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João Paulo Albuquerque

Os ninhos, os cucos e a BLC3. Autor: João Paulo Albuquerque

O cuco é uma ave parasita que coloca os seus ovos nos ninhos de outras aves mais pequenas e mais fracas. Quando o cuco bebé nasce, atira os ovos ou filhotes do ninho para o chão, tornando-se filho único dos pequenos pais adoptivos. Como é perigoso pôr os seus ovos em ninho alheio, a fémea- cuco imitou o estilo de vôo e a fisionomia do gavião intimidando assim as pequenas aves que fogem, voltando somente para lhe criarem os seus filhos sem saberem.

Por que razão se inicia o artigo com uma breve descrição sobre a nidificação desta ave, o cuco, que muito se usa em relógios de parede para iniciar um tema sobre a BLC3 perguntará o leitor? Não, não é para marcar o tempo e muito menos para nos lembrar quando esta história começou, mas sim para nos questionarmos se a BLC3 não será num sentido figurado um “ninho de cucos”?

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital deu-nos como prenda de Natal o ponto 3.6.B da acta CM 10/12/2015, que publicou na sua página oficial, provando, mais uma vez, que tudo aquilo que tenho vindo a mostrar aos oliveirenses é uma realidade que dá razão a todos aqueles que pedem investigações urgentes e eficientes de modo a obterem as respostas que os vereadores não dão e, que, para além de uma conhecida excepção, os deputados não exigem, isto é, a BLC3 não só é participada pela CMOH como os seus resultados económicos podem alterar os rácios financeiros da autarquia.

Esta insensata e ilusória gestão camarária obriga os munícipes a entregarem-se à insanidade reinante que alimenta esta administração de ardilosas falácias que só a alguns interessa e que somente conduziu ao atraso em vários sectores da nossa sociedade, assim como ao empobrecimento em que nos encontramos relativamente aos vizinhos. Vizinhos esses que não tiveram a sorte de encontrar as suas autarquias em tão boas condições financeiras e sociais como as que esta gente encontrou, mas que sem dúvida vão deixar bem melhores do que a nossa, pelo que actualmente se pode constatar.
O Sr. Presidente da Câmara, cumprindo os estatutos, apontou-se para presidente da Assembleia Geral da BLC3 desde os primórdios da sua fundação, e agora agindo como quem desconhece o nº1 do artigo 12º desse regulamento, diz que por força das eleições deixou de ser o presidente da AG. Quais eleições? Pergunto eu. Só se forem as autárquicas, só elas mudam a vereação que indica o presidente. E essas ainda estão longe. Pelo menos no calendário normal. Enfim, mais uma mentira para tentar embarrilar alguns tolos.

É a CMOH que escolhe o presidente da AG da BLC3. O Sr. Presidente no meio daquela “retórica caseira”, porém, esqueceu-se de nos comunicar quem foi a pessoa, quem foi a entidade máxima da BLC3 que designou. Esqueceu-se também de nos informar quem é esta nova “figura de estilo” que denominou de “Directora Financeira” que até agora, para além de desconhecida, era inexistente. Quem a indigitou? Foi também por força dessas eleições enevoadas que apareceu para salvar a situação, como se de um “D. Sebastião contabilístico” se tratasse? O João Nunes já não tem o tempo que antes tinha para fazer as contas deste “negócio sem fins lucrativos”?

Vamos esperar que esta senhora nos elucide sobre a situação financeira do projecto “Trans-I-duca“, para sabermos se dos anunciados 1,72 milhões de euros chegou tudo, alguma coisa ou nada.

Vamos esperar que esta senhora nos elucide sobre o caminho que levaram os 522 mil euros relativos aos projectos “Valor Queijo e Value MicotecTruf”, pois qualquer um destes projectos foi aprovado antes dos sócios fundadores entrarem com o capital e constituírem efectiva e legalmente a BLC3.

Vamos esperar que esta senhora nos elucide sobre os 401 mil euros do FEDER relativos ao projecto “Fruit ECO-Drying Line”. Que nos diga onde está e como funciona a máquina automática de secar pêras e outras frutas, desenvolvida pela MIM. Que nos explique também se a candidatura PRODER dos dez jovens agricultores levada a cabo no valor de 1,6 milhões de euros está a funcionar afinadamente.

Vamos esperar que esta senhora consiga justificar que os 3,2 milhões de euros gastos no projecto-piloto “Centro-Bio”, com todas as aquisições feitas e obras realizadas, foram efectivamente o melhor negócio possível para a BLC3. Sabendo, no entanto, que a SEKAB fez uma unidade piloto semelhante, que apoia várias grandes unidades, estudou e estuda vários produtos e custou 210 mil euros. Conclusão aparente: fizeram tão bom ou melhor por quinze vezes menos.

Vamos deixar todos estes milhares e milhões para trás e vamo-nos preocupar com o que realmente foi a razão da criação e existência da BLC3, o “mega projecto” que não podia deixar de ser “o maior do país” pois o presidente não ficava contente, o “Biorefina-Ter”.

O projecto arrancou com um financiamento em 2010 pelo Estado Português, através do IFAP, no valor de 500 mil euros, também sem a BLC3 estar legalmente constituída, pois nem a CMOH, nem NDEIB nem tão pouco a ESTGOH tinham feito as suas entradas iniciais de capital em 2010, vindo a acontecer somente em 21/09/2012, sendo engraçado que o Sr. Presidente da Câmara era também fundador e membro dos órgãos sociais do “nado-morto” NDEIB como atesta o CV publicado.

Nessa altura corria tudo pelo melhor à autarquia e à BLC3, e foi com pompa e circunstância que o então secretário de Estado da Energia e da Inovação, Carlos Zorrinho, dizia na apresentação do projecto que a Biorefinaria-Ter tinha “um balneário cheio de craques”. Talvez por isso, a CMOH passasse a dar nove mil euros por mês “aos jogadores” da BLC3. Entretanto, o país começou a entrar em “bancarrota”, o governo mudou, a troika entrou e o projecto empastelou. Empastelou, mas não morreu. Aproveitaram para definir políticas, escolher parceiros e preparar o terreno e as pessoas, sendo a oposição a esta escolha da autarquia contestada por todo o expecto político da direita à esquerda. Razão pela qual o edil chamou a essa oposição de politiqueiros corriqueiros na “confissão de fé” que fez aquando da assinatura de protocolos entre a BLC3 e a ESTGOH onde informou que o governo de então sob pressão de António Campos e João Nunes assinou uma declaração que faltava e entregou um milhão de euros. O que o presidente pretendia informar, era que o Secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, sem festas, sem IFAP’s, sem “pompa e circunstância” e sem “balneários recheados” conseguiu o dobro que o seu antecessor Carlos Zorrinho e informou a União Europeia que o projecto “Biorefina-Ter” era de interesse nacional (a tal declaração que faltava) para que tal fosse aprovado por Bruxelas.

O Sr. Presidente foi infeliz por não ter informado desta maneira e mais infeliz é a autarquia por o fazer com este registo, confirmando que esta vereação é a vereação das meias-verdades. Infelizmente a BLC3 afinou pelo mesmo diapasão político e informou assim.

Estávamos então em julho de 2012 e o navio (projecto Biorefina-Ter) com todas as velas içadas navegava em velocidade de cruzeiro, perspectivando-se que o maior projecto tecnológico Português (segundo os promotores Nunes e Campos) se iniciasse em 2014 e se concluísse em 2019. Estamos em 2016, o que se passa? Por que razão ainda nem uma parede foi edificada? O que se passa? Não se percebe. Se têm os melhores do ramo no país a apoiar o projecto. Se têm o investimento em publicidade feito. Se Carlos Zorrinho (o tal do balneário de craques) é no Parlamento Europeu, entre outras coisas, membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia. Se Carlos Moedas é o Comissário Europeu da Investigação, Ciência e Inovação e tem 16 biliões de euros para fundos de investimento em projectos como o “Biorefina-Ter”. O que causou esta aparente paralisia? Será que o projecto falhou? Não pode ser, com tudo a favor como pode falhar?

Sim falhou, é verdade. Por isso, nada foi edificado, por isso o “Biorefina-Ter” não consta no sumário dos principais projectos em Biocombustíveis na Europa recentemente terminados, em curso e em planeamento, como se pode ver neste relatório que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCT) preparou para o Governo Brasileiro. Para a sua execução, o MCT selecionou de entre uma bolsa de peritos externos indicados pela empresa CESO International, o perito externo Francisco Manuel Ferreira Gírio, doutorado em Bioquímica e Coordenador pela Unidade de Bioenergia do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (parceiro da BLC3), que é um Laboratório do Estado de Portugal na área da Energia e Geologia.

É fácil detectarmos o que falhou quando lemos notícias sérias e não meias verdades, a notícia dada por Miguel Prado no Jornal de Negócios não deixa dúvidas sobre o que falhou quando informa que o projecto “espera vir a receber 50% de fundos comunitários para o investimento de 118 milhões de euros”, na melhor das hipóteses a BLC3 recebia 59 milhões se os apoiantes anunciados colocassem o resto.

O que falhou, meus senhores, foi o Presidente da Câmara, foi o Presidente da AG da BLC3, foi José Carlos Alexandrino. Todos os outros, melhor ou pior, mal ou bem, legal ou ilegal, ortodoxamente ou não, cumpriram com as suas incumbências menos o Edil. E não lhe valeu de nada andar a medalhar o Belmiro de Azevedo, a facilitar as descargas da unidade São Paio, a desembargar todos os problemas burocráticos para a vinda do “Continente” e quase a prometer-lhe o campo do Sampaense e a alteração das vias para facilitar o investimento na fábrica. O investidor não foi em conversas fiadas.
Pura e simplesmente este negócio não interessa aos empresários e investidores. É esta verdade que tem sido escondida. O projecto não se concretizou por falta de capital próprio e privado.
Quando sai do “Pão e Circo” Alexandrino é uma nulidade e tem que vir a terreiro dar razão a toda a oposição que desde início o avisou da inviabilidade do projecto. É obrigação informar quanto já se gastou neste “sonho” que se transformou num “pesadelo” e que já lhe custou a exclusão política por parte de quem puxa os cordelinhos do Partido Socialista.

Muita água ainda pode correr por baixo da ponte. Previsões são proibidas em política, mas neste momento Alexandrino recebeu “guia de marcha”, e de nada lhe vale gritar que o CDS já o convidou para candidato, pois os que mandam no PS, por bem menos do que ele fez, despacharam o César de Oliveira, mesmo sabendo que sem ele perderiam as eleições.

O que sei, é que o cuco já atirou com os passarinhos para chão e estará neste momento a preparar o ninho para lançar Paulo Campos como o próximo candidato Socialista à CMOH. Se vai haver ou não mudança de opinião só o tempo o dirá. Até lá, vamos observando este “ninho de cucos”.

João Paulo AlbuquerqueAutor: João Paulo Albuquerque

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