libertar a sociedade de uma teia de interesse. Aqui, gostava que o PSD conseguisse dar uma resposta. Não sei se será capaz devido às divisões internas e que me parecem eternas. Enquanto isso não se resolver é muito difícil construir uma alternativa.

Diz que as legislativas não mostram algum desagrado pelo executivo, mas os eleitos do PS discutem muitas vezes problemas na Assembleia Municipal da competência do Governo e não da autarquia….

LagosÉ um erro deles. Não quer dizer que as acessibilidades e a saúde não sejam importantes. São muito importantes. Mas do PS local esperam-se propostas para oferecer ao concelho. E isso tem sido zero. O PS teve uma iniciativa meritória que foi o fórum das freguesias, onde pensei que nasceriam iniciativas políticas de acção local, O resultado, porém, foi zero. Não conheço uma medida que seja a cara do PS na Assembleia Municipal (AM). Zero medidas. O PS não contribuiu em nada para a acção deste executivo liderado por José Carlos Alexandrino. Contribuiu muito mais o CDS, como no caso da criação do IMI familiar, da tarifa familiar da água e noutro conjunto de acções de política local. Deve ser uma desilusão para o próprio José Carlos Alexandrino ter um partido, com um lastro tão grande na AM, a contribuir muito menos que a oposição. Era importante que depois da confiança que lhe foi dada nas eleições, embora à boleia de José Carlos Alexandrino, aquele partido tivesse outro tipo de entusiasmo e capacidade de liderança na AM. Apresentando ideias e projectos. Mas o resultado é zero.

A criação do IMI familiar criou-lhe mesmo uma discussão acesa com o líder do PS…

Fui muito criticado pelo presidente do PS, engenheiro Maia, quando apresentei a proposta do IMI familiar. Ele disse que isto era tudo muito bonito, mas que eu, a expressão foi esta, “devia ser mais inteligente e quantificar”, para poderem votar em consciência. Passados dois meses, o executivo camarário apresenta a mesma medida e ela é aprovada. Obviamente, fui lá levantar a bandeira da nossa proposta. O presidente do PS não gostou e voltou a criticar. Limitei-me a perguntar-lhe, se não tinha votado a minha medida por não estar quantificada, que me dissesse de imediato qual o impacto da mesma medida do executivo que tinha acabado de aprovar. Não sabia. Isso demonstra falta de preparação e incapacidade politica. Votam num acto de fé. Há uma disciplina cega. Votam por obediência estrita ao chefe. As pessoas que confiaram o voto àquela bancada devem sentir-se um Lagosbocadinho tristes e defraudadas.

Já uma das pessoas mais activas na oposição tem sido António Lopes…

António Lopes tem muitas qualidades politicas. É uma pessoa muito capaz, mas não tem seguido um caminho que eu acho que é essencial: apresentar uma alternativa. Não chega só fiscalizar e denunciar, embora seja um papel fundamental. A verdade é que os eleitores não se deixam convencer só por isso. É preciso ter o outro lado. António Lopes se fosse um pouco menos coração e mais razão conseguia trilhar esse caminho. Espero que, a prazo, chegue lá. Por enquanto, nesse aspecto considero-me um pouco só. Não sinto a mesma vontade por parte do António Lopes, nem do PSD, nem do PS.

O que pensa das notícias e denúncias de António Lopes sobre os contratos estabelecidos entre a Câmara Municipal e algumas empresas na limpeza dos rios?

São casos que têm de ser esclarecido pelo executivo camarário o mais urgente possível. Não amanhã, devia ter sido ontem. O silêncio não ajuda nada. É preciso perceber em que moldes foram feitas aquelas adjudicações Não é normal, entre outros aspectos, aparecerem propostas com diferenças de 50 euros. Não acredito que exista da parte do executivo camarário e, se calhar, dos empresários, algum intuito de corrupção. Mas estas coisas têm de ser feitas com lisura e transparência. Depois do trabalho de investigação do CBS e do próprio António Lopes, as entidades envolvidas tinham, no mínimo, de vir esclarecer tudo imediatamente. À mulher de César não lhe basta ser séria… O jornal apresentou situações objectivadas. Tudo isto, repito, tem de ser muito bem esclarecido.

E os casos da BLC3…

Na BLC3, o caso é ainda mais grave porque é uma instituição fundamental para o desenvolvimento do concelho. Tem à sua frente uma pessoa que considero, que é o João Nunes. Mas nestes casos, as pessoas não se podem refugiar. É importante esclarecer. À primeira vista não me parece que exista ali dolo. No caso dos geradores, por exemplo, são dois com características especificas e o preço deve ser o que foi orçamentado. Mas todos estes casos devem ser explicados, porque estamos a falar de uma instituição importantíssima que é apoiada com dinheiros públicos. A transparência é a melhor amiga da democracia. O senhor Lopes tem todo o direito de questionar. Foi para isso que foi eleito. Ninguém tem de ter medo disso. Agora, convém esclarecer tudo.

Apresentou as medidas do IMI Familiar e tarifa familiar da água. Que mais se pode esperar em termos de propostas por parte do CDS/PP?

São dois marcos importantes. Temos outras medidas. Por exemplo é essencial um novo modelo de financiamento das IPSS do concelho, organizações de utilidade pública e clubes de futebol. Acho muito mais importante financiarem – se as pessoas que as instituições. Até para ir de encontro ao lema de campanha de José Carlos Alexandrino que era tudo pelas pessoas e não tudo pelas instituições. Seria positivo atribuir um subsídio a uma família para obter um serviço numa dessas instituições, a qual poderia escolher livremente. Apoiar directamente as instituições causa subsidiodependência e instrumentalização política das instituições. Não é desejável, porque se passa a andar de mão estendida dependendo da boa vontade do presidente da Câmara. Esta medida permitia melhorar os serviços. Criava concorrência entre as instituições e associações que tinham de atrair as pessoas, porque seriam os pais a decidir para onde iriam os filhos. Não quero, por exemplo, que os meus impostos andem a Lagospatrocinar futebol sénior. Quero que os nossos jovens tenham acesso ao desporto. E o clube neste caso receberia em função dos jovens que conseguisse atrair. É o modelo de financiamento utilizado nos Estados Unidos, porque não trazê-lo para aqui? Gostava de ver esta medida aprovada até ao fim do mandato.

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Consideramos igualmente importante a criação de uma nova zona industrial. Essa é uma falha que vem do tempo de Mário Alves. Os terrenos estão esgotados e os que existem são em aterros, onde se gasta quatro vezes mais para os preparar que com a compra. Não é atractivo e não há instalação de empresas se não houver espaço. Considero que é fundamental ter uma zona industrial muito dinâmica junto à cidade. César de Oliveira teve essa visão e conseguimos criar um parque industrial de pequenas e médias empresas de fazer inveja aos outros concelhos. Mas depois nada mais foi feito. Penso que é uma medida urgente.

Partilha da ideia que há demasiadas festas em Oliveira do Hospital?

A promoção do concelho é importante e penso que se exagera quando se fala no número de festas. Devemos é contratualizar objectivos. Quer seja pelo número de visitantes ou exposição mediática. Não vale apenas financiar sem retorno, só para distrair os munícipes. Têm de existir objectivos. Há casos de sucesso como a Feira do Porco e do Enchido de Meruge, a festa da Castanha da Aldeia da Dez. A EXPOH já não tem sido um sucesso assim tão grande. Terá de ser pensada noutros moldes, como já reconheceu o presidente José Carlos Alexandrino. Não gosto de falar da Feira do Queijo, até pela minha actividade profissional e porque acho que existem um conjunto de injustiças que são ali patrocinadas. Por outro lado, ninguém tem duvidas que existem iniciativas esporádicas de pouco interesse que permitem a este executivo estar em constante campanha. Não há festa onde não estejam os vereadores e o presidente da Câmara. E o concelho paga esse preço. Ninguém lhes tira da lapela a imagem de quem está sempre em festa. Por vezes, é importante que o vereador esteja no seu gabinete a trabalhar em prol dos munícipes. Esta, porém, é uma estratégia que foi sufragada democraticamente e temos de respeitar.

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