Home - Outros Destaques - “Queremos marcar a diferença entre uma freguesia do século XX e outra do século XXI”

“Queremos marcar a diferença entre uma freguesia do século XX e outra do século XXI”

Bruno Amado critica a ausência de medidas preventivas para evitar uma tragédia como a dos incêndios de Outubro de 2017

O presidente da União das Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira garante que está a trabalhar no sentido de conseguir para a sua autarquia o título de eco freguesia, mais amiga do ambiente e com melhor qualidade de vida para os seus habitantes. Bruno Amado e o seu executivo apostam também nas potencialidades digitais para facilitar o relacionamento dos fregueses com a autarquia e promete que o site da autarquia vai ter várias valências, entre elas promover o que de melhor existe no território daquela União de Freguesias. “As pessoas quando chegarem aqui com o seu telemóvel ficam com toda a informação à sua disposição. Queremos que esteja lá tudo o que pode ajudar a alavancar estas localidades”, explica, sublinhando que outra aposta passa pela criação da Confraria dos Arguinas e Carpinteiros de Oliveira do Hospital, bem como um museu dedicado àquelas actividades marcantes em várias áreas do concelho de Oliveira do Hospital. Bruno Amado confessa também que a relação melhorou com o novo executivo da Câmara Municipal.

CBS – Tem falado muito na aposta que o seu executivo está a realizar para transformar a freguesia num território mais amigo do ambiente. Qual é exactamente o projecto?

Bruno Amado – Estamos a procurar ser a primeira eco freguesia do concelho. Queremos que as nossas localidades sejam mais amigas do ambiente, logo oferendo mais qualidade de vida aos habitantes. São rotinas e aspectos que temos de implementar no dia a dia que serão bemvindas para todos: definir onde estão os ecos pontos, os depósitos de óleo de roupa, etc, tudo devidamente separado. Quem não souber entra no site da freguesia e vê qual onde se encontra o mais próximo. Esse site vai ser funda[1]mental para esta União de Freguesias atingir esse objectivo. Penso que não existe ainda nenhuma no concelho. Queremos ser um exemplo.

Há também uma preocupação de apostar na digitalização?

Claro. É um passo que faz a diferença entre uma freguesia do século XX e outra do século XXI. No site temos um balcão digital que vai permitir passar vários documentos sem obrigar as pessoas a deslocarem-se à sede da Junta. Por exemplo, para se conseguir um atestado basta que a pessoa se registe no site, peça o documento, de seguida é gerado um código para multibanco. Após o pagamento, verifica-se se está tudo em ordem e o documento segue para casa da pessoa. Há mais proximidade e é uma mais valia que vai facilitar a vida dos nossos fregueses. …. O site foi também desenvolvido em simultâneo com a biblioteca on-line, para dar vida a uma estrutura que foi inaugurada e encerrada no mesmo dia pelo executivo que nos antecedeu.

Estamos a catalogar os livros que vão ficar disponíveis na plataforma para as pessoas que queiram os possam requisitar, depois é só levantar e posteriormente entregar, claro. Já está a funcionar, mas a pessoa tem de saber o nome do livro que deseja, porque o site ainda não permite a pesquisa.

Vai ser também uma ferramenta de promoção da Freguesia?

Certamente. O site vai ter também todos os nossos hotéis, alojamentos e todos os pontos de interesse da nossa freguesia, todos com QR Codes. As pessoas quando chegarem aqui com o seu telemóvel ficam com toda a informação à sua disposição. Queremos que esteja lá tudo o que pode ajudar a alavancar estas localidades. Como está o processo da Confraria e do Museu do Verbo dos Arguinas Está a avançar, estou em crer, que será muito importante para o concelho. Mas não depende só de nós. Teremos de reunir todos e, entre as cinco freguesias envolvidas (Avô, Nogueira do Cravo, Aldeia das Dez, União de Freguesias de Penalva de Alva e são Sebastião da Feira) e o município, chegar a um consenso para as coisas avança[1]rem. Contamos com a colaboração de Jorge Mendes que é um dos maiores especialistas nesta área, já com dois livros editados e um terceiro a caminho. Tem feito um trabalho notável para nos ajudar a preservar este património cultural riquíssimo, que marca o nosso povo. Jorge Mendes tem sido o alicerce desta iniciativa. Este projecto terá capacidade de atrair turistas? Não tenho dúvidas que o museu seria um pólo de atracção turística para a região, além de tudo o que poderia funcionar à sua volta. Jorge Mendes propõe mesmo um roteiro sobre o Verbo dos Arguinas. Tem de haver um esforço de todos, colocando este projecto acima das nossas divergências ideológicas. A política foi discutida nas eleições, o meu adversário perdeu e até renunciou ao mandato, agora estamos aqui para trabalhar em prol da população. Esta é uma mais valia que temos e que devemos saber explorar. Esse é o grande desafio e estou plenamente convencido que esse é também o desejo dos meus colegas das outras freguesias.

A marca do Verbo dos Arguinas, de resto, já foi patenteada…

Foi patenteada por Nuno Tavares Pereira para que não houvesse uso indevido da marca dos Arguinas. Foi o próprio que veio ter connosco para nos assegurar que a marca nos seria cedida logo que fosse necessário. Temos de lhe agradecer pelo facto de a ter salvaguardado e de a colocar à nossa disposição gratuitamente logo que se avance com o projecto.

Foi uma das vozes críticas pelo facto de não se ter criado no concelho um memorial das vítimas dos incêndios de Outubro de 2017…

Ficou um vazio. Lançou-se a ideia de que seria realizado um monumento a nível do concelho de homenagem a todas as vítimas dos grandes incêndios de Outubro de 2017. É uma data que merece ser recordada. Não é daqueles momentos que se devem esquecer, mas que devem cada mais estar presentes na nossa memória para que não se voltem a repetir. A verdade é que a nível de concelho, além das palavras, não se fez rigorosamente nada. Não me pareceu bem, nem a mim, nem ao meu executivo, e achámos que tínhamos de fazer algo à nossa dimensão. O incêndio levou desta União de Freguesias dois irmãos e uma senhora e foi-lhes erigido um monumento singelo e digno onde qualquer pessoa os pode recordar e reflectir sobre aqueles acontecimentos. Mas mais importante que isso é prevenir para que a tragédia não se repita.

Considera que não tem sido feito o necessário?

O que me parece é que as pessoas já se esqueceram daquilo que se passou. Tem de haver uma actualização do plano de combate aos incêndios, rever o nosso ordenamento do território e a manutenção dos hidrantes espalhados pelas aldeias e zonas industriais. Tem de haver uma preocupação nesse sentido para se aferir se estamos realmente preparados para uma segunda catástrofe do género. Não tenhamos dúvidas que vai voltar a existir e devíamos saber se estamos ou não preparados. A natureza tem ciclos. E, francamente, acho que não tem sido feito o suficiente para evitar que a tragédia se repita. Levei ao município, por exemplo, propostas no sentido de rever os hidrantes nas zonas mais antigas das aldeias. Que eu tenha conhecimento não foi feito nada. Depois temos de falar das limpezas… Isto é importante para não se repetirem erros do passado.

No anterior mandato queixava-se da falta de apoio do município e mesmo de algumas dificuldades de relacionamento com o executivo. Houve alguma alteração com este novo presidente?

Este presidente e vice-presidente têm mostrado uma abertura diferente. Temos sido recebidos e tratados com a dignidade que o nosso cargo merece. Estão dispostos a ouvir e, aparentemente, a resolver os problemas. Sentimos que temos ali um suporte. A realidade é que o relacionamento com este executivo da autarquia não tem nada a ver com o anterior. Melhorou muito.

O ingresso do Nuno Oliveira, como vice-presidente, pode estar a ajudar a fazer essa a diferença?

É uma mais valia. Qualquer estrutura que conte com o Nuno Oliveira tem a vida muito facilitada. É um homem com convicções que não é alinhado com nada que não seja a sua consciência. Para ele ou é sim ou não. Não há o “nim”. Isso facilita as coisas. Ele e o presidente têm capacidade de diálogo, de aproximação ou pelo menos a tentativa e abertura para resolver os problemas. Esta forma cordial de ser tratado, que não existia, dá-nos mais vontade de trabalhar.

LEIA TAMBÉM

O cozinheiro filósofo que “instituiu uma região autónoma” no Seixo da Beira, Oliveira do Hospital

Eddy Emiel Hermus chegou a Portugal há 30 anos proveniente da Bélgica. Apaixonou-se pela tranquilidade …

Oliveira do Hospital avança com construção do Centro Municipal de Protecção Civil

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e a empresa Joaquim Fernandes Marques & Filho, …