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Os que irão morrer na praia… a 1 mês de serem vacinados! Autor: Carlos Antunes

A um mês da chegada prevista da vacina a Portugal iremos ainda assistir, provavelmente, a mais de 1800 óbitos com Covid-19, podendo totalizar no final do ano um número acumulado de 7400 óbitos. Serão mais de 1800 que morrerão na praia, morrerão a um mês de poderem ser vacinados e salvos da morte. Dá que pensar!
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No dia em que assistimos ao máximo de 98 óbitos diários, constatamos a consolidação de uma nova tendência de aumento da letalidade. Com uma variação diária a uma taxa média a 5 dias de 2.0%, poderemos, caso não haja nenhuma inversão desta tendência, ver o nº de óbitos a duplicar daqui a 35 dias. Nestas circunstâncias, a manterem-se, poderíamos ter em meados de janeiro cerca de 180 óbitos diários. Contudo, isto são meros indicadores extraídos da evolução numérica do nº de óbitos dos últimos 10 dias. Mas não deixam de ser sinais que nos devem obrigar a pensar, reflectir e agir.
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A análise do excesso de mortalidade de 2020 indica-nos que poderão já ter morrido devido à Covid-19 cerca de 8780 pessoas. São 5558 mortes de causa directa da Covid-19 e cerca de 3220 por causas indirectas. Pois actualmente, estimo que por cada 10 óbitos com Covid-19 morreram 5.8 de causas indirectas (falta de cuidados médicos, falta de diagnóstico e exames, etc.). Esta estimativa de 0.58 óbitos/Óbito_Covid, resulta da estimativa esperada de mortalidade sem Covid-19, que apresenta uma incerteza com intervalo definido entre 0.21 e 0.95 Óbitos/Óbito_Covid.
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À data de ontem tinham morrido 115658 pessoas, o que corresponde a um excesso de mortalidade de 13870 relativamente à média de 2009-2019 (13.6%), e de 8901 relativamente à média de 2018-2019 (8.3%). Tendo a mortalidade de 2020 já ultrapassado no passado dia 7 de Dezembro o anterior máximo absoluto de mortalidade de 2018, que é de 113595 óbitos. De acordo com as projecções poderemos ter até ao final do ano mais de 11 mil óbitos de causas directas e indirectas associadas à Covid-19, fazendo ascender o total de mortalidade em 2020 a mais de 124 mil óbitos, mais de 16 mil óbitos em relação à média de 2009-2019.
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Depois de verificarmos o pico da incidência da pandemia em Portugal, a 16 de Novembro, e de se ter já atingido o pico dos infectados internados, tendo mesmo o nº de internados nas UCI vindo a diminuir desde 29 de Novembro (com o seu máximo de 535), não só não começámos a diminuir os óbitos, como há cerca de 10 dias atrás iniciámos um aumento. Não foram até agora encontradas explicações que possam justificar e fundamentar esta inversão da tendência da letalidade. Para compreender, vai exigir uma análise mais detalhada dos números, de todos o números, e uma análise das causas e das condições da evolução do quadro clínico dos infectados com maior gravidade.
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Mas independentemente das explicações para este aumento da letalidade, sabemos que a única maneira de podermos diminuir a letalidade da Covid-19 é forçarmos a diminuição da incidência, através da diminuição dos contágios. E isso, acho que toda a gente já saberá como o poderemos fazer. Não são só as medidas que nos são impostas, é essencialmente, a nossa responsabilidade e o nosso comportamento que poderá reduzir o número dos que irão morrer na praia!
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Autor: Carlos Antunes

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