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Oliveirense Miguel Stoffel conquistou Taça de Portugal de tiro Trap 5 e sonha com os Jogos Olímpicos

Aos 18 anos tirou a carta de caçador. Com arma e devidamente habilitado, o oliveirense Miguel Stoffel começou praticar num campo de tiro que existia na altura em Ervedal da Beira, concelho de Oliveira do Hospital. Gostou. Começou a ganhar algumas competições e passou a levar o tiro aos pratos com arma de caça mais a sério. Tão genuinamente que começou a ganhar títulos nacionais. No domingo, em Vila Verde, distrito de Braga, por exemplo, bateu a concorrência de cerca de 100 atiradores e conquistou a Taça de Portugal na variante de Trap 5. Foi o segundo troféu de referência que traz para Oliveira do Hospital, depois de ter conquistado a Taça de Portugal, mas na variante de Fosso Olímpico, a sua modalidade preferida.

“Fui a esta prova de Trap 5 por mero acaso. Estou mais apostado no Fosso Olímpico. É uma modalidade olímpica e existe sempre aquele sonho de um dia conseguir-mos a qualificação. É muito, muito difícil. Mas o sonho está cá. Só para se ter uma ideia do grau de dificuldade para conseguir o apuramento basta referir que em Tóquio, Portugal vai ter um atirador. Mas nas duas edições anteriores nenhum atirador português conseguiu o apuramento”, conta Miguel Stoffel, 42 anos, que tem uma empresa em S. Paio de Gramaços e treina apenas à sexta-feira de tarde e ao fim-de-semana quando não tem competições. “Mas, obviamente, que vencer a Taça de Portugal em Trap 5 é um grande motivo de orgulho”, frisa.

Para atingir este nível tem de superar diversas dificuldades. “Um dos grandes problemas é que para treinar tenho de ir a Mira, até represento o clube local (Associação Clube de Caçadores de Mira), porque na nossa região não existe um espaço para praticar tiro”, conta, assegurando que conta com o apoio de uma marca de cartuchos e pouco mais. Não tem qualquer auxílio institucional, tal como os seus colegas nacionais.

“Daí a nossa dificuldade de conseguirmos chegar aos Jogos Olímpicos. A concorrência dos outros atiradores, como os espanhóis, é desigual. Eles têm todo o tipo de apoio por parte do Estado”, sublinha o atirador Oliveirense que, entre os vários feitos na modalidade, já conseguiu um quarto lugar no Campeonato Nacional de Fosso Olímpico, venceu um estágio da selecção nacional e tem um quinto lugar num campeonato da Europa. Ao serviço da selecção, arrecadou ainda uma medalha de prata no Fosso Universal, numa prova disputada em Itália.

“Tenho conquistado algumas coisas”, diz. Agora, por exemplo, Miguel Stoffel está a treinar para tentar repetir em Setembro o feito de 2010 e conquistar a Taça de Portugal de Fosso Olímpico que este ano se disputa no Porto. “É claro que quando vou é para ganhar, mas é sempre muito complicado, mas vou tentar”, explica o atirador que para lhe complicar mais a vida não tem nenhum colega da região que o acompanhe nos treinos e competições. “Por aqui, até Coimbra, não estou a ver ninguém. Tenho o meu pai que vai comigo”, sublinha, fazendo questão de frisar ainda que a modalidade de tiro com arma de caça não é poluidora, nem mata animais indefesos. “Os cartuchos e o chumbo é todo recolhido e o alvo são pratos”.

A prática da modalidade para quem vive na região da Beira Interior está longe de ser a mais acessível. É difícil, mas Miguel Stoffel não desiste. Como não deixa de sonhar com uma vitória numa prova internacional pela selecção que lhe abra as portas dos Jogos Olímpicos. “Vamos devaneando [risos]”, concluiu.

 

 

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