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Os políticos desta região devem tratar as pessoas “com amizade e respeito” e “não com arrogância e desprezo”.

O empresário Fernando Tavares Pereira não poupa nas palavras na entrevista (segunda parte) que deu ao quinzenário “O Tabuense”. O conhecido empresário diz que os políticos desta região devem tratar as pessoas “não com arrogância e desprezo, mas com amizade e respeito”. Ao mesmo tempo fala em decisões que não se entendem sobre projectos, referindo mesmo “uma dualidade de critérios”. Fernando Tavares Pereira acredita ainda assim que “a pandemia “pode ser uma oportunidade única para incentivar a produção nacional”, desde que o Governo tenha o rasgo de apoiar devidamente os empresários.

A propósito de dualidade de critérios, Fernando Tavares Pereira revela que as suas empresas apresentaram uma candidatura para a produção de álcool em Gouveia e a mesma não foi aprovada. “ O nosso objectivo era queimar o vinho que não fosse vendido por causa desta pandemia, fazendo o seu aproveitamento. E a fruta também. Os requisitos eram iguais para todos, porque é que foram aprovados três ou quatro projectos e o nosso não foi?”, questiona, falando em “castigo pela batalha que tem travado na defesa dos interesses do interior”.

“Há dualidade de critérios nas coisas que fazem”, desabafa, sustentando que os políticos desta região devem tratar as pessoas da mesma forma, “não com arrogância e desprezo, mas com amizade e respeito”.

FTP fala numa oportunidade perdida na retoma do interior não se apoiando as empresas que tiveram de fechar por causa da pandemia e que tiveram de se localizar no estrangeiro, por exemplo, na Ásia, por uma questão de sobrevivência.

– “Podiam produzir os materiais que aqui não há, não havendo necessidade de os importar, fazendo sair divisas, adaptando as empresas com novas tecnologias para desenvolver projectos que Portugal e o Mundo necessitam, aumentando a produtividade. Seria uma forma de também não estarmos tão dependentes da Ásia. Porque é que o Governo não chama esses empresários e se disponibiliza a financiá-los a cem por cento com essas novas tecnologias? A pandemia pode ser uma oportunidade única para incentivar a produção nacional”.

“Um ponto de honra que privilegiamos é nunca despedir pessoas”

O empresário sustenta também que as empresas já não suportam mais impostos: “Se não houver uma boa gestão a nível de quem nos governa, dentro de pouco tempo vamos enfrentar um problema bem mais grave do que tivemos em 2010. Tem que haver uma boa organização, um bom grupo de trabalho que saiba o que anda a fazer, e que venham falar com os empresários, pois  são uma mais-valia para desenvolver o país e a região”.

E sobre as nacionalizações empreendidas pelo governo, como foi o caso da TAP e da Efacec, sustenta a necessidade de se saber qual a rentabilidade e as mais-valias que trazem : “ A TAP faz falta, é uma empresa estratégica, mas não fui eu nem os portugueses que a destruíram, foi alguém que devia ter sido chamado à responsabilidade. Infelizmente, quem gere as empresas públicas só quer é bons vencimentos. No topo da gestão da empresa há uma trintena de pessoas que, se somarmos os seus vencimentos, ganham mais do que todos os funcionários. Penso que se fosse criada uma nova TAP – até se poderia chamar “Portugal Air Lines” – acho que seria mais fácil”.

Apesar dos tempos difíceis que atravessamos e dos que se avizinham, em que é necessária uma maior cautela e uma gestão rigorosa, o grupo que FTP lidera aposta em manter os postos de trabalho, assumindo novas formas de gestão, transferindo funcionários de umas empresas para outras, adaptando-os a outras áreas. “Um ponto de honra que privilegiamos é nunca despedir pessoas, pois são parte integrante desta família empresarial e fazemos um esforço muito grande para as manter e até aumentar o quadro de pessoal. E apostamos em novas iniciativas, como foi a recente abertura de um restaurante/gourmet em Lisboa, com venda de produtos tradicionais desta região”.

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