Home - Opinião - Recaída quase bufa. Novo Ato em peça de mal-aventuranças locais. Autor: Carlos Martelo

Recaída quase bufa. Novo Ato em peça de mal-aventuranças locais. Autor: Carlos Martelo

– Os candidatos do faz de conta que são alternativos –

Diz o candidato primeiro, mas de facto secundário do sistema:

– Já disse e repito!  Eu estou preparado! Eu estou preparado!  Afinal estudei por conta do erário municipal.

Comenta o candidato – coligado para crescer – a fingir que é adversário a sério:

– Tás preparado pra quê?  Hum.

Responde o candidato primeiro, mas de facto secundário do sistema, a tender para o irritado:

– Ó pá. Olha que não me respondas assim que eu fui teu patrono cá na Câmara. Eu é que te dizia a ti, seu convencido, eu é que te dizia a ti quando e onde e como podias fazer chi-chi.

Resposta quase berrada do candidato – coligado para crescer:

– Mentira!  Eu é que dizia ao «chefe» pra ele te dar alguma utilidade prática que ficas caro ao município a andar de carro com chofer.

Responde o outro que faz de conta que é adversário alternativo:

– Ó desgraçado!  Por muitas gravatas que uses não sobes de categoria.  E a tua categoria é muito baixa.  És um troca tintas…um salta-pocinhas…de partido para partido uma e outra vezes. E agora andas a mirar-te na água da política local a ver se ficas maior como fez a rã da história para crianças e outros ingénuos.

Logo responde o «coligado para crescer»:

– Não me digas.  Mas não me falavas assim quando precisaste da minha inteligência superior para encaixar tanto projeto prá Câmara.  Aliás, até o «chefe» não se dispensava de tirar partido das minhas formidáveis habilidades!

Berra o outro interlocutor:

– Mentira! E quando invocares o «chefe» põe-te de joelhos primeiro.  E não me obrigues a falar das tuas «habilidades» …  Nem sabes o que nos deves, ingrato!

Candidato – coligado a fazer de conta que é adversário alternativo:

– Não me digas mais essa.  Pois caso ele me tivesse ouvido, teria evitado aqueles disparates que sempre disse a despropósito do IC 6.  Teria evitado fiar-se na conversa eleiçoeira do PS e não se voltaria a candidatar como prometeu.  Fez fraca figura…

Candidato primeiro mas de facto secundário do sistema:

– Hum.  Já te insinuei como sendo uma espécie de ´Judas` oliveirense e continuas a pedi-las… Já devias saber que quem se mete com o PS, e comigo, leva!

Candidato – coligado para crescer:

– Olha que essa não ta perdoo.  Alvoraste-te em Jesus quando és do lado dos anti-Cristo.  Bem te sei, daquele lado dos «irmãos», daquela malta esquisita das «lojas dos aventais»… topas ?

Candidato de facto secundário:

– Pois eu digo-te que não sou daí. –  E continua num à parte: – devemos sempre negar em público pelo menos…

Candidato – coligado:

– Não és, não és. Não és de confiança nessas tretas. Aliás como noutras.  E andei eu a ensinar-te a pesquisar projetos e ideias para a Câmara para me morderes na mão!

Candidato de facto secundário colérico:

– Alto aí!  Tás a chamar-me de cachorro?  Atenção que eu posso irritar-me e sabes como fico! …

Candidato – coligado para crescer, com sarcasmo:

– Ui!  Já tou a tremer de medo.  Tu és mau, mas é como autarca apesar do que presumes em contrário.  Andas nisto há anos e quais são os teus grandes contributos para a causa municipal?  Aliás, o «chefe» sempre afirma…«eu…eu…eu…» e só muito depois é que entra a «minha equipa de vereadores» de onde também destaca quase sempre uma vereadora e não um vereador, não haja confusões.

Ataca o candidato de facto secundário:

– Ó «Judas» que para te disfarçares melhor até tens «santos» na toponímia de batismo.  És ruim mesmo.  Ingrato e dissimulado.  Deves agradecer ao PS, e a mim próprio, o teu prolongado estágio político, connosco na Câmara.  Aliás, tiveste que sair do PPD e alinhares com o PS para poderes ser vereador há 20 anos atrás, já te esqueceste?  E do PS te serviste na Câmara 12 anos seguidos, para poderes agora vir arengar que afinal tu é que foste o presidente efetivo desta Câmara, o «pivot» escondido das principais decisões e opções.  Nota que até foste buscar, para a tua candidatura de agora, o grande motivo da propaganda do PS há 12 anos atrás, nas Autárquicas de 2009, aquilo do «criar emprego» … Troca tintas oportunista é o que tu és!

Candidato – coligado para crescer – faz por retorquir:

– Por acaso ou não, eu trabalhei bem mais do que tu que foste vereador.  Sim, eu é que fui o assessor-chefe do «chefe» mas agora emancipei-me e posso bem contigo que o «chefe» tá noutra onda.  Agora quer é água e saneamento, na nova empresa que ajudou a criar…

Candidato primeiro mas de facto secundário:

– Ó pá! Deixa-te de insinuações.  Não entres por aí.  E não digas que desta água não beberás que lá, nessa empresa da água e do saneamento, também estão figuraças do teu partido, do PSD.

Interrompe-os o «coro dos ´boys´», em uníssono, forte:

– Deixem-se disso, deixem-se disso!  Não se zanguem como comadres que depois sabem-se as verdades. Mantenham-se calmos, mantenham-se calmos.  Os Vossos tachos servem-nos na mesma, são canja, pintados de rosa ou de laranja.   Afinal, são tachos do sistema, e bem pagos!  Tenham calma, tenham juízo, não nos lixem os tachos!  Vamos mas é beber uns copos nessas festanças todas que isso é que dá votos!

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Cai o pano do Palco.  Ouve-se assobios e apupos da assistência mais atenta.

Faz-se notar outra vez o «coro dos ´boys´» a berrar muito para a assistência :

– Calem-se! Calem-se!  Nós, os «boys», nós não vamos permitir que apupem estes nossos candidatos a «padrinhos»!  Calem-se já! – e avançam ameaçadores para o meio da plateia…, mas esta apupa-os também.  Gera-se alguma agitação…e vamos parar com esta descrição.

 

Junho de 2021


 

 

 

 

Autor: Carlos Martelo

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