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Paulo Caetano quer revitalizar a vila de Celorico da Beira através da União de Freguesias

Não quer ser mais um mero candidato. Paulo Caetano, 52 anos, pretende apresentar-se às próximas eleições autárquicas com ideias que vão muito além daquilo que é habitual num presidente de uma União de Juntas de Freguesia. O empresário, porém, acredita que gerindo bem esta autarquia pode mudar a face da sede do concelho de Celorico da Beira e das anexas. “Sou um sonhador que faço acontecer”, responde quando lhe dizemos que o seu projecto parece ser demasiado ambicioso. “A União de Freguesias recebe anualmente cerca de 100 mil euros. Tem de apresentar obra com essa verba. Depois existe a possibilidade de concorrer a fundos comunitários e nacionais e a própria Câmara tem a obrigação de ajudar em projectos que são transversais a todo o concelho”, explica. Paulo Caetano é ambicioso. Antes de formalizar a candidatura, tomou também uma atitude insólita: vai avançar com uma sondagem para saber como as suas ideias são aceites ou rejeitadas pela população. Um teste que será feito através de uma página da internet. Destes dados dependerá ou não ida às urnas. “A minha lista só estará comprometida com a população da União das Freguesias de Celorico (São Pedro e Santa Maria) e Vila Boa do Mondego e nesta fase dirá se vale ou não a pena avançar”, frisa, defendendo que o seu programa é vasto e vai desde o apoio aos comerciantes à criação condições para atrair turistas, fixar população, alavancar o queijo Serra da Estrela ou satisfazer as condições mais básicas das localidades da sua área de influência. Se houver uma força política que se identifique com estas ideias, garante, é bem-vinda.

CBS – É um candidato ou pré-candidato com ideias e projectos invulgares?

Paulo Caetano – Não acho. A política para mim é uma arte nobre. Para servir o povo. Se as minhas ideias não colherem junto da população não adianta andar com outros argumentos. Além disso, a minha equipa estará disposta a trabalhar com quem quer que venha a vencer a Câmara Municipal. O nosso compromisso, repito, se a candidatura avançar, será apenas com a população e não estará amarrada a qualquer programa político-partidário, embora se alguma força política se identificar connosco o seu apoio será bem-vindo. Seremos aliados quando as medidas servirem os interesses da população e da economia local e adversários se houver uma divergência para outros interesses.

Como pretende atrair os votos?

Com ideias. Simplesmente com ideias que irão dar origem a obra. Não quero que votem em mim por ser bom rapaz ou boa pessoa, mas sim pela força das minhas ideias. Quero colocar toda experiência que tive enquanto estive emigrado e enquanto empresário ao serviço da comunidade.

“Tem de ser construído um parque de

estacionamento no centro da vila para ajudar os comerciantes”

O que é que pretende fazer na sede do concelho?

Queremos o renascer da vila de Celorico da Beira. Pretendemos a sua revitalização. Mas ainda não é certo que esta candidatura avance. Insisto que depende das opiniões que nos forem chegando por parte da população numa sondagem que vamos realizar e aceitaremos essa decisão. Se for favorável às nossas propostas avançamos, caso contrário não. Uma coisa é certa: tenho muitas ideias que acredito poderem ajudar esta terra. Como Celorico da Beira já me ajudou muito, está na hora de eu servir esta terra.

Mas como é que pode servir Celorico da Beira?

Olhe, desse logo, ajudando o comércio local. Tem de ser construído um parque de estacionamento no centro da vila para criar condições para que os clientes, sejam locais ou turistas, tenham facilidade de acesso aos estabelecimentos. Pode dizer que sou um sonhador. Sim, sou. Mas com capacidade para realizar este projecto que já esta na minha mente, com localização e tudo. Em breve estará disponível uma maquete.

Fala também em revitalizar o comércio do queijo da Serra…

Actualmente, o apoio para os produtores venderem os seus produtos resume-se a uma festa anual que dura dois ou três dias e depois acaba. O comércio limita-se àquele curto espaço de tempo e em termos de comércio fica muito limitado ao interior do mercado. Os restantes ganham pouco com isso. Não acredito que esta seja a melhor forma de ajudar quem é produtor e o comércio. A minha proposta passa por apoiar uma feira mensal com o queijo a ser vendido em vários estabelecimentos espalhados pela vila.

E existem lojas suficientes para uma iniciativa desse género?

Têm de existir mais. E temos de apostar nisso. Se o negócio começar a ter retorno, as lojas vão surgindo naturalmente. Celorico da Beira é a Capital do Queijo da Serra e tem de se distinguir como tal. As pessoas têm de saber que mensalmente podem encontrar o melhor deste produto endógeno na nossa vila, bem como outros produtos típicos. Esta gente vai circular por toda a vila e todo o comércio vai ter oportunidade de trabalhar.

“Temos de criar excelentes condições de vida, em

termos de serviços e bem-estar, onde as pessoas

sintam que é bom viver em Celorico da Beira”

Fala também em criar a possibilidade de dar visibilidade a vários artesãos…

O nosso concelho, e a vila em particular, tem vários artesãos que não têm qualquer destaque. Estão escondidos, quando poderiam ser uma mais-valia, quer para quem cá está, quer para quem nos visita. A União de Freguesias também faria uma aposta séria nesse sentido de relançar essas actividades. Temos por cá desde ferreiros, sapateiros e outros que não estão a trabalhar porque não têm motivação.

Uma das suas apostas é atrair pessoas para uma região cada vez mais desertificada?

Sim, mas primeiro quero criar condições para aquelas que já cá vivem não tenham razões para sair. Estamos num território de baixa densidade, que perde população ano, após ano. Essa é uma tendência que tem de ser invertida. É claro que não pode ser a Junta a fazer isso por si só, mas tem a capacidade de pressionar, desde logo a Câmara, com ideias e elas existem. Ao contrário daquilo que as pessoas posam pensar, este território tem muitas potencialidades. Temos é de as aproveitar. Evitar que os quadros superiores naturais de cá vão para fora, como tem acontecido. Sabia que o concelho tem um cozinheiro com uma estrela Michellin? Podia ajudar no desenvolvimento da nossa hotelaria, mas neste momento está por outras paragens. Seria uma mais-valia. Temos de criar excelentes condições de vida, em termos de serviços e bem-estar, onde as pessoas sintam que é bom viver em Celorico da Beira, então podemos pensar em atrair mais pessoas.

Que ideias tem para aumentar a qualidade de vida?

Muitas. Mas vamos falar, por exemplo, de algo tão trivial como as caminhadas. Diariamente, vemos pessoas a caminhar na berma da estrada nacional ou da variante, com todos os riscos que isso acarreta, quando Celorico tem dezenas de quilómetros de caminhos pedestres ou cicláveis no meio natural e que estão completamente abandonados. Muitos já são quase impossíveis de identificar. Sabia que existem caminhos de antigamente que ligam a Central de Camionagem ao Santo António do Rio. Atravessa totalmente a vila, por caminhos que agora estão esquecidos e perdidos no meio da vegetação. Há trilhos que eram utilizados antigamente e que estão abandonados. A qualidade que este tipo de passeios no meio natural, longe dos riscos de acidentes com o trânsito, é algo muito importante. É cativante para quem gosta de caminhadas, ainda por cima se contar com aliciantes como pontos que contem estórias. Aqui, admito que seria possível estabelecer parcerias com outros colegas autarcas para trabalharmos no bem comum. Para nós não há partidos, há Celorico da Beira.

….

A vila de Celorico da Beira tem também várias fontes esquecidas e que guardam imensas histórias do nosso povo. São obras de arte que ajudam a entender quem somos como povo. Cada uma dessas fontes tem o seu legado. Devem ser recuperadas, devidamente identificadas e ser mostradas às pessoas. Não apenas a quem cá vive, mas a quem nos visita. Celorico podia perfeitamente ter uma rota dos chafarizes que actualmente se encontram abandonados, escondidos no meio de vegetação. É o nosso património que está a perder-se. Essa é outra das nossas apostas. Queremos recuperar esse legado e colocá-lo ao serviço da população e da economia.

Como é que uma União de Freguesias consegue financiar todos estes projectos?

A União de Freguesias recebe cerca de 100 mil euros anuais. Esse dinheiro tem de se traduzir em obra. É pouco? É. Mas a autarquia não está limitada apenas a esse meio de financiamento. Desde logo, existem projectos passíveis de candidaturas, quer a fundos europeus, quer das estruturas do poder central, aos quais é necessário estar atento e aproveitar. Não podemos deixar que essas verbas vão sempre para outros locais. Por cá temos o hábito de nos queixar que vai tudo para o litoral. Há alguma verdade nisto, mas também não é mentira que muitas das verbas que poderíamos captar com projectos válidos nos passam completamente ao lado.

“Para a Aldeia da Serra, como está

situada em altitude, é um local para onde

temos um projecto mais arrojado”

Muitas das suas ideias só são exequíveis com parcerias com a Câmara Municipal…

Mas a Câmara não está cá para ajudar a população e auxiliar as juntas de Freguesia? É claro que sim. Não é um favor que quem vier a governar a câmara nos irá prestar. É uma obrigação do futuro presidente, zelar pelo desenvolvimento e aumento da qualidade de vida da população. Há muitos projectos sobre os quais a autarquia terá de colocar os seus meios, não ao serviço da Junta, mas sim da população. Também defendo, no entanto, que as Juntas de Freguesia não têm de andar sempre de mão estendida a pedir esmolas. Também tem formas de criar fontes de receita. E será isso que iremos fazer se chegarmos a liderar a autarquia. Teremos o compromisso com a população de ter uma autarquia a funcionar de forma profissional, sempre a pensar no bem-estar das nossas gentes e no desenvolvimento do seu território.

A sua área não é apenas a vila de Celorico da Beira, o que tem para as restantes localidades?

E sabemos disso. Vila Boa do Mondego, Espinheiro e Aldeia da Serra também estão contempladas no nosso programa. Ainda estamos a ouvir quais as necessidades dessas localidades. Sabemos por exemplo que Vila Boa do Mondego necessita de umas casas de banho públicas, será algo resolvido logo nos dias a seguir às eleições. Além do mais já existem estruturas automatizadas. Pedem também um espaço onde possam brincar comas crianças. É incrível como numa aldeia com tanto terreno ainda não se fez esse parque. A Aldeia da Serra, como está situada em altitude, é um local para onde temos um projecto mais arrojado. É algo que vai surpreender e que terá impacto no concelho. Para as outras localidades, serão resolvidos os problemas que estiverem ao nosso alcance e, no restante, cá estaremos como forma de pressão sobre a Câmara para que as expectativas da população sejam realizadas.

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