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QUINTA DA LONTRA: UMA FUGA COM PAISAGENS DESLUMBRANTES

ARTISTA CRIADOR DE CENÁRIOS PARA OS GRANDES PALCOS EM LONDRES ESCOLHEU TÁBUA PARA VIVER E ADQUIRIU PROPRIEDADE PARA TURISMO NA PÓVOA DE MIDÕES. LAMENTA QUE AS ENTIDADES OFICIAIS NÃO PROGRAMEM ROTEIROS TURÍSTICOS PARA ESTA REGIÃO, POTENCIANDO O TURISMO.

A Quinta da Lontra, situada numa das encostas do rio Mondego, na Póvoa de Midões, é um daqueles locais idílicos cada vez mais procurados por quem quer viver uns dias tranquilos, em contacto com a natureza, “uma fuga rural em paisagens deslumbrantes”, como se diz num escrito promocional de um turista que passou por este Alojamento Local.

 Toby Jarbas, um inglês, é o nosso anfitrião. Escultor, criador de cenários para os grandes palcos de espectáculos em Londres, encontrou na Quinta da Lontra, há onze anos atrás, um novo modo de vida: criar um espaço que possibilite fazer turismo em pleno contacto com natureza, não deixando, contudo, de manter formas de conforto para os visitantes. Com Nina, a mulher, descobriram esta quinta num site especializado em dar a conhecer em Portugal formas de vida mais ecológicas, ajudando a criar empresas deste âmbito. Passaram uns meses no Algarve quando chegaram a Portugal, mas optaram por esta região, sensibilizados pelas paisagens, pelo verde da vegetação e dos montes e com a frescura e limpidez da água dos rios. ”O Algarve é muito seco, há muita gente”, diz Jarbas.

 Resolveram construir este alojamento turístico, com casas dotadas de todo o conforto e com uma vista deslumbrante para a zona circundante de um verde intenso e para o rio que ali passa, nesta época, tranquilo e onde, ocasionalmente, se avistam as lontras que lhe dão o nome. Muitas das casas foram concebidas por Jarbas, ou não seja ele artista, como é o caso de uma construída em madeira que visitamos e que registamos nas fotos. Até parece estarmos num hotel de cinco estrelas, com a diferença que o quarto dispõe de  janelas panorâmicas para a vegetação que a rodeia, a poucos metros do rio. Alugam também os chamados Yurts, uns iglos em forma de tenda gigante apetrechadas com todas as comodidades, procurados para quem quer ter aquelas sensações de desfrutar um campismo em pleno contacto com a natureza. Organizam ainda retiros espirituais, como sessões de yoga e workshops.

“Temos uma zona comum equipada com cozinha, casa de banho, chuveiros ecológicos, mas que tivemos de fechar por causa da pandemia.”, refere Jarbas. A capacidade de alojamento nas casas situadas nas margens do rio é para catorze pessoas e os preços diários de aluguer rondam os 65 euros para três pessoas. Devido às restrições impostas aos hóspedes provenientes de Inglaterra – obrigados a ter de fazer uma quarentena no regresso ao país de origem – o empresário diz que este ano tem havido uma maior procura por parte dos portugueses “que querem fugir das cidades”, especialmente pessoas com ligações familiares a esta região.

O aldeamento disponibiliza ainda o aluguer de bicicletas e caiaques, pranchas de paddle. “Temos mapas que lançamos nas aplicações para as pessoas percorrerem trilhos por esta região”, frisa Jarbas. A interação com outros aldeamentos vizinhos é uma prática habitual, nomeadamente no que respeita à partilha de equipamentos e ações conjuntas sociais. “Por exemplo, se um dos nossos clientes quiser uma massagem, entramos em contacto com outra unidade para ele as poder fazer lá”.

Lamenta que em Tábua não haja roteiros turísticos programados pelas autoridades oficiais. “Perde-se uma oportunidade de estabelecer uma ligação mais forte entre os vários aldeamentos turísticos. Só participamos há uns anos atrás no lançamento, na Câmara, de um app sobre turismo e, depois disso, não houve mais nada. Esta região está a ser cada vez mais procurada e o turismo devia ser potencializado. Embora tenho outras contrapartidas: se há muita procura, acaba o silêncio, a calma que aqui se respira”.

Felizmente, não foram afetados com os incêndios de 2017 e o nosso interlocutor recorda essa noite em que abrigou algumas dezenas de pessoas que ficaram desalojadas. Mas, à cautela, vêem-se por todo o lado “bocas-de-incêndio”, existindo no aldeamento um reservatório de água com grande capacidade.

  Tony Jarbas revela trabalhar com a Web Summit em Lisboa (a maior conferência da Europa em tecnologias, realizada anualmente).“Queremos fazer um intercâmbio com a nossa quinta, aproveitando o facto de eu ser muito amigo do diretor do sector da sustentabilidade dessa empresa, através de um projeto denominado “Rios”. Fazemos, por exemplo, análises às águas, da fauna e flora durante a primavera e outono e enviamos essas análises para eles tirarem conclusões. Como estão as águas dos rios em termos de poluição? Muito melhores desde a altura em que chegamos a Portugal, muito mais limpo”, assegura Jarbas.

 

Texto: José Leite

Fotos: Nuno Pereira

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