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O êxito do “Buffon de Gouveia” com um projecto de barbearia “vintage” em Celorico da Beira

Uma esplanada, com duas cadeiras, e a decoração distinta chamam a atenção. A porta está encerrada. Mas a placa indica que o estabelecimento se encontra em funcionamento e convida a entrar. O cliente mal coloca o pé dentro do salão é de imediato confrontado com um cumprimento extremamente cordial. “Toma um café? Uma cerveja?”, questiona o proprietário, enquanto trabalha no corte de cabelo de um cliente.  “Não, muito obrigado”, respondemos. “Olhe que não paga mais por isso…” insiste simpaticamente Cláudio Abrantes, mais conhecido por “Buffon”, um apelido proveniente do icónico guarda-redes italiano Gianluigi. O apelido da lenda da Juventus foi o nome com que os brindaram dos tempos em que Claúdio defendia as balizas CD de Gouveia. Agora, até o inovador conceito de barbearia que implementou em Celorico da Beira, recebeu o nome de Barbearia Buffon. É aqui que exerce uma actividade que partilha com o emprego nas Águas de Portugal,

Enquanto apreciamos a decoração “vintage” do estabelecimento, Cláudio continua a trabalhar afincadamente e vai dizendo para estarmos à vontade. Nas paredes destaca-se a decoração com placas. Muitas placas. De matrículas, publicidade a bebidas, enfim de tudo um pouco. “Muitas eu já tinha. Fui comprando ao longo dos tempos, outras são ofertas”, explica, enquanto, cuida do cabelo de um cliente que se encontra sentado numa cadeira, também ela a fazer recordar outros tempos, embora o material profissional seja de ponta. Alguns quadros também têm o seu espaço. E a um canto sobressaem variedades de cervejas, desde as famosas trapistas belgas, passando por alemães ou dinamarquesas. A máquina de café e chá, bem como os refrigerantes também não foram esquecidos.

“O cliente enquanto aguarda pode beber uma cerveja, tomar um café. Se for uma criança temos outras bebidas e para as senhoras que vêm acompanhar os filhos temos café ou chá. Ninguém paga mais por isso. Quem quer deixar alguma coisa, deixa, quem não quer paga apenas o corte de cabelo”, explica Buffon, como gosta de ser chamado. “Já é assim que sou conhecido”, ri, ele que arrumou as luvas vai para três anos, apesar de contar apenas 35 Primaveras. “Mas estava na altura de perseguir este meu outro sonho que é ter uma barbearia com um conceito muito próprio e não havia possibilidade de conciliar futebol, família, emprego e a barbearia”, conta.

Esta arte começa a fazer parte da família. Claúdio, natural de Gouveia, acabou por se perder de amores por uma cabeleireira de Celorico da Beira, com quem viria a casar. A proximidade e o contacto com o salão de cabeleireiros aumentou-lhe o gosto pela actividade. Nessa altura surgiu uma oportunidade de conciliar o seu emprego, com um curso de cabeleireiro, por o período de um ano, pós-laboral, em Viseu. Não hesitou. Terminada a aprendizagem (em 2019) começou a trabalhar em parte-time no salão da esposa. Mas a pandemia, as limitações de espaço entre pessoas levaram-no a abrir a sua própria barbearia. Com um conceito, como já se viu, muito peculiar. E os clientes foram aparecendo. Mais e mais. Tanto que é necessária marcação antecipada para o atendimento (926 534 231), não só para evitar ajuntamentos, mas também para “Buffon” gerir a agenda. O cliente que acaba de ganhar um penteado novo sai. Não esconde a satisfação e demonstra que mais que um cliente é um amigo da casa. De imediato outro jovem toma o seu lugar, também sem disfarçar alguma satisfação.

“Eu próprio estou surpreendido. Os meus clientes vêm e depois trazem um amigo. Tenho clientes de um ano até aos 90. Mesmo algumas mulheres. De Celorico da Beira, Trancoso, Guarda, Gouveia… O negócio tem aumentado muito”, conta. Mas será que o novo conceito ajudou? “Penso que sim, agora há clientes que já trazem a placa que tinham por lá perdida ou a navalha antiga. Além do profissionalismo em termos de corte e barbearia, procuramos ser profissionais em todos os aspectos”, conta, ele que defende a necessidade de pensar diferente e colocar todo o empenho nos projectos que temos em mãos. “Além de prestarmos um bom serviço, temos de oferecer algo mais ao cliente. Surpreendê-lo”, conclui. Mas quando se poderá dedicar a tempo completo à barbearia? “Buffon” passa a mão pela cabeça. “Para já não, mas penso nisso a longo prazo. Este é o meu sonho tornado realidade…”, conclui.

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