Home - Opinião - Ou em como a exceção passa a regra nas Obras Municipais… Ou quanto é que isso nos custa no nosso Município e por aí fora? Autor: Carlos martelo
Carlos Martelo

Ou em como a exceção passa a regra nas Obras Municipais… Ou quanto é que isso nos custa no nosso Município e por aí fora? Autor: Carlos martelo

A regra deveria ser: – ajuste feito e assinado, obra a concluir dentro do preço e do prazo contratados.

Porém, essa regra desejável e mesmo legal é subvertida pela prática em que Obras importantes e de elevado custo financeiro derrapam de ano para ano, de contrato para contrato e assim são transformadas em autênticas “obras de Santa Engrácia” que ficam bem caras no caso à escala do nosso Município.

E exemplo mais «exemplar» é o da recuperação e ampliação da «Casa da Cultura César de Oliveira», obra que derrapa há pelo menos seis anos e ainda sem ser bem conhecida a nova solução contratual.  Mas também temos o caso da requalificação da «Zona Histórica» da Cidade…mesmo da «Zona Industrial» para não falar dos «Passadiços» panorâmicos, estes frente ao Açude da Quinta da Ribeira (no Rio Seia – perto de Ervedal da Beira).  E estamos para ver, receando desde já, o que, em matéria de derrapagens, vai acontecer com a obra «grande» e cara do novo «Campus Educativo» (novo Centro Escolar do Ensino Básico) dentro da Cidade, cujo prazo de conclusão termina antes do final deste ano de 2022…

Ainda por cima, a pretexto das atuais dificuldades motivadas pelas guerras, está para sair (ou já saiu mesmo) uma nova Lei que virá agravar as más consequências destes procedimentos supostamente concursais e situações decorrentes, enquanto lhes dá cobertura legal.  Então, na prática, «ilegal» passa a ser o cumprir os contratos de adjudicação dentro dos prazos e dos preços inicialmente contratados… A nova situação virá pois consagrar/legalizar um autêntico «regabofe» nesta matéria das derrapagens das Obras dos concursos públicos com custos bastante acrescidos em relação aos valores das adjudicações iniciais…

Entretanto, as finanças públicas, e no caso das Autarquias Locais, vão ser substancialmente agravadas caso não venha a ser o Governo a «cobrir» os estragos financeiros e operativos agora enquadráveis na nova Lei.

Porém, «coabitando» no tempo com as «derrapagens» das Obras Municipais, avançam os projetos de facto tipo «Parcerias Público Privadas, PPP», no caso municipais, com os grandes investimentos públicos, a partir da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital a fazer na Zona Industrial para provável (grande) proveito por parte de grandes empresas…  Sim, para estas grandes empresas privadas, afinal, «quanto mais Estado, melhor!».  Quanto mais Autarquias a investir para elas «mamarem», melhor !…

Ai, ai,  vais ver-te «negro», vais, Montenegro de cor (ainda) laranja !…

Enfim, o homem andou lá pelas bordas até entrar na liderança do PSD nestes tempos ingratos. «Noblesse oblige» (a nobreza obriga) e lá se sujeitou ele à tarefa de liderar um partido político que precisa de ser poder para se aguentar bem à tona que as «clientelas» próprias tal lhe exigem.   Aliás, tem sido assim desde 1976 (há 46 anos).

A anterior liderança deste mesmo partido até que foi escorreita na conversa que utilizou durante a refrega política nos últimos anos mas soçobrou face aos principais objetivos partidários a que se propôs e deixou-se mesmo entrar em estado de decomposição política.  Teve pela frente e por trás adversários habilidosos, direi mesmo «manhosos», que lhe foram trocando voltas e argumentos.  Falo do Primeiro-Ministro sobretudo mas também falo do Presidente da República (também ele já foi Presidente do PSD) que deu apreciável ajuda…mas a António Costa…

Agora, o novo líder Montenegro vai ver-se «negro» para dar boa conta deste recado que lhe vai chegar dia a dia, noite a noite.  Continua a ter no terreno e como adversários, embora cada um deles à sua maneira, dois «raposões» enquanto parceiros institucionais – Primeiro-Ministro e Presidente da República – que o são há seis anos, período de onde até emana algo, da atividade política de ambos, que chega a parecer «cumplicidade» institucional.

Montenegro tem nome próprio, com ressonâncias aristocráticas no imaginário de muita Gente.  Ele é capaz de umas bravatas mas surge neste contexto como aquele ciclista generoso que, todavia, apenas prepara o ensejo, o «lançamento», de um seu companheiro «sprinter»  (velocista) poder «saltar» e vencer as etapas ao «sprint» (disputa da vitória ao despique e em velocidade de ponta final).

Montenegro tem, pois, alta probabilidade em vir a ser um «batedor» e numa prova dura.  Já hoje perpassa por aí, nos ventos e nos oráculos da política, que o intimamente desejado em círculos do PSD (e de Marcelo), e também de uma certa direita, esse é o Senhor Carlos Moedas, agora Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.  Tem este, aliás, um nome próprio mais sonante (Moedas – «Money») embora menos épico-aristocrático que Montenegro…

Poderá entretanto acontecer, e também o profetizam alguns oráculos da política, que António Costa salte de repente para um alto cargo da União Europeia, o que até lhe convirá dado o muito previsível agudizar desta crise económica, social e também política que se avoluma.   Aí, Montenegro ficará com a vida partidária e institucional facilitada por não ter Costa pela frente.  Portanto, pode hoje dizer-se que o futuro político, mais auspicioso, de Montenegro depende mais de Costa do que de ele próprio…  É a vida!

Nesta guerra na Ucrânia, os chefes Ucranianos não são apenas eles os «santos»   e os chefes dos Russos  não são só eles os «pecadores» !   

Volto a invocar o Papa Francisco desta vez ao ele dizer que, «por favor», não utilizem os alimentos como arma na guerra.  É um sentimento muito legítimo e legitimado pela vida…mas negado pela morte que as guerras provocam, também e muito por causa da fome.

No caso desta guerra na Ucrânia, «luta-se» muito a esgrimir os alimentos como «arma estratégica».  E lá vêm os narradores de serviço na grande comunicação social, diga-se que quase sempre tendenciosos, a sentenciar que os «santos» são os chefes dos Ucranianos e os «pecadores» (aliás diabolizados) são os chefes dos Russos também no problema vital dos Cereais alegadamente «feitos prisioneiros» (pelos Russos) nos portos da Ucrânia e arredores.

No contexto, um dia destes, por sinal desde a Turquia onde reuniu com o Presidente Turco, o ministro dos Negócios Estrangeiros Russo afirmou publicamente que a Ucrânia pode exportar os seus Cereais (trigo sobretudo) que os Russos vão permiti-lo em processo a coordenar com a própria ONU (Organização das Nações Unidas).  Porém, responderam logo os chefes Ucranianos que, não senhor, que aquilo que os Russos pretendem é ter «corredores livres» no Mar Negro para incrementarem a guerra ?!  Quer dizer, afinal quem bloqueia o envio dos Cereais são os próprios chefes Ucranianos, os tais «santos» desta guerra!

Obviamente que sem termos a pretensão de «ensinar» Francisco XVI, sempre diremos que, tragicamente, a alimentação e os alimentos são uma «arma» e em tempo de guerra bem como em tempo de paz.   E que um dos principais centros de comando dessa guerra alimentar reside na «Bolsa de Chicago» e nos «mercados de futuros» dos cereais, e na especulação multinacional com que, também muito desde aí, a Humanidade é «bombardeada» com a fome mortífera!

Carlos Martelo

 

 

 

Carlos Martelo

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