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Queijos. Autor: Fernando Roldão

Adoro qualquer tipo de queijo, apesar de saber que é uma gordura saturada, devendo por isso ser consumido com moderação, pois faz aumentar os valores do colesterol.

No que me diz respeito, sou equilibrado no consumo de queijo e sou extremista no consumo de sal; quase nada!

Em relação a Portugal, cerca de 68,5% dos portugueses apresenta valores de colesterol iguais ou superiores a 190 e aproximadamente um quarto apresenta colesterol de risco elevado e 45,1, risco moderado, de acordo com informações divulgadas pela rede de hospitais privados da CUF.

Ao analisar estes dados, podemos, com pouca margem de erro deduzir que há um excesso de consumo de queijo e não só.

Perdoamos o mal que faz pelo bem que sabe e quando assim é, o equilíbrio é que manda, apesar de sabermos que grande parte da população anda desequilibrada em quase todos os sentidos.

Esta alusão ao queijo e seu consumo, não é de todo inocente, pois com o desenvolvimento da crónica, perceberão os porquês desta.

Depois de comermos uma tábua de queijos, como entrada, vamos fazer a digestão do petisco, acompanhado com um bom tinto.

O Correio da Beira Serra, noticiou no dia 13 de Maio a “descoberta” de bens doados às vítimas dos incêndios de 2017, armazenados nas instalações da Junta de Freguesia de S. Gião.

Também foi importante a divulgação dos nomes dos “descobridores” deste tesouro, dentro do espírito dos nossos antepassados, os navegadores que descobriram meio mundo e claro que ficámos a conhecer os protagonistas deste armazenamento, mas não vou fazer juízos de valor contra os que os deixaram “esquecidos”, deixando-as para os leitores do jornal e já agora, não se esqueçam de o ler.

Eu acredito que deve haver mais situações deste tipo pelo país gerido, à vista e sem GPS, onde coisas e pessoas se perdem com relativa facilidade e onde os buscadores também não têm muito jeito para encontrar, dependendo sempre das cores dos óculos que usam.

Seria importante que aparecessem mais uns quantos “navegadores”para podermos tirar as teias de aranha que cobrem alguns tesouros perdidos no imenso emaranhado de salas, caves, corredores e garagens existentes em Portugal, só para dar alguns exemplos do potencial que muitos indivíduos, partidos ou associações têm em jogar às escondidas, relembrando os seus tempos de criança.

Lembro-me de uma história, bem antiga, em que a matriarca de uma família, tinha o vício das arrumações, pois tudo o que arrumava, o era de facto tão bem feito que as coisas, às vezes, se eclipsavam e nem ela própria se lembrava onde os tinha arrumado.

Parafraseando o falecido Vitorino Nemésio e a frase que usava no inicio dos seus programas, “se bem me lembro”, vou avançar.

Aconteceu o mesmo depois dos incêndios de Pedrógão Grande bem como em outros, onde a “arrumação” dos bens doados, foi extensiva ao dinheiro proveniente da solidariedade dos portugueses, pois também ficou esquecido até 31 de Janeiro de 2022.

Eventualmente haverá por aí mais alguns baús provenientes de sociedade de piratas, resultante das doações das vítimas.

Este fenómeno de esquecimento deve ser uma espécie de epidemia, provocada pelo vírus do esquecimento, pois lembro-me de algumas audições de responsáveis do Banco de Portugal e em que, coitados, foram inquiridos até à exaustão, quando logo na primeira audição disseram que não se lembravam de nada.

É “desumano” interrogar pessoas que sofrem de amnésia ou será que serão os primeiros sintomas de Alzheimer?

Há que fazer uma análise aos sintomas desta doença, pois está em franco avanço pelas terras lusas, com algumas zonas verdadeiramente infestadas para além do razoável.

Recordo também, vários episódios do nosso quotidiano, onde até altos funcionários e personalidades deste país, mostraram em público, que estão incluídos neste tipo de problemas, pois esquecem de tudo aquilo de que tinham obrigação de se lembrar, excepto o salário no final de cada mês, que esse não esquecem.

É preocupante assistir a este aumento, chegando ao ponto de esquecerem o que disseram e fizeram no dia anterior, tal é a gravidade dos sintomas da doença.

Claro que se o povo se esquece de pagar um imposto, aí a memória trabalha e não esquecem, cobrando imediatamente, para evitar o perigo de fuga de memória.

O Zé não pode ter esse privilégio, de esquecer onde tem o livro de cheques, tanto mais que, Alzheimer é uma doença das elites, logo fora do alcance dos plebeus que não têm estatuto para a mesma.

É aterradora a epidemia que Graça neste país, pois Constantemente as Belezas dos governadores do Banco de Portugal são quase Centenárias e todos com um denominador comum; picos altíssimos do fenómeno dos esquecimentos, acrescentando o nosso amargo de boca, tornando tudo Salgado.

Será da cadeira, dos imensos corredores ou dos mármores que entram na sua construção, o que torna o ambiente frio e isolante, sobretudo de dentro para fora?

O local mais carregado com esta contaminação, deve ser o Parlamento, pois é raro alguém que lá se sente, que não tenha verdadeiros e perigosos ataques de amnésia, onde esquecem tudo, provando que a memória deles está com o Alzheimer em adiantado estado de sintomas, provando que o sistema imunitário deles já não tem regressão sem quarentena compulsiva.

O Alzheimer, é pois, uma doença tipicamente elitista, pois só se manifesta nestas classes sociais, exercendo, ela própria uma descriminação feroz sobre o povo, que está proibido de a ter.

Em quase todas as áreas do funcionalismo, desde o desporto até à política, passando por muito dirigentes, ela torna-se, por si só, uma verdadeira pandemia, não decretada por algum organismo, mas nunca pelos que sofrem os avanços dos infectados.

O povo diz na sua simplicidade, sabedoria ou ingenuidade, que quem come muito queijo tem tendência para esquecer com facilidade os acontecimentos, as promessas ou os actos praticados pelos insaciáveis adoradores do queijo.

Eu por brincadeira, até costumava dizer aos meus amigos que pertencem a essas classes, para comerem os buracos do queijo e deixarem o conteúdo de lado, evitando assim contágio.

Devido à sua pouca fluidez monetária, o povo está mais virado para o queijo fresco, do que para outras qualidades inacessíveis ao comum dos mortais, o que acaba por ser benéfico para a saúde.

Imaginem o povo a fazer das tripas coração, resolvendo iniciar um ataque às queijarias e charcutarias, começando a devorar queijo, a torto e a direito.

O que seria da receita fiscal, dos votos nas eleições e às outras obrigações fiscais?

Uma verdadeira pandemia de Alzheimer explodiria no país, com consequências imprevisíveis para a economia nacional, pois a perda de memória levaria à dificuldade em executar simples tarefas do dia-a-dia, com funestas consequências para eles próprios.

As pessoas ficaram desorientadas, com muitos problemas de linguagem, com problemas de conversas ou tarefas e desinteresse pelas actividades habituais, como aliás podemos observar nas audiências ou inquéritos onde os eleitos se atropelam a eles próprios.

Claro que passariam a ter mudanças bruscas de humor, ou até na personalidade, em muitos casos e isso é visível em muitas aparições públicas, onde em contacto com “saudáveis”, eles tentam contagiar.

Finalmente teriam uma tendência para trocar o lugar das coisas, daí a dificuldade que têm em dizer onde arrumaram as coisas.

Fazendo uma retrospectiva à vida nacional, encontramos em muitos políticos, autarcas, directores, gerentes, militares, juízes e profissionais de saúde, com sintomas parecidos com os que enunciei.

O Zé, esse não esqueceu que tinha uma casa, com recheio, ganho numa vida de trabalho, mas os esquecidos, querem forçá-lo a esquecer, também, para assim serem todos coitadinhos.

O Zé, que precisou naquelas alturas de um ajuda, rápida, solidária e desinteressada, não esqueceu as promessas que lhe fizeram, não esqueceu, ainda hoje, do que perdeu e dos que sucumbiram à fatalidade, que mudou a vida de milhares de pessoas.

O Zé, não tem Alzheimer, apesar de tentarem que ele também tenha. Os que esqueceram, num qualquer sítio deste país, aqueles bens básicos, oferecidos com o coração, com amor e com solidariedade, não o fizeram com as bolachas, as massas, o arroz, os sapatos, as sanitas, as roupas e demais objectos, fizeram-no com pessoas, seres humanos, que votaram ao desprezo.

Eram vizinhos, conterrâneos, compatriotas e quem sabe, família, por isso só podem estar doentes, precisando tratamento para serem incluídos e integrados numa sociedade humanista.

Lembrem-se que podiam ter sido vocês os esquecidos!

 

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

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