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Queda abrupta dos anticorpos da COVID-19 nos idosos após quatro meses da toma das duas doses da vacina

Passados quatro meses após duas doses de vacina contra a Covid-19, há uma “diminuição abrupta” dos anticorpos em pessoas com idade igual ou superior a 70 anos. Esta é uma das conclusões de uma investigação do Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve e da Fundação Champalimaud, hoje apresentado. O estudo mostrou que nos funcionários, por seu lado, temos anticorpos presentes em 79 por cento deles, contra os 46 por cento dos utentes.

“O estudo mostrou que nos funcionários temos anticorpos presentes em 79 por cento deles e nos utentes apenas em 46 por cento. É uma diferença estatisticamente significativa e altamente considerável entre os dois, mas este dado precisava de ser trabalhado de outra forma para se compreender melhor”, avisou o responsável do estudo do Algarve Biomedical Center, Nuno Marques.

No estudo participaram 5.174 pessoas – 2.871 utentes e 2.303 funcionários de lares – e este decorreu durante 15 dias do mês de Agosto no Alentejo e Algarve. Aqui, percebeu-se existia um ‘ponto de viragem’ para a queda: ocorre aos quatro meses após a vacinação contra a Covid-19 ter ficado completa, quando os anticorpos passam de 89 por cento para 48 por cento.

“Há uma diminuição abrupta dos anticorpos em pessoas com mais de 70 anos que tenham tido duas doses de vacina e quatro meses após a vacinação completa”, anunciou o responsável do estudo do Algarve Biomedical Center, que foi apresentado em Viseu. “Contrariamente”, acrescentou, “as pessoas que tiveram covid-19 e que receberam uma dose de vacina mantêm níveis altos de anticorpos ao longo de todo o tempo”.

A população do estudo foi maioritariamente feminina, e entre os funcionários a idade média foi de 47 anos enquanto nos utentes foi de 85 anos. Destes, 2.277 têm mais de 80 anos e mais de 1.000, têm mais de 90 anos.

Nuno Marques explicou que os objectivos do estudo, “o maior do género”, era perceber qual a percentagem de utentes e funcionários de lares que possuem anticorpos para a covid-19, durante quanto tempo utentes e funcionários mantêm anticorpos após a vacinação, se a presença de anticorpos varia com a idade e se haveria diferenças na presença de anticorpos entre as pessoas vacinadas com duas doses e as que tiveram covid-19 e receberam uma dose de vacina.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, assistiu à apresentação do estudo e, no final, disse que iria levar o documento para a reunião de peritos hoje no Infarmed, porque “a informação ajuda na decisão” a tomar para o futuro.

“Fica evidente neste estudo que não podemos baixar a guarda, do ponto de vista de manter as medidas de protecção, naturalmente com uma capacidade de irmos evoluindo, como fomos evoluindo”, disse Ana Mendes Godinho.

A governante alertou que “há muitas outras características deste isolamento que depois também têm efeitos nefastos nas pessoas” e apelou para que se cuide “dos outros lados da pandemia, nomeadamente do isolamento dos idosos”.

Ana Mendes Godinho disse que uma das medidas preventivas para proteger os idosos é “a testagem aos funcionários à entrada dos lares que vai manter-se” no programa de Outono e Inverno que está a ser preparado e pediu “a abertura para as visitas, sempre com medidas de prevenção, para retomar a vida de forma tranquila” também nos lares.

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