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O emigrante de Vila Boa do Mondego que se dedica a divulgar a Serra da Estrela nos Estados Unidos

O celoricense Joaquim Panarra, 55 anos depois de ter partido, lamenta a desertificação do concelho que o viu crescer, mas gostava de regressar definitivamente à sua aldeia natal

Corria o ano de 1967 quando Joaquim Panarra decidiu que as condições que lhe oferecia a pacata aldeia da Vila Boa do Mondego, no concelho de Celorico da Beira, estavam longe de concretizar as suas ambições de vida. Com apenas 17 anos, arrumou os seus poucos pertences e partiu rumo aos Estados Unidos da América. Foi parar a Elizabeth,New Jersey, onde começou a trabalhar numa empresa de confecções. Passou por vários ofícios até se estabelecer por conta própria. Criou uma empresa de construção civil. E, paralelamente, participou de forma muito activa nas iniciativas de várias instituições, como a igreja, escuteiros e instituições, em particular da comunidade portuguesa. Hoje, 55 anos depois de ter partido, é um dos directores do Centro Cultural Os Serranos, um grupo que se dedica a promover a Serra da Estrela nos Estados Unidos e já por lá recebeu uma homenagem de reconhecimento pelos serviços prestados à comunidade portuguesa.

Panarra foi um daqueles emigrantes que conseguiu realizar parte dos seus sonhos. Agora está a ser “recompensado” pelos sacrifícios que enfrentou. Como foi o caso da sua participação na iniciativa do CC Os Serranos, recentemente na Guarda, que homenageou 16 corporações de bombeiros da área da Serra da Estrela, atribuindo uma verba a cada uma delas. “É muito merecido e uma satisfação muito grande poder ajudar”, conta Panarra.

Apesar do sucesso, este emigrante nunca esqueceu Portugal ou o recanto serrano da Vila Boa do Mondego. “Esteve sempre no coração, mas a vida tem destas coisas e tive de partir. Felizmente agora posso vir cá duas ou três vezes por ano e passar por aqui bons bocados”, conta este homem de 72 anos, que nos Estados Unidos tem quatro filhos e nove netos. “Uma das minhas grandes preocupações é que eles mantenham ligação com Portugal e com a língua. Sempre que posso faço com que venham cá”, conta, sublinhando que por ele já tinha regressado definitivamente “há mais de 20 anos”. “Mas a mulher agarrou-se aos filhos e netos e pronto… venho sempre que posso”.

Quando olha para Portugal reconhece que não tem nada a ver com aquilo que deixou para trás. Mas nem tiudo, no seu entender, melhorou. “Naquele tempo a aldeia tinha vida. A vila tinha mercados que eram um regalo. Havia gente, vida, movimento. Haia o sentimento de família. Agora está quase tudo deserto. Quase não se vê ninguém e, apesar da melhoria de vida, parece que as pessoas perderam alguma alegria”, conta ele que tem uma casa na Vila Boa do Mondego e que, para sua satisfação, já conseguiu convencer alguns membros mais novos da família. “Já me dizem para nunca a vender, porque querem passar por cá algum do seu tempo”, frisa.

“O que eu gostava era de ver a nossa região outra vez povoada com muita gente e a viver bem. Não há terra tão bonita e acolhedora como esta. Que saudades dos tempos da minha juventude e de algumas coisas que tive de deixar para trás”, conclui.

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