Home - Opinião - “O IC6 continua por concluir e o presidente da Câmara mantém-se no lugar”. Autor: Fernando Tavares Pereira

“O IC6 continua por concluir e o presidente da Câmara mantém-se no lugar”. Autor: Fernando Tavares Pereira

Fez, por estes dias, nove anos que o senhor secretário de Estado Adjunto da Economia e Administração Regional, Almeida Henriques (22 de Julho de 2011) visitou a Oliveira do Hospital. Importa, por isso, relembrar as constantes promessas de projectos importantes para a região que por essas alturas são feitas e não são cumpridas. Nem pelo governo, nem por quem lidera a autarquia. Os casos mais gritantes são vias rodoviárias estruturantes do IC6, IC7 e IC37. Não posso esquecer que, em 2006, se fundou o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial do Interior e Beiras (NDEIB), ao qual presidi, e que tinha na sua génese a missão de pressionar os governos para que esta região da Beira não fosse esquecida, precisamente para evitar o marasmo empresarial que hoje se vive neste território. Esta estrutura fez o seu trabalho, mas não foi acompanhada por quem tinha esse dever.

As palavras e acções do senhor presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, por exemplo, foram significativas. Gritou, barafustou, prometeu. Disse que se demitia caso não conseguisse as obras. Que não seria candidato sem ter a garantia absoluta da conclusão do IC6. Não cumpriu nem uma, nem a outra. O IC6, continua por fazer. E ele nunca se demitiu e avançou sempre como candidato. É isto que descredibiliza os políticos. E o povo não merece. Esta região está farta de promessas. Desde os centros de saúde, passando pelas escolas e outros investimentos tão necessários.

Agora, numa altura em que vão entrar no nosso país tantos milhares de milhões de euros provenientes da Europa no nosso país, faço um apelo a todos os presidentes de Câmara da região para que não deixem passar esta oportunidade. Que não deixem cair no esquecimento os investimentos prometidos, alguns já com largas dezenas de anos. Como a conclusão do IC6, IC7, IC37. Mas não só os ICs. Devem-se reclamar também outros projectos estruturantes para a região.

Estive, e estou, sempre disposto a colaborar nestas causas. Posso recordar que ajudei a desbloquear alguns problemas, porque quando se criam serventias aparecem sempre entraves. Os responsáveis esquecem-se que, antes de tudo, devem falar com os proprietários dos terrenos e com os municípios. Foi o que aconteceu com o IC6. Então, para recordar quem já esqueceu o passado, dizer que há vários anos o tema foi colocado em discussão para que depois se pudessem adjudicar a obra. E na altura pouco faltava. O andamento foi travado pelas servidões e municípios, como Viseu, Mangualde, Nelas e Manteigas e por municípios do distrito de Castelo Branco que colocaram os seus interesses acima de uma verdadeira coesão territorial. Foi então, que o NDEIB, na minha pessoa, conseguiu, no espaço de uma semana, congregar o apoio de Câmaras como Gouveia, Fornos de Algodres, Seia, Oliveira do Hospital, Tábua, Carregal do Sal, Arganil, Góis e Vila Nova de Poiares e fazer com que 99 por cento destas autarquias se mostrassem favoráveis ao traçado delineado. Ultrapassado o problema das serventias, parecia estar aberta a porta para a resolução dos problemas. Mas já lá vão 12 anos e continuamos à espera que se cumpram as promessas.

Não vale a pena esperar mais por quem nada fez por estas e outras infra-estruturas. Por quem não luta para travar a desertificação e para que sejam criados postos de trabalho. O que vier agora já vem tarde, mas terá sempre o meu apoio. Tenho de agradecer a quem tem prestado apoio à região. O ex-presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital António Lopes foi um deles. Foi um daqueles que, tal como eu, fez o possível para evitar que quem se desloca nesta região, pela Nacional 17 e restantes vias rodoviárias tenha de andar sempre devagar e com cuidados redobrados. Problemas que seriam superados com estes IC’s. Ninguém faz contas ao tempo que um empresário perde por estes estradas. Isto ajuda a afastar o investimento e dá a mão à desertificação. Apesar do governo apregoar a coesão territorial, não se vê a tomada de uma decisão que contribua para esse objectivo e esta região, repito, não merece ser constantemente enganada e esquecida.

Autor: Fernando Tavares Pereira

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