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Pároco acusa luta política e partidária oliveirense de se aproveitar da Igreja no caso do polémico subsídio de 6600 euros

O Padre António Loureiro apresentou ontem, na página do facebook da UP de Oliveira do Hospital, o destino, segundo os responsáveis eclesiásticos, do polémico subsídio de 6600 euros que foi atribuído pela Câmara Municipal, liderada pelo PS, à Fábrica da Igreja daquele concelho. A forma como o pedido foi formulado e apresentado foi entendido pela oposição como uma forma “camuflada” de pagar o salários a três padres, o que levou ao voto contra da vereadora social-democrata. António Loureiro descreve agora, ao contrário do que fez no pedido original, o destino final da verba assegurando que vai ser distribuído por todas as paróquias para: “auxiliar no pagamento da electricidade e nas despesas com a higienização das mãos e dos espaços, bem como recuperar as janelas de uma casa paroquial destinada à catequese”.

Um elemento da oposição ao executivo de José Carlos Alexandrino refere que este texto aparenta ser  mais uma tentativa de explicação e que o padre António Loureiro evitou escrever sobre os aspectos mais polémicos que envolvem este caso. Refere que não explicou a não inclusão do destino da verba no pedido original (que se publica aqui novamente), não fundamenta a exclusão na atribuição do subsídio do nome de um quarto pároco (António Borges), bem como o facto do subsídio ter baixado dos oito mil euros pedidos para 6600s. Como, acrescenta, não teceu qualquer comentário ao facto que levantou muita polémica e que teve a ver com o facto do presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino, ter subido ao púlpito numa missa em Ervedal da Beira, antes da atribuição do subsídio, e de ter utilizado da palavra, para, segundo os partidos da oposição, fazer campanha política.

Na missiva, contudo, o pároco mostra-se surpreso e sublinha que viu neste caso a luta política e partidária aproveitar-se da Igreja para atacar os adversários e tentativa de contaminar a opinião pública. “Foi com negativa surpresa que, a propósito de um subsídio do Município às Fábricas da Igreja do concelho de Oliveira do Hospital, pude ver a luta política e partidária aproveitar-se da Igreja para atacar os adversários, ficando esta exposta como se fosse um parceiro social de menor valia”, refere o pároco. “A Igreja Católica, no concelho de Oliveira do Hospital, está associada à vivência dos momentos mais importantes da vida, já seja de festa e alegria ou de dor e luto, tanto a nível pessoal, como familiar ou comunitário. Surpreende, por isso, que se alimentem comentários desprestigiosos, num processo de fake news que, sem qualquer verificação objectiva, pretende contaminar a opinião pública, não sabendo separar o trigo do joio”, diz referindo-se às criticas de que foi alvo a autarquia e a própria igreja.

Salientando que os subsídios dados à Igreja Católica (não um ente abstracto, mas um conjunto de Paróquias, Irmandades, IPSS e Associações) serão com certeza utilizados em benefício da comunidade local ou geral, o Padre António Loureiro chama a atenção para o facto de uma “parte significativa parte do património cultural e turístico concelhio está associado à Igreja”. “A valorização deste património pode até considerar-se um investimento, além de ser realmente uma ajuda às comunidades locais, muitas vezes sem meios suficientes”, frisa.

O pároco considerou ainda que “depois de tudo o que muito levianamente se afirmou ou escreveu”, vem apresentar pormenorizadamente o destino do subsídio que receberam da autarquia. “O destino deste subsídio atribuído à Fábrica da Igreja Paroquial de Oliveira do Hospital, destinado a todas as paróquias do concelho (como aliás vem expresso no pedido feito ao Município, entretanto divulgado pela comunicação social)”, refere, antes de assegurar que como se trata de muitas entidades “foi feito um acordo com uma em nome de todas”. “Conforme a lista que se anexa, a verba distribuída a cada paróquia foi de 230 euros, destinada a auxiliar o pagamento da electricidade e despesas com a higienização das mãos e dos espaços, tendo a paróquia de Oliveira do Hospital tido uma prestação dupla, por acrescidas despesas durante o período de confinamento. O remanescente será aplicado na recuperação de 50 por cento das janelas da casa paroquial de Meruge, destinada à catequese, algo urgente e que a paróquia não consegue suportar. Todas estas comparticipações já deram entrada nas respectivas contas paroquiais”, escreveu.

Um elemento da oposição lamenta que só depois de rebentar a polémica tenham surgido estas justificações, quando o normal era que aqueles dados acompanharem o pedido do subsídio. “É caricata esta explicação. O natural seria estas justificações acompanharem o pedido inicial, como é hábito nestes casos”, sublinha esta fonte refutando também que a oposição esteja a utilizar a igreja como arma de arremesso. “Quem o está a fazer é o presidente que foi ao baú de pó buscar apoios com mais de dez anos do PSD à igreja e sem especificar um único exemplo desses subsídios, que foram atribuídos certamente de forma criteriosa. Mas é o estilo dele, é o estilo de quem disse que se demitia se o Ic6 não fosse feito há dez anos atrás. Mas ele continua lá e o IC6 continua por fazer”, acusa, referindo ainda que em Ervedal da Beira José Carlos Alexandrino aproveitou para fazer campanha. “Aliás, o presidente da câmara tem aproveitado estes episódios para tentar politicamente tirar dividendos e atacar a oposição”, resume.

O subsídio de 6600 euros recebidos pela Fábrica da Igreja de Oliveira do Hospital, e destinados às diferentes paróquias do concelho de Oliveira do Hospital, foi distribuído, segundo o Padre António Loureiro, da seguinte forma:

Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Oliveira do Hospital: 460€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Bobadela: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Travanca de Lagos: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Lagares da Beira: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Lagos da Beira: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Lajeosa: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Ervedal da Beira: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Seixo da Beira: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Nogueira do Cravo: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de S. Sebastião da Feira: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Penalva de Alva: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Avô: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Aldeia das Dez: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Alvôco das Várzeas: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Lourosa: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Vila Pouca da Beira: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de S. Paio de Gramaços: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Santa Ovaia: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de S. Gião: 230€
Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Meruge: 230€+1770€ (para recuperação de 50% das janelas da casa paroquial, destinada à catequese)

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