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Oferta de alojamento em Oliveira do Hospital limitada a cerca de 120 quartos, mas autarquia falou em 300 camas ocupadas na Festa do Queijo

Quando apresentou a Festa do Queijo da Serra da Estrela 2015 de Oliveira do Hospital, o vereador da Câmara Municipal local responsável pelo Turismo, Francisco Rolo, referiu que o alojamento disponível no concelho era de 300 camas e estava praticamente lotado. A lista de disponibilidade de hospedagem no concelho publicada no site oficial da autarquia, porém, permitiu ao CBS chegar à conclusão que a oferta se resume a cerca de 120 quartos. E vários empresários do sector garantem não ter notado grande variação na procura com a realização do evento. Tentámos obter explicações junto da autarquia sobre esta discrepância, bem como o facto de a lista do município conter estabelecimentos que já se encontram encerrados há vários anos. Os serviços da Câmara, porém, optaram por não responder.

Quinta da MoendaOs empresários do sector, na sua grande maioria, refeririam ao CBS que o impacto do evento nas estadias não foi significativo. “Quem vem à Festa do Queijo não é o nosso cliente alvo”, explica José Chaves da Quinta da Florência, uma unidade que tem seis quartos disponíveis, enquanto a responsável pela Quinta da Moenda, Josephine Van Bennekom, também considera que não existe grande relevância entre as estadias e o evento. “Se calhar por ter sido muito cedo, mas a verdade é que não existiu um aumento da procura”, conta. O mesmo refere Mariana Correia da Miradouro Alojamento Local. “Não houve grande adesão”, remata. “A EXPOH e a Festa do queijo como impulsionadores das dormidas? Espero que rapidamente sejam uma locomotiva para nós, mas até à data não registamos grandes variações”, sublinha um responsável da Quinta Relva do Trigo.

Quinta da FlorênciaUm especialista em turismo, de resto, garante que este tipo de evento está longe de levar as pessoas a pernoitar no tipo de oferta de que o concelho dispõe. Acredita também que não é a melhor forma de promover os pontos de atracção do município. “É um equívoco pensar que festas ou eventos pontuais referentes a alguns tipos de produtos é o suficiente para se apelidar de turismo ou boas praticas de turismo. Sem duvida que deve ter sido um evento muito vantajoso para o concelho pois houve imensas pessoas a deslocarem-se à região. Mas relativamente a números? Qual o retorno para os cofres camarários? Normalmente, as entidades privadas realizam eventos para lucrarem, mas pelo que tenho visto a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital tem feito eventos de forma a vangloriar-se dos feitos sem olhar aos gastos”, explica João Neves, licenciado em Turismo, Mestre em Turismo de Interior e MBA em Turismo de Luxo, para quem é necessário deixar de pensar em eventos destinados apenas a entradas diárias e começar a ponderar outras iniciativas. “Oliveira do Hospital é um concelho com imensos recursos que os actuais dirigentes não sabem aproveitar. Um das formas de os utilizar poderia passar por vender os eventos em forma de pacote. Com dormida incluída e uma panóplia de produtos regionais associados. Promovia-se o turismo e ajudava-se também o comércio local. Sem que as pessoas fossem pernoitar nos concelhos vizinhos”, remata este natural de Oliveira do Hospital que se encontra actualmente a trabalhar em Lisboa.

Houve excepções. A Pousada do Convento do Desagravo, o operador com maior capacidade de oferta do????????????????????????????????????????? concelho (29 quartos) esteve lotado e a procura, dizem, superou em muito a oferta. “Estivemos com ocupação total e tínhamos quase três vezes mais pedidos que aquilo que poderíamos oferecer”, explica Maria José Garcês, responsável pelo estabelecimento instalado no Convento do Desagravo, cuja edificação esteve a cargo do Bispo D. Francisco de Lemos de Faria Pereira, no final do século XVIII. O segundo empreendimento com maior lotação também esteve cheio no fim-de-semana da Festa do Queijo da Serra. Mas a Quinta da Geia não Geiaatribui esta vaga necessariamente ao evento. “Já estávamos lotados. Houve mesmo alguns clientes que só tomaram conhecimento da existência da Festa aqui”, explica uma responsável deste estabelecimento situado num edifício remodelado do século XVII e que contempla 21 quartos e 4 apartamentos.

Neste trabalho foi impossível contactar dois estabelecimentos que se encontram listados na página da internet da autarquia e outros dois, embora façam parte da oferta apresentada pelo município, já se encontram encerrados há algum tempo. É o caso da BAIKA, Turismo Rural. “Não há meio de nos retirarem da lista. Já não estamos a funcionar há mais de quatro anos. Temos pedido para que os contactos desapareçam da lista, mas a casa mantém-se lá”, explica a antiga gerente daquela empresa, Fátima Veiga, que continua a receber constantemente telefonemas a saber da disponibilidade de quartos. “É um pouco irritante”, confessa. O mesmo se passa com a Casa do Adro da Bobadela, encerrada há dois anos, com Maria de Deus Pestana a corroborar as críticas de Fátima Veiga.

No total, o CBS contabilizou uma oferta de 122 quartos. A este número terá de se retirar os sete quartos da Quinta do Pisão, dado que empreendimento apenas trabalha no Verão, iniciando a sua actividade pela Páscoa, pelo que não funcionou durante a Festa do Queijo. Dos empreendimentos existentes apenas dois oferecem mais que 20 quartos, e dois entre os 10 e os 20. Os restantes têm capacidade inferior a uma dezena de aposentos.

 

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