Home - Outros Destaques - “O pastoreio é um factor de protecção das pessoas e bens numa zona vulnerável aos incêndios e os pastores devem ter retorno desse trabalho”

“O pastoreio é um factor de protecção das pessoas e bens numa zona vulnerável aos incêndios e os pastores devem ter retorno desse trabalho”

“Estamos numa fase de transição geracional em que há mais exigências no mercado e há que garantir o produto. Um aspecto positivo é que há gente nova a chegar ao sector. Percebemos que relativamente às queijarias DOP há novos actores. Gente qualificada, com formação superior. É um bom sinal. Há também novos criadores”. Estas foram algumas conclusões que o presidente da CM de Oliveira do hospital retirou da Festa do Queijo Serra da Estrela que decorreu nos dias 11 e 12 de Março. José Francisco Rolo frisou também que agora as diversas instituições com responsabilidades têm de dar uma resposta capaz.

“São boas notícias. Agora são precisos apoios efectivos para que essas pessoas se estabeleçam no território”, frisou, salientando que há apoios comunitários que são desconhecidos dos produtores e que têm de ser divulgados. “O jovem Edgar, que tem, 18 anos e pretende estabelecer-se como pastor não sabia que podia contar com o apoio do Estado para comprar ovelhas bordaleira”, disse, frisando que há também apoios comunitários para aquisição de raças autóctones.

“Esse é um ganho, mas é preciso o reforço das ajudas directas aos produtores. Temos de ter em conta os serviços agro-ambientais que prestam. Cuidam da paisagem e do ambiente. Isso é algo que tem de ser incentivado e pago”, notou. José Francisco Rolo não tem dúvidas que o investimento no pastoreio terá retornos económicos directos, mas também indirectos pelos desastres que podem evitar. “Cada pasto amanhado, cada charca construída, cada rebanho e pastor no território, é sinónimo de uma região tratada e vigiada, algo muito importante numa área vulnerável a grandes riscos de incêndios. É um factor de protecção das pessoas e bens, associado a uma actividade produtiva. Este trabalho destes homens e mulheres deve ter retorno económico”, diz, enfatizando que é preciso “sensibilizar as pessoas para virem para o sector”.

“Temos de fazer chegar informação e os apoios a quem se queira instalar. Estamos a trabalhar nesse sentido na Câmara, reunindo informação, que vamos procurar fazer chegar aos mais novos. Temos de aumentar o efectivo de ovinos autóctones. Atrair mais pessoas. Se vier mais gente, vamos ter mais produto, mais qualidade e o preço dos produtos vai subir”, disse, lembrando que verifica também um reaproveitamento de produtos que pareciam perdidos.

“A lã, por exemplo, estava a transformar-se num problema para os pastores. A empresa Valor do Tempo passou a pagar dois euros por quilo de lã que transformou num novo produto: as famosas almofadas datadas. Cada uma custa 90 euros. Ou seja, a lã que era um problema, hoje é uma fonte de riqueza”. O autarca, porém, refere que não podemos falar apenas da fileira do queijo. “Muita da revitalização que se faz no interior, faz-se através de actividades tradicionais com valor de mercado. Onde estavam os vinhos do Dão há 15 anos atrás? Quase não existiam. Hoje temos dos melhores vinhos nacionais e internacionais”, sublinhou, lembrando também o impacto da exploração de frutos vermelhos na região. “Praticamente não existiam há dez anos atrás. Hoje há muitos produtores de frutos silvestres e quem faça a sua transformação em compotas que servem para o mercado interno e para serem exportadas. “Estamos a falar dos antigos sabores. Das tradições. Hoje há novas oportunidades”, concluiu.

Foto: CM oliveira do Hospital

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