Home - Opinião - Relacionamento “pecaminoso” entre o Presidente da Câmara, as Finanças da Câmara e alguns Padres do Concelho. Autor: João Dinis

Relacionamento “pecaminoso” entre o Presidente da Câmara, as Finanças da Câmara e alguns Padres do Concelho. Autor: João Dinis

Relacionamento “pecaminoso” entre o Presidente da Câmara, as Finanças da Câmara e alguns Padres do Concelho. 

Ou em como 6 600 euros do dinheiro municipal vai “indemnizar” três Padres (que exercem no Município) a pretexto de “perdas de receitas” destes por causa da “Covid 19” !…

A notícia saiu para fora das paredes dos Paços do Concelho e está a provocar ondas de choque.  Assim, por proposta do Presidente da Câmara, a maioria absoluta do PS no Executivo Municipal (18 de Junho) aprovou um “donativo” de 6 600 euros a dividir por três dos Padres Católicos que prestam serviço em Paróquias do Município !  Isso a pretexto, foi dito na sessão de Câmara, das “perdas de receitas” dos Padres em consequência de restrições a serviços religiosos por causa da “Covid 19” – designadamente a não realização das visitas pascais!

Confessamos (sem ir ao confessionário…) que a nossa primeira reacção foi de surpresa quase incrédula perante o inusitado da “coisa”.  Então que é isto ?  O Presidente da Câmara é o “empregador” desses Padres ou serve-lhes de “segurança social” extraordinária ?  Caramba, 2 200 euros por cada um dos três Padres é o equivalente a três salários mínimos e meio!

Enfim, os Padres são humanos e também sofrem dificuldades com a situação mas este subsídio camarário tem contornos de grande privilégio.  Aliás, a “justificação” apresentada entra em terrenos complicados de eventual ilegalidade.  E este subsídio municipal roça logo o “pecado original” de nascer para compensar os representantes directos do Senhor por estes não terem realizado “receitas” pecuniárias com serviços religiosos ou seja, comprova-se a tremenda realidade da promiscuidade entre o “negócio” e a religião para certos dos seus mais assumidos praticantes… Mas, afinal, praticantes do “negócio” ou da religião que dizem professar ?  Ou de um a pretexto da outra?  Ou seja, “abençoam ao mesmo tempo as almas e os euros”…

Entretanto, os três Padres têm a atenuante de ter sido a Câmara e, nesta, a maioria absoluta do PS, a terem a iniciativa de lhes atribuir os subsídios e eles são Padres mas não são parvos que, agora, podem aceitar o dinheiro…que, pensamos, nem sequer paga imposto…  Enfim, não sabemos nem saberemos se, ao menos,  vão rezar uns “Padres Nossos “ e umas “Avés Marias” em intenção do Presidente da Câmara e da maioria PS…tão “generosos” !…

Decisão da Câmara Municipal é antidemocrática e, quiçá, ferida de insconstitucionalidade por confessional e discriminatória !  Não deve ser repetida !

Sim, Portugal confina, hoje, um Estado laico, não confessional.  O Estado Fascista de Salazar, esse foi “confessional” em que a religião oficial de Estado era a Religião Católica Apostólica Romana.  Um altíssimo mas também comprometedor privilégio!

No nosso Município, a Câmara Municipal e a maioria demasiado absoluta do PS, consumaram uma decisão – foi mesmo votada em sessão camarária –  de tipo confessional pois assenta na pretensa “justificação” de “indemnizar” prejuízos sofridos por dignatários, religiosos “profissionais”,  de uma determinada  religião que não realizou alguns dos seus habituais serviços religiosos por causa de uma pandemia.  Mas há outras Religiões, há outras práticas religiosas, há outros crentes.  E  então estes ?  Para eles não há apoios do tipo mas, apenas, discriminação?  Devo entretanto clarificar que nenhum desses outros credos me passou “procuração” para eu os defender perante as discriminações da Câmara…

E os Trabalhadores, os Empresários, em geral as Gentes do nossos Município?  Então quantos prejuízos por se não poder exercer as habituais actividades ?  Então, Executivo Municipal e maioria do PS – que subsídios para o Povo?

Aliás, neste domínio, o comportamento do Presidente da Câmara e da maioria PS, pauta-se por uma escandalosa falta de transparência democrática na definição e eventual distribuição de Ajudas por causa da pandemia.  Não publicitam os apoios municipais de forma a que todos tenham as mesmas possibilidades de obter informação para se informarem e poderem  informar, para se candidatarem às eventuais Ajudas Municipais !  Enfim, à excepção, agora, do “desconto” na factura da Água e do Saneamento embora este seja “mais parra que uva” quer dizer, o “desconto” é o menor possível, e fica longe de “desconto” idêntico praticado por Autarquias vizinhas.

Tratam da alma e dos euros…

Mas também logo acodem outras considerações.  Assim, lembramos a participação, a 18 de Maio – um mês antes da sessão de Câmara em causa – do Presidente da Câmara na Homilia da Missa de Dominical, na Igreja Paroquial em Ervedal da Beira, onde usou da palavra e fez um autêntico comício.   Paróquia onde, aliás, exerce funções um dos Padres agora contemplados com 2 200 euros.  Ai, ai, da nossa parte já abandonámos há muito a idade da “inocência” e não acreditamos no “Pai Natal” e nas simples coincidências…ai, ai…

Na Igreja, o privilégio ao Presidente foi concedido pelo Padre. Um mês depois, na Câmara Municipal, o Presidente retribuiu e de uma forma tal que, é legítimo considerar, até foi um “pagamento” – com o “nosso” dinheiro municipal – pelo privilégio dessa Homilia…

E a maioria absoluta – demasiado absoluta – do PS, na Câmara, disse “amem”.  E, estamos em crer, o PS e seus “camaradas-irmãos” – uma certa dupla “filiação”… – vão correr a “bater no peito”…  É escandaloso!

Donde se prova que é um erro o Pessoal pôr muitos votos no PS…

que água benta cada um toma a que quer…

 

Autor: João Dinis, Jano

 

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