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Presidente da Assembleia Municipal desvincula-se do partido por que foi eleito por larga maioria (com vídeos)

António Lopes “rompeu” esta manhã com o projeto do partido socialista. “Fiel” aos seus princípios, o presidente da Assembleia Municipal anunciou a desvinculação na reunião daquele órgão autárquico, onde chegou a ser desafiado à demissão.

“Infelizmente assisto a situações a que não estou de acordo e ninguém estava à espera que o presidente da Assembleia tivesse uma atitude diferente daquela que sempre defendeu”. A afirmação foi proferida esta manhã, aquando do arranque dos trabalhos da primeira reunião ordinária da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, por António Lopes que no imediato anunciou a desvinculação do projeto socialista por que foi eleito e, por sinal, por larga maioria.

ervedal2Desta forma, o presidente da Assembleia Municipal mostrou um “cartão vermelho” à política que o executivo socialista liderado por José Carlos Alexandrino tem levado por diante e com a qual António Lopes não concorda por – tal como referiu a quando da apresentação das listas em período de campanha – “abominar qualquer forma de política onde se está para se servir”. “Sempre disse que a bandeira do concelho está à frente”, reiterou esta manhã António Lopes que, sem deixar de recordar o momento em que, no mesmo órgão, foi “desautorizado” pelo seu partido, a CDU, e não teve “pejo em tirar as ilações”, também não tinha dificuldade de agora se deixar orientar pelos mesmos princípios, sendo por isso a “segunda vez que abandono os projetos políticos por que fui eleito”.

A motivar António Lopes à decisão de desvinculação está um conjunto de situações relativas à admissão de pessoal na autarquia. “Se me opus a favorecimentos fossem eles de que tipo foram no passado, naturalmente que outra não pode ser a minha postura”, justifica António Lopes que garante ter “muito respeito pelo dinheiro e erário público” – “faço questão de não usufruir dos 34 Euros mensais a que tenho direito”, frisou – razão pela qual não tem “nenhum familiar empregado em nenhum serviço da Câmara e não estará a meu pedido”. “Ter emprego não é um dever, é um direito, mas que deve ser para os 20 841 oliveirenses e não para aqueles que em cada momento estão no poder”, continua António Lopes que, do mesmo modo, justificou a desvinculação com a decisão de o município avançar com um jornal de informação municipal. “Chamei-lhe a Caras, porque nada tem a ver com boletim municipal. Estamos em tempo de austeridade e não de propaganda e culto de personalidade”, disse sem qualquer hesitação o presidente da Assembleia, garantindo ter tentado que estas situações fossem corrigidas. “Não tendo tido êxito, tomei esta atitude”, referiu, assegurando continuar “naquela cadeira mais alta ou deste lado, conforme for entendido, para fazer o que tenho que fazer”. “Já aqui estive sozinho pela CDU, se aqui estiver independente e genuíno não há problema nenhum. Fica ao critério dos deputados”, disse António Lopes que, em nenhum momento, se disponibilizou a colocar o lugar à disposição, não deixando porém de informar que a lei tem mecanismos para ultrapassar esta situação, porque assegurou: “não estou agarrado ao poder, estarei bem e qualquer lado e honrarei o compromisso independentemente do sítio em que estiver”.

“Ou opta pela vingança, … ou sai com elevação”

Frontalmente contra a política do executivo socialista, António Lopes não tardou porém a ser desafiado pelos, até aqui, seus pares, a colocar o lugar à disposição.
Carlos Maia, presidente da União de Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira e recém eleito presidente da Concelhia Socialista foi o primeiro a estranhar a atitude de António Lopes. “O que terá mudado em três meses?”, questionou o socialista que sem colocar em causa as razões que motivaram António Lopes, também avisou o agora independente que dali tirará “as ilações da atitude que tomou”.
Mais peremptório acabou por ser o parceiro na Mesa da Assembleia, Rodrigues Gonçalves que, sem deixar de convidar António Lopes a uma reflexão e a não prosseguir num “processo destrutivo”, também o desafiou a optar por um de dois caminhos: “ou opta pela vingança e envenena o corpo e alma da Assembleia e da sociedade oliveirense, ou sai com elevação”. “O senhor não concorda com as decisões da Câmara, mas há quem concorde”, registou. “Respeite as opiniões e retirará daí as devidas ilações”, aconselhou Rodrigues Gonçalves, avisando que o “PS que não lhe merece esta infidelidade”.

Sugestões e conselhos que não fazem desviar António Lopes dos seus princípios. “Fui eleito para representar os mais de 20 mil oliveirenses e tentarei não defraudar nenhum. A lei tem mecanismos para resolver estes problemas, há que usá-los”, insistiu o presidente da Assembleia Municipal que, pouco animado, com as intervenções assegurou não ter “pirado”, mostrando-se disponível para em conferência de imprensa abrir o livro de “quatro ou seis páginas”. “Sou pessoa de coerência e de linha. O que estava mal e estiver mal no executivo vai ser denunciado. Agradecia que não me provocassem mais para manter elevação desta casa”, referiu, sem deixar também de criticar os critérios do município na distribuição de publicidade pelos vários órgãos de comunicação social do concelho e de criação do jornal de informação municipal. “Não me animam vinganças”, reagiu ainda António Lopes que, apelando à “boa governação do concelho” se opõe à colocação de “duas pessoas da mesma família com ordenados acima da média” na Câmara Municipal quando “há famílias de quatro pessoas, sem nenhum emprego”. “Faça-me o favor, não foi para isso que fui eleito”, disse o presidente da Assembleia que também esta manhã foi desafiado pelo socialista Francisco Garcia a “manter-se fiel à força política por que foi eleito. Ou sabe qual o outro caminho”. Invocando a história e recordando D. Luísa de Gusmão que em 1641 disse que “a lealdade ao rei é superior à lealdade ao pai”, também deixou claro que “a lealdade ao concelho é superior à lealdade ao Partido Socialista”.

Perante a demarcação do presidente da Assembleia Municipal à política que vem seguindo, José Carlos Alexandrino disse esperar que António Lopes se mantenha naquele lugar, mesmo que em condição de independente. Avisou porém que não deixará “que outros, que foram eleitos para outros cargos, desempenhem o meu cargo”. “O que eu quero é que estejamos concentrados e sejamos capazes de corresponder aos anseios dos que nos elegeram e não nos elegeram”, disse ainda o presidente da Câmara numa reunião onde deu como certa a sua política de apoio aos jovens desempregados, por via dos estágios e outros programas e onde justificou a decisão de edição do boletim municipal em formato de jornal dentro de um lógica de “contenção financeira”.

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