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O Papa Francisco… não merecia esta traição. Autor: Luís Paulo Rodrigues

O Papa Francisco, um homem admirável, um grande líder religioso e político do nosso tempo, de costumes simples e sóbrios, que são iluminantes, não merecia esta traição de Portugal nos previsíveis últimos anos do seu notável papado.
O palco-altar onde o modesto Papa Francisco vai presidir às Jornadas Mundiais da Juventude, em Lisboa, vai custar 5,2 milhões de euros. É dinheiro público que daria para abrigar muitos seres humanos que vivem na miséria nas ruas de Lisboa e em muitas outras ruas de Portugal, um país pobre com assomos de riqueza saloia.
É dinheiro público que não poderia ser gasto desta forma, sobretudo nestes tempos de guerra que a todos nos afeta, acarretando sacrifícios para todos, com uma inflação que nos faz regredir 30 anos, gerando um tempo de enorme imprevisibilidade, com muitas pessoas sem emprego, sem futuro e ficando para trás de forma irremediável.
Mais do que uma afronta aos portugueses que pagam um sistema fiscal brutal e aos que ganham pouco, muitos deles com ordenados de miséria, e que são obrigados a pagar as energias e os combustíveis mais caros da Europa, este altar de cinco milhões e duzentas mil moedas de euro é uma afronta à simplicidade do Papa. E uma afronta à bondade dos jovens do mundo inteiro que já planearam a sua presença em Lisboa.
Tenho a certeza que o Papa dispensaria tamanho luxo para receber os jovens em Lisboa.
Este escândalo, promovido por autênticos vilões do templo, regista outro pormenor esquisito: dada a urgência da obra e com a devida permissão do Orçamento de Estado, o luxuoso palco-altar foi adjudicado por ajuste direto à construtora Mota-Engil.
Ora, é precisamente na administração desta construtora que agora pontifica o católico Paulo Portas, um novo homem de negócios, ex-colega de Carlos Moedas no Governo e certamente acérrimo apoiante dos novos tempos lisboetas, que depois de ter vendido a EDP se transformou numa espécie de “submarino” dos interesses chineses em Portugal. E como a Mota-Engil tem agora tem um grande investidor chinês, bate tudo certo.
Eu só acho estranho que as virgens ofendidas que atacaram a indemnização milionária com que os administradores da TAP costumam ser brindados estejam agora calados como ratos de esgoto.
O mal está feito. O presidente da Câmara de Lisboa sacode a água do capote, dizendo que a Igreja é que pediu os luxos, mas, de forma esfarrapada, vai dizendo que se trata de um investimento que fica para o futuro. Será que vamos ter missas campais todos os domingos junto à Ponte Vasco da Gama?
Entretanto, a Igreja devolve a responsabilidade para Carlos Moedas. Pelo meio, aparece o Presidente da República, o comentador Marcelo Rebelo de Sousa, a dizer que é preciso um altar que respeite o modo de ser do Papa Francisco.
Andam todos a brincar com o fogo. E quando acordarem destes tempos marcados pela estupidez de quem decide, André Ventura e os seus comparsas fascistas estarão a mandar no Governo. Nessa altura não se queixem.
Autor: Luís Paulo Rodrigues
Consultor de comunicação

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