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Nuno Vilafanha

“O resultado destas legislativas no concelho foi um cartão avermelhado ao executivo camarário”

O presidente da Concelhia do PSD não tem grandes dúvidas que a vitória expressiva da Coligação em Oliveira do Hospital nas legislativas representa um cartão “avermelhado” à actuação do executivo municipal liderado por José Carlos Alexandrino. Nuno Vilafanha acusa os responsáveis da autarquia de não terem uma política que potencie o desenvolvimento do concelho e considera que estão a surgir muitas suspeitas sobre determinados actos do município que importa esclarecer rapidamente. “Temos de acreditar que há de boa-fé, que nada de ilegal se passa. Mas fica a ideia que há coisas feitas à medida. Quem olha fica com a ideia que há ali qualquer coisa”, conta em entrevista ao CBS, onde conta ainda que o seu partido tem dificuldade de fazer passar as suas mensagens devido “a uma comunicação social local condicionada”. Não revela se se vai recandidatar a mais um mandato, mas diz que a estrutura que lidera tem as portas abertas aos seus críticos e que todos devem remar para o mesmo lado. “Não hostilizamos aqueles que têm posições contrárias dentro do nosso partido. Temos sempre a porta aberta para eles”, frisa.

CBS – Esperava uma vitória tão expressiva no concelho nestas legislativas por parte da Coligação?

Nuno Vilafanha – Surpreendeu, de alguma forma, pela enorme expressão. Foi muito positiva. O resultado deu um sinal que a matriz que domina o nosso concelho é social-democrata. Mostra que trabalhando, tendo as pessoas a remar para o mesmo lado, conseguimos um dos nossos grandes objectivos que é ganhar a Câmara Municipal outra vez. Temos a certeza que isso é possível. Apesar de muitas criticas houve um trabalho forte da concelhia, de pessoas anónimas e simpatizantes. É preciso notar que a vitória em Oliveira teve uma média superior à média do distrito de Coimbra. Foi também o reconhecimento do bom trabalho feito pela Coligação nos últimos quatro anos.

Este resultado também penaliza o actual executivo socialista da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital?

_DCS0084 (Small)Claro. Foi um cartão avermelhado para o PS, Assembleia Municipal (AM) e Executivo. Não foi o primeiro. Quando aconteceu a célebre marcha lenta, que ninguém soube bem a sua razão, uma vez que primeiro era pelo IC6, depois era pela saúde, depois já não era bem pela saúde… Enfim, era por tudo e mais alguma coisa. Mas as pessoas não têm os olhos fechados e essa jogada que teve razões políticas foi penalizada. A mobilização foi pequena, ao contrário daquilo tentaram fazer passar. Não tinha grande sentido aquela marcha lenta. O IC6 não foi feito graças a Paulo Campos, as obras na EN 17, que nos interessavam para remediar esta péssima situação, já estavam previstas para arrancar. Quanto à saúde também se sabia já estavam a ser contratados mais médicos. O Governo estava a trabalhar nisso. Foi o primeiro aviso. Este resultado das legislativas foi mais uma derrota para um executivo que se empenhou na campanha, com os vereadores em acção em vários locais. A população já não está com esta política, nem com o executivo camarário. As pessoas demonstraram bom senso, mesmo depois de uns dias antes das eleições receberam em casa um folheto com coisas que afectaram negativamente os oliveirenses.

Na Assembleia Municipal essas têm sido as bandeiras do PS…

E o eleitores mostraram que não estão satisfeitos que ali se discuta mais a vida governativa do país que os problemas do concelho.

Qual é o balanço que faz a meio do mandato deste executivo?

Não é positivo. Oliveira do Hospital não tem tido grandes obras. As estradas municipais continuam a necessitar de reparações. Temos o centro da cidade em mau estado, mal cuidado. Algumas aldeias precisam de atenção especial, principalmente de apoio técnico aos presidentes de Junta. Não é só a dar dinheiro que se resolve os problemas. Este executivo não tem uma política que permita o desenvolvimento, o turismo. Não se tem feito nada nas zonas históricas. Poderíamos ter hotéis em Oliveira, mas quem tentou investir nessa área viu os projectos chumbados pela Câmara Municipal. Mesmo um empreendimento de cinco estrelas que está a ser construído no concelho sofreu muitos entraves e está a decorrer mesmo um processo em tribunal contra a autarquia. E estamos a falar de um investimento elevado que se pode revelar muito importante para o concelho.

Acredita mesmo que o PSD pode ganhar a Câmara dentro de dois anos?

Claro. Não será uma luta fácil, mas estou convencido que temos as condições necessárias. Tem de haver trabalho e união. Temos a porta aberta a todos. A cada dia que passa o projecto do actual executivo vai-se esgotando. As pessoas já não ouvem o que eles dizem. Além disso, o PS em Oliveira do Hospital é José Carlos Alexandrino. Considero que a última vitória autárquica se deveu em grande medida a ele à participação de António Lopes e quase nada ao PS. Prova disso, foram os resultados obtidos pelo PS nas Europeias e nas Legislativas. Estou até convencido que ele vai novamente a jogo, mas não terá a mesma força das últimas eleições. Já lhe deram oportunidades a mais e não vêem obra. Ser simpático não chega. É preciso uma estratégia de desenvolvimento que não temos tido, encontrar soluções para atrair investimento. Nada disso acontece. As empresas não têm condições para se expandir. Não há uma política activa de emprego. A Câmara Municipal tem criado emprego, mas para satisfazer os interesses do PS e condicionar pessoas. Há mesmo quem tenha medo de manifestar as suas opiniões.

Dentro da concelhia do PSD também existem facturas. Será possível superar isso para uma candidatura mais forte?

Não hostilizamos aqueles que têm posições contrárias dentro do nosso partido. Temos sempre a porta aberta para eles. Devemos remar todos para o mesmo lado. Nós ganhámos legitimamente. Começámos a trabalhar num partido que tinha ficado em muito mau estado depois das autárquicas. Com uma divisão que perdura há muito tempo, mas que é cada vez mais limitada a um pequeno grupo. As europeias e as legislativas demonstram que estamos a fazer alguma coisa. As pessoas do PSD em vez de nos criticarem deviam ajudar, como já pedimos por diversas vezes. Além disso, nas eleições para a Comissão Política acordamos e ficou escrito que a lista derrotada iria ajudar a vencedora sempre que lhe fosse solicitado. Mas eles logo no dia em que perderam rasgaram esse acordo e começaram a dizer mal de nós. A porta, porém, continua aberta a todos.

Já decidiu se avança para um novo mandato?

É algo que só falaremos na altura própria. Só mais tarde vamos tomar uma posição. Teremos de fazer uma avaliação. Se entendermos que não somos o melhor para o partido, não estamos para prejudicar, mas para ajudar. Temos mais uns meses pela frente e estamos preocupados em ajudar a eleição presidencial. Mas todos os cenários estão na mesa e não excluímos uma recandidatura.

Também têm surgido alguns casos que parecem colocar em causa a transparência de determinados actos na Câmara Municipal….

Já falam na transparência há algum tempo e não me parece que exista. Caso contrário muitos destes casos não estariam a surgir. É os orçamentos de milhares de euros para a limpeza dos rios em que a diferença nas propostas entre o vencedor e o segundo classificado, em três casos, é de 50 euros… É também o caso dos contratos de ajuste directo da BLC3. Temos de acreditar que há de boa-fé, que nada de ilegal se passa. Mas fica a ideia que há coisas feitas à medida. Quem olha fica com a ideia que há ali qualquer coisa. Isso é perigoso para as pessoas e para o nome do concelho. A Câmara Municipal tem de explicar tudo isto. Não sei mesmo, se em nome da transparência, não seria bom anular estes concursos e voltar a fazer outros. Tem de ser tudo bem esclarecido.

Este resultado nas legislativas não aumenta a responsabilidade do PSD em termos de oposição?

Será mais forte e é desejável. Mas não pela maledicência. O projecto autárquico está a ser pensado com seriedade. Temos de apresentar alternativas. Há um caminho que queremos e que será apresentado. A oposição será, digamos assim, mais musculada. Mas não será fácil. Não temos uma única junta de freguesia e na AM somos muito minoritários. A nossa mensagem e as nossas propostas não chegam ao público. E isso também se deve ao facto de não termos um palco. Na Assembleia Municipal falamos de vários problemas, mas a mensagem não passa. A comunicação social não ajuda. Está condicionada pela ligação à Câmara. Nestas eleições, por exemplo, grande parte das notícias eram encontros, festinhas, onde um elemento do executivo fazia sempre um discurso político. É vergonhoso.

Que mensagem é que, por exemplo, não passou?

VilafanhaApresentámos, por exemplo, duas medidas na AM que praticamente não chegaram ao público. Uma delas passava pela aplicação da taxa mínima de IMI permitida por lei (0,30%) a todos os munícipes de Oliveira do Hospital, ao mesmo tempo que propúnhamos a redução da taxa do IMI em função do agregado familiar ou seja, um desconto adicional a quem tem mais dependentes a seu cargo e com a seguinte proporção: um dependente 10 por cento, dois dependentes 15 por cento e três ou mais dependentes 20 por cento. Seria uma forma de aumentar a atractividade do concelho para as famílias e empresas que poderiam contribuir para a fixação de pessoas em Oliveira do Hospital, ajudando a inverter ou estagnar a tendência demográfica negativa. Outra medida importante foi a fixação da participação variável no IRS de 2,5 por cento, sendo esse valor canalizado de forma directa e comprovada para o apoio de famílias carenciadas e para os mais idosos como forma de mitigar as suas dificuldades, possibilitando-lhes melhores condições de vida. Poderia permitir o aumento dos apoios à natalidade ou a contratação dos serviços de um médico que daria consultas gratuitas, mitigando, assim, provisoriamente, a falta de médicos. Além disso, do que está orçamentado para a saúde pouco ou nada foi gasto. Isto seria a política social, que neste momento praticamente não existe em Oliveira. O concelho tem de ser mais amigo das empresas e das pessoas. E com a ajuda proveniente das novas tarifas da água, a câmara tem outra folga financeira para acomodar estas medidas.

Há também quem defenda que a autarquia gasta demasiado dinheiro em festas….

Não estou a dizer que não se façam festas, se calhar deveriam fazer-se era noutros moldes, com mais Câmara e ADI dizem que a EXPOH teve "mais de 40 mil visitantes" e que foi um “êxito” económico.garantias de retorno e menos custos. Algumas até nem têm grande significado, outras, se calhar, mereciam mais. Além disso, não seria possível fazer melhores contratos? Como o das lonas da EXPOH, os contratos com os artistas. Não tenho dados e não posso confirmar, mas disseram-me que o Quim Barreiros em Seia cobrou dois ou três mil euros, mas na EXPOH foram dez mil. Porquê? É preciso responder a isto. Depois,  há alguns eventos que não têm retorno nenhum, como a última EXPOH. A verdade é que a política do PS baseia-se muito em festas, aplicando, no fundo, o ditado popular segundo o qual “com festas e bolos se enganam os tolos”. Só que as pessoas estão fartas de ser enganadas. Não tenho nada contra as festas, são importantes e fazem circular dinheiro, o que tenho é contra a forma como elas se fazem, como aquelas que aparentemente servem para comprar pessoas ou para servirem de palco político ao executivo da câmara. Nestas eleições legislativas, por exemplo, aproveitaram acontecimentos pagos com o dinheiro de todos nós para fazer política ao serviço do partido. Isso é que é preocupante.

O que pensa sobre a forma como são atribuídas as medalhas de mérito municipal no dia da cidade?

Tem havido politização a mais do que reconhecimento do mérito das pessoas. Deve haver um critério rigoroso. Reconhecer as personalidades ou instituições que se distinguiram ao longo dos anos por criar melhores condições para o concelho. Há pessoas que, pelo seu sentido empreendedor e pela forma como ajudaram o concelho, já deveriam ter sido reconhecidas e tal nunca aconteceu. Posso-lhe dar dois exemplos. Um deles é o empresário Fernando Tavares Pereira que tem ajudado muito as instituições, tem criado riqueza no concelho e empregos. Outro é António Lopes. Tem feito um trabalho enorme e não estou a falar de política, estou a falar na ajuda que tem dado às instituições. Estes dois nomes são exemplos que gostaríamos de ver reconhecidos e cujos nomes vamos propor no próximo ano. A política deve ficar de lado quando em causa está reconhecer o mérito.

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