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OPINIÃO: Empreendedorismo?… Isso seria uma longa conversa…

Todos sabemos que o futuro de um país depende da formação dada às futuras gerações que o irão comandar. Infelizmente, por cá, o único pensamento estratégico na educação que se deslumbra é a criação de “novas oportunidades” e outros facilitismos para que todos passem e fiquem com habilitações… No papel.

Penalizadas no apoio financeiro se reprovarem, a prioridade das escolas é agora passar e não deixar desistir alunos. Ou seja, de um secundário com qualidade como deveríamos ter, passamos a ter a qualidade como secundária. E o mais preocupante é que ninguém se apercebe que iremos colher tudo aquilo que estamos a plantar…

Com uma geração menos preparada e os nossos níveis de empreendedorismo a cair, continuamos a ouvir os nossos governantes a dizer que o problema é essa tal falta de empreendedorismo.

Convém salientar que o conceito de ser empreendedor ultrapassa em muito a “simples” criação de uma empresa. E como em tudo na vida, se não soubermos para onde queremos ir, nunca os ventos nos serão favoráveis.

Assim sendo, torna-se curioso ver o que o nosso sistema de ensino tem feito para inverter este nosso baixo nível de empreendedorismo. Joseph Schumpeter, um dos mais importantes economistas do século XX, definiu o indivíduo empreendedor como quem inova e se desvia das práticas e regras estabelecidas, constantemente à procura de oportunidades e de novas formas de organização.

Com a sua confiança sustentada numa auto-formação constante de “experiência-erro”, o empreendedor é provido de uma elevada motivação, capacidade de arriscar e torna-se um “criativo-destrutivo” da máxima “tudo está bem como está e nem podia ser de outra forma…”.

Com uma capacidade enorme de se auto-motivar e formar, podíamos ainda completar as características empreendedoras com a propensão obsessiva ou paranóide. Contudo, pensemos agora somente na confiança necessária para um indivíduo se tornar empreendedor.

Como sabemos, a confiança provém das nossas experiências e da capacidade em ultrapassar as dificuldades a que somos sujeitos. Assim, a escola passa a ser o principal “motor” da confiança dos mais novos e nunca será um sistema de ensino facilitador – como o nosso onde quase já não se reprova, nem se chumba por faltas – a tornar a próxima geração mais responsável, trabalhadora e com a confiança empreendedora pretendida.

Mas os senhores do poder esquecem-se, facilmente, que o único sítio onde a palavra “sucesso” aparece antes da palavra “trabalho” é no dicionário. Possivelmente, porque continuamos a ter políticos profissionais, em vez de ter profissionais na política, mas isso seria uma longa conversa…

É claro que nenhum processo metódico de ensino poderá colmatar, por completo, a falta de empreendedorismo de um indivíduo. Porém, se queremos ter uma formação empreendedora teremos que ter um novo olhar sobre tudo, explorando novos conhecimentos, promovendo um relacionamento mais próximo com os alunos e derrubando os dogmas conservadores instalados na relação professor-aluno.

No entanto, se nos lembrarmos das convicções de Daniel Goleman, o maior “embaixador” do conceito de inteligência emocional, nenhum professor conseguirá fazer passar, com eficácia, características que nem ele próprio tem.

E quantos serão os professores com estas características empreendedoras?!?… Pois… Também isso seria uma longa conversa…

sugestão.fordoc@gmail.com

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