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Prisão preventiva para quatro suspeitos de tráfico de pessoas da zona Centro para Espanha

Quatro suspeitos de pertencerem a um grupo organizado de tráfico de seres humanos da zona Centro de Portugal para exploração laboral em campos agrícolas espanhóis, desmantelado pelas polícias portuguesa e espanhola, ficaram em prisão preventiva, avançou hoje a Polícia Judiciária. A PJ explica ainda que os arguidos, com idades compreendidas entre os 24 e os 58 anos, foram presentes a tribunal, na terça-feira.

A 8 de Novembro, a Polícia Judiciária portuguesa e a Guarda Civil espanhola anunciaram o desmantelamento de uma organização criminosa internacional dedicada ao tráfico de seres humanos, que angariava trabalhadores para serem explorados em campos agrícolas na província de Segóvia, em Espanha.

Numa operação conjunta intitulada Lusar, realizada em Outubro e coordenada pela Eurojust, as duas polícias detiveram cinco pessoas e realizaram nove buscas domiciliárias em Espanha e em Portugal, durante as quais foi apreendida uma grande quantidade de documentação relativa a situações de trabalho e à própria organização criminosa, assim como uma arma de fogo. Quatro pessoas foram detidas em Espanha e outra em Portugal, e três outros membros do grupo foram identificados.

Dez vítimas desta organização, quatro em Espanha e outras seis em Portugal, foram libertadas, segundo informou a Guarda Civil que desenvolveu esta operação conjunta depois de várias denuncias. A investigação revelou que as vítimas eram captadas em zonas de “grande vulnerabilidade social”, em alguns casos até mesmo com um certo grau de incapacidade, e que às vezes eram coagidas pelo grupo criminoso.

Posteriormente, as vítimas eram transportadas para os campos da região de Tierra de Pinares (Segóvia), onde realizavam tarefas agrícolas e, uma vez terminado o dia de trabalho, eram obrigadas a fazer obras nas casas onde estavam hospedadas. Nos tempos livres, eram submetidas a um controlo apertado.

Esta organização criminosa iniciou a sua actividade em 2013 e oferecia emprego no sector agrícola em Espanha, com uma suposta remuneração diária que seria proporcional ao seu trabalho, assim como alimentação e alojamento, premissas que não eram cumpridas.

As investigações começaram depois de a Polícia Judiciária portuguesa ter recebido várias denúncias, alegando as vítimas terem sido capturadas em Portugal e transportadas para Espanha, onde foram exploradas em tarefas agrícolas.

A operação teve uma actuação conjunta e simultânea da Directoria do Centro da Polícia Judiciária e da Guarda Civil espanhola, no âmbito de uma investigação titulada pelo Ministério Público no Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra, e com a colaboração da Fiscalía (Ministério Público) de Espanha e coordenação da Eurojust.

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