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População da aldeia da Ponte das três Entradas acusa Câmara de Oliveira do Hospital de descriminação

População da aldeia da Ponte das Três Entradas acusa Câmara de Oliveira do Hospital de descriminação

Sentem-se descriminados. Dizem que são vistos como cidadãos de segunda. Sem o devido respeito por parte da autarquia. É este o sentimento de boa parte da população da aldeia da Ponte das Três Entradas. Não se conforma que a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital tenha arrancado com uma obra de saneamento para servir uma unidade hoteleira, o Hotel Italva, que está em fase de conclusão, e tenha deixado sem água e saneamento os restantes habitantes. “Pelos vistos aqui o sol quando nasce não é para todos. Uns são pretos e outros brancos”, conta Carlos Conceição, proprietário de uma oficina na localidade. “A revolta é unânime, porque todos pagamos impostos”, acrescenta, sublinhando que a obra só vai servir uma minoria.

Um dos muitos inconformados é António Fonseca. Este ex-emigrante no Luxemburgo garante que em sua casa José Carlos Alexandrino lhe garantiu que viriam 350 mil euros para resolver o problema de toda a povoação. “Pelo que sei , afinal, só existem 112 mil euros e é para fazer o saneamento para o hotel , servindo os poucos que apanha pelo caminho. Isto é criminoso. É como cuspir na cara das pessoas”, continua António Fonseca, que não compreende a atitude do presidente da autarquia. “Ainda teve essa lata de vir aqui ouvir as queixas da população. Nem lá fui, porque não me continha e ia-lhe chamar certos nomes. Isto é criminoso. Uma aldeia tão pequenina e ninguém faz nada por ela. São atitudes mentirosas e covardes”, sublinha.

António Fonseca sublinha que se não fosse feito nada estavam todos em pé de igualdade, mas “não aceita que uns sejam servidos e outros não”. “Estão a 50 metros e deixam as pessoas assim. Somos filhos rejeitados. É uma descriminação criminosa. Este presidente só tem dinheiro para festas e bailes, não o sabe utilizar para o bem da população”, diz, garantindo que José Carlos Alexandrino lhe mentiu. “Na altura da campanha disse que o anterior presidente não tinha feito nada, que nos tinha descriminado, e que com ele as coisas iam mudar. Que ia fazer tudo. Afinal não fez nada, a não ser bailes e festas e arranjar emprego para pessoas da cor dele na Câmara. Foi uma grande desilusão”, frisa, garantindo que se arrepende de lhe ter concedido o seu voto. “É que nem tem a dignidade de mandar aqui um camião despejar as fossas. As pessoas têm de pagar. É inaceitável”.

Uma exposição ao Ministério do Ambiente é um dos passos que António Fonseca pretende dar nos próximos tempos. “Alguém tem de fazer alguma coisa contra esta injustiça, somos todos portugueses e pagamos os nossos impostos”, sublinha. “É triste ver que só fez alguma coisa porque foi obrigado, e bem, devido ao hotel”, remata e aponta para um restaurante que se encontra em frente da sua casa: o restaurante Varandas Verdes. “Este restaurante está há 14 anos à espera de uma solução. Isso é admissível? Não é também uma empresa?”, questiona-se.

População da aldeia da Ponte das três Entradas acusa Câmara de Oliveira do Hospital de descriminaçãoO CBS não conseguiu falar com o proprietário do estabelecimento. Mas segundo o filho, o pai já terá dito o que tinha a dizer na cara do próprio presidente quando este se deslocou à povoação para ouvir queixas e que pouco mais teria a acrescentar. “É uma injustiça. Serve-se uma pequena parte da população e esquece-se a restante. Só é servido quem está no caminho do empreendimento”, refere Luís Lopes, para quem a aldeia da Ponte das Três Entradas é uma localidade abandonada. “Se não tivesse feito nada, pronto estavam todos em igualdade de circunstâncias. Agora fazer para uma minoria e deixar os outros é revoltante. Não há qualquer lógica nisto”, conta.

A falta de obras, recorde-se, quase levou os dois sócios da nova unidade hoteleira, onde investiram cerca de dois milhões de euros, ao desespero. Com a obra praticamente concluída não podiam abrir porta por falta das infra-estruturas de água e saneamento. Irritado, um dos sócios colocou um cartaz enorme, numa das janelas, onde se podia População da aldeia da Ponte das três Entradas acusa Câmara de Oliveira do Hospital de descriminaçãoler em letras vermelhas: “investimento parado por falta de água e esgotos”. “É para chamar a atenção para a realidade. O investimento é completamente privado, caso contrário, se tivéssemos de pagar juros aos bancos, a obra já tinha desaparecido”, contou, no início de Agosto ao CBS, o empresário António Nunes, adiantando, na altura, que a obra foi aprovada com água e esgotos há muito tempo e que a conclusão do empreendimento estava apenas dependente da resolução do problema da água e esgotos. “Logo que me garantam que a obra arranca, tiro imediatamente aquilo”, assegurou na altura António Nunes referindo-se ao cartaz. O CBS avançou com a notícia e cartaz foi retirado no dia seguinte. Agora, as obras arrancaram e a população está indignada com a descriminação.

O CBS tentou já algum tempo falar sobre este tema com a autarquia, mas não houve resposta. O responsável pela comunicação do Município, na altura, prometeu tratar de que os devidos esclarecimentos fossem prestados, juntamente com as explicações de uma outra notícia do CBS sobre a não entrega de documentos pedidos à autarquia pelo ex-presidente da Assembleia Municipal, António Lopes. Mas tanto num caso como noutro não houve qualquer resposta. O CBS tentou igualmente ouvir o presidente da União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca, mas também não foi possível.

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