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Países nórdicos foram os menos afectados pela pandemia na Europa. Economia Portuguesa foi a 2ª mais afectada e mortalidade acima da média

Até hoje, morreram em Portugal quase 19.000 pessoas com COVID-19. No entanto, o excesso de mortalidade no período da pandemia ascende a cerca de 24.000 pessoas (cerca de 30% acima das mortes COVID-19), comparando com mortalidade média pré-pandemia, segundo os cálculos da The Economist. Este excesso de mortalidade, além das mortes COVID-19, estará também associada a outros fatores, como a sobrecarga do sistema de saúde, o adiamento de diagnósticos, consultas e tratamento de outras patologias, receio da população em se dirigir a unidades hospitalares, entre outros motivos. Como tal, este indicador apresenta um retrato mais rigoroso do impacto da pandemia e das medidas adotadas durante a crise sanitária na saúde dos cidadãos.

O excesso de mortalidade em Portugal em 2020 e 2021, por 100 mil habitantes, está acima da média europeia. Entre os países da Europa Ocidental, só Espanha e Itália registaram níveis superiores. Num estudo recente da OCDE, cobrindo 22 países, Portugal foi o 2.º país onde uma percentagem maior de pessoas (34%) afirmou que não viu as suas necessidades de saúde satisfeitas no primeiro ano de pandemia, o que poderá justificar uma parte do excesso de mortalidade apresentado.

Na economia, Portugal foi o segundo país mais afetado. A taxa de crescimento económico (ou de decréscimo) acumulada nestes dois anos foi cerca de 10 pontos percentuais abaixo dos anos pré-pandemia. Apenas a vizinha Espanha deu uma queda maior (11 pontos percentuais).

Os países nórdicos e a Irlanda foram os menos afetados pela pandemia, considerando os impactos na saúde e na economia. Apresentam baixos níveis de mortalidade COVID-19, além de terem tido uma queda menos acentuada no crescimento económico (aliás, a Noruega e a Irlanda até cresceram mais do que nos anos de 2018 e 2019).

Países com mais mortalidade COVID-19 tendem a apresentar impactos negativos na economia mais acentuados, e vice-versa. Este efeito deve-se ao facto de que o aumento de mortalidade COVID-19 conduziu, na maior parte dos países, à imposição por parte dos governos e autoridades de saúde a mais restrições à circulação e à atividade económica, o que, além de impactar de forma direta na economia, teve efeitos colaterais adicionais na própria saúde (para além da COVID-19), como já referido anteriormente.

Portugal tem agora um árduo caminho de recuperação. Não basta apenas “vencer” o vírus, é preciso cicatrizar as feridas na economia e no resto do sistema de saúde, ambas vítimas dos efeitos colaterais.

André Pinção Lucas

20 de dezembro de 2021

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