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Oliveira do Hospital conta com orçamento “ao nível de 2003”

É preciso recuar uma década para que o recém aprovado orçamento municipal de Oliveira do Hospital encontre paralelo. Para 2014, o município oliveirense não chega a contar com 20 milhões de Euros (19.861.444,00 Euros), assistindo-se a uma redução de quase cinco milhões comparativamente a 2013.

“Este orçamento está ao nível de 2003. Viemos para trás à volta de 10 anos”. A comparação foi feita pelo próprio presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que em reunião da Assembleia Municipal, realizada no último sábado, classificou o orçamento colocado à votação dos deputados como “o mais difícil de sempre”.

Grandes Opções do Plano e Orçamento foram aprovados por larga maioria, registando-se quatros votos contra do PSD e a abstenção do eleito pelo CDS -PP, mas estarão longe de satisfazer o próprio executivo municipal que preferia ter “ter um orçamento muito diferente e com ambição”, mas que optou pelo “equilíbrio financeiro”. “Temos que saber o que é que queremos: ou um plano financeiro que conduza à rutura ou ao equilíbrio financeiro”, comentou José Carlos Alexandrino que, “enquanto for presidente deste executivo” quer que “fornecedores e trabalhadores recebam a tempo e horas”.

A dificultar o trabalho do executivo na hora de delinear um orçamento “com ambição” estiveram os condicionalismos de uma “máquina muito pesada” que, pese embora a não contratação de novos empréstimos tem a seu cargo o pagamento dos empréstimos anteriormente contraídos e custos de pessoal que ascendem os 4 milhões de Euros, um défice nos serviços de água e saneamento na ordem de 1,4 milhões de Euros, 586 mil Euros de transportes, entre outras despesas fixas. Com um conjunto de obras que transitam do anterior orçamento – saneamento, central de camionagem e mercado, estrada Lourosa – Barril do Alva …”, o presidente da Câmara fala da necessidade de fazer “opções”. “Há um novo tempo político, com menos recursos financeiros”, referiu o autarca que retirou do conjunto de obras a realizar em 2014 a requalificação da Avenida Dr. Carlos Campos que perspetiva executar em 2015 “se a engenharia financeira funcionar”.

“Ação social, educação, turismo e desenvolvimento económico” são os “quatro pilares fundamentais subjacentes ao orçamento” que perspetiva a transferência de 500 mil euros às Juntas de Freguesias para que “os presidentes sejam totalmente livres na sua consciência”.

“Este é o orçamento que temos”, referiu José Carlos Alexandrino que garante continuar a “tomar opções claras na criação de estágios aos jovens”. “Enquanto eu for presidente e houver estagiários sem oportunidade de trabalho, sinto-me muito feliz por ter esse número de jovens licenciados aqui a executar trabalho e a dar oportunidade de emprego”, assegurou o autarca que disse perceber a “angústia dos pais”.

“O caminho dentro do pouco dinheiro que existe seria na aposta de desenvolvimento económico”

Do lado da oposição, as GOP e Orçamento não ficaram imunes à crítica. Luís Correia da bancada do PSD criticou a estratégia do município de apenas “repartir” ao invés de “semear” para gerar riqueza . “Da análise aos documentos percebe-se que os mesmos não vão de encontro às reais necessidades dos oliveirenses”, disse também o deputado social democrata Nuno Vilafanha.

“É um orçamento de quase base zero e isso é essencial para a credibilidade das contas públicas”, afirmou Luís Lagos, deputado do CDS-PP que chegou dar um primeiro aplauso à decisão tomada pelo município de “corrigir o problema da água que já é muito velho”. “Tem que se subir as taxas”, registou o deputado centrista que se mostrou contra o facto de, nos últimos anos, recair sobre o contribuinte a responsabilidade de pagar a conta da água. Uma medida ainda assim insuficiente para levar Luís Lagos a votar favoravelmente os documentos. “Tem inscritos 735 mil Euros para desporto e 234 mil Euros para espaços e incubação de empresas. Aposta três vezes mais no desporto do que nos espaços para empresas”, criticou Luís Lagos, na opinião de quem “o concelho precisa de estratégia de crescimento económico”. “E isso não existe sem empresas”, frisou o deputado que justificou o voto pela abstenção com o argumento de que “o caminho dentro do pouco dinheiro que existe seria na aposta de desenvolvimento económico. Dinheiro desperdiçado no desporto em excesso é uma menos valia”.

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