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PS força destituição de António Lopes da presidência da Assembleia Municipal

António Lopes foi, ontem, forçado a deixar a cadeira maior da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital. Reeleito há oito meses presidente daquele órgão pelo PS, foi o próprio partido que propôs e aprovou a “destituição imediata” de Lopes.

Depois de em dezembro passado, não ter visto satisfeito o pedido que dirigiu ao presidente da Assembleia Municipal para colocar o seu lugar à disposição, foi o próprio Partido Socialista que, ontem, em reunião ordinária daquele órgão apresentou junto da mesa uma proposta de “destituição imediata” daquele que, em setembro passado, foi o seu cabeça de lista à Assembleia Municipal e reuniu um conjunto de votos nunca antes visto em Oliveira do Hospital.

Aconteceu depois de o PSD e CDS/PP terem visto chumbada, pelo PS, a moção de confiança ao presidente da Assembleia Municipal e depois de uma intensa troca de galhardetes entre António Lopes, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino e o deputado e líder dos socialistas, Carlos Maia. Face a afirmações proferidas por António Lopes, que chegou a acusar o presidente da Câmara de querer “ser dono da Câmara” e de “informar com mentira o presidente da Assembleia Municipal”, José Carlos Alexandrino disse estar disponível para “demonstrar um conjunto de inverdades que não dão estatuto para que o presidente da Assembleia continue no cargo”. “Não é pessoa para que eu esteja sentado ao lado dele na Assembleia”, disse ainda o presidente da Câmara, assegurando não ter contribuído para o mal estar a que chegaram. “Ele queria ser o presidente da Câmara e o líder da oposição. Queria fazer três coisas ao mesmo tempo”, chegou a afirmar José Carlos Alexandrino

“Isto tem regras”, avisou, porém o presidente da Assembleia Municipal que, não estranhando a manifestação de vontade do PS de o destituir do cargo de presidente da Câmara, informou que tal proposta só poderia ser votada, quando incluída na ordem de trabalhos da Assembleia. Sem enjeitar a possibilidade de votação da mesma, Lopes defendeu a sua inclusão no ponto 11, sendo no imediato criticado pelo partido e o próprio presidente da Câmara. “O seu problema não é político, mas de doença. O homem que eu conheci não era este”, afirmou José Carlos Alexandrino.

 “Até já levo os papelinhos. Foi um prazer. Já sei há quanto tempo estou destituído”

Entre uma dura troca de palavras, Lopes insistiu com a inclusão da proposta na ordem de trabalhos e ameaçou mesmo com o encerramento da Assembleia, por até entender que o assunto deveria merecer a realização de uma Assembleia extraordinária. “Isto é falta de democracia”, ripostou Carlos Maia, desafiando António Lopes a “não desrespeitar a Assembleia” e a colocar à votação. “Mas qual é a pressa?”, chegou a questionar o presidente da mesa da Assembleia que, “para que não se fique com a ideia” de que está “agarrado à cadeira do poder” – como assim foi acusado pelo presidente da Câmara Municipal – acedeu a colocar a proposta à votação. “Estou de consciência tranquila. Vamos votar como deve ser”, afirmou António Lopes que, no mediato, se levantou da cadeira que vinha ocupando para “passar para aquele lado dali”. “Até já levo os papelinhos. Foi um prazer. Já sei há quanto tempo estou destituído”, teve ainda oportunidade de referir António Lopes, não deixando também de considerar que se virava “uma página negra da democracia do concelho”. “O tempo cá está para me dar razão”, frisou ainda.
Com a proposta de destituição a ser votada com 24 votos a favor, sete contra e três brancos, António Lopes foi assim forçado pelo partido por que deu a cara nos últimos quatro anos e oito meses a abandonar o lugar de presidente da Assembleia Municipal. “Agora já estou solto e posso falar mais à vontade”, afirmou momentos após a votação o destituído presidente da Assembleia. A condenar a forma como decorreram as primeiras horas da reunião da Assembleia – “tivemos aqui chicana” – António Lopes disse esperar que “o PS tenha o bom senso” de escolher para presidente da Assembleia “uma pessoa que não tenha nódoa no seu passado” como acontece com Carlos Mendes no que respeita à sua atuação no Crédito Agrícola de Oliveira do Hospital.

Foto: Rádio Boa Nova

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