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À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

Riqueza ou Pobreza? Autor: André Duarte Feiteira.

São de fácil percepção as diferenças sociais, económicas e culturais que, a partir dos primórdios do mundo civilizacional, foram sempre bastante acentuadas, aqui na terra, para os comuns dos mortais.

Se, em algumas épocas históricas, o estatuto social se media pela linhagem de sangue, também já se mediu pela força, pela crença religiosa e até pela capacidade de sobrevivência. No mundo contemporâneo, parece-me a mim, e creio que a um significativo número de pessoas, que o capitalismo e a sua indissociável busca pelos lucros tomou conta não só da economia, mas também, da nossa capacidade de pensar, agir e, principalmente, da forma como nos relacionamos com outros indivíduos (quanto a mim do melhor que levamos desta vida efémera).

Mas isto não deve nem pode acontecer!

Se todos nós procurarmos insistentemente algo, apenas por ser altamente lucrativo, o que iríamos fazer? Iríamos encerrar escolas e construir academias de futebol, desflorestar toda a área nacional e apenas plantar eucaliptos (crescem rápido, a madeira está cara, parece-me rentável!), ou vamos optar por enraizar, num acto sistemático e persistente, logo que os nossos filhos tenham uma noção lógica do mundo, que o futuro deles é entrar em medicina (dá estatuto e normalmente é bem remunerado)?

Este é, talvez, o maior problema do capitalismo, a passagem da esfera económica para o pensamento humano, algo que jamais deverá acontecer.

O que me adianta ser um aristocrata abastado se não posso sonhar ao ler um bom livro (sim, porque com o que a generalidade dos escritores recebe não há espaço para eles neste mundo lucrativo)? De que me serve ter um palácio rodeado por vários jardins se não tenho a sensibilidade de observar a beleza natural que me rodeia?

A vida de ostentação financeira, ao que parece, está ao acesso de todos, mas não será melhor procurar a felicidade individual, aquilo que nos faz realmente felizes, e, se isso, no final, também nos trouxer algum conforto económico (caso se pretenda), não será mais compensatório?

Apesar de para os mais desatentos a riqueza estar no que vestimos, no carro, na casa e nas viagens que fazemos, para os mais atenciosos, para os que o apetite voraz não é por luxuria mas sim por conhecimento, não é por vaidade mas por simplicidade, não é por ideias previamente concebidas mas sim por sonhos, esses, são os que de facto têm um grande banquete.

Os sinais são claros, até na amizade! As amizades que se adquirem através das riquezas, e não com grandeza e nobreza de carácter, compram-se, mas não se pode contar com elas nos momentos de adversidade, no entanto, as amizades que não funcionam a título contractual mas sim baseadas em pactos de emoções, sentimentos e vivências verdadeiras, são aquelas que, não só, não nos abandonam na adversidade como nos fazem ultrapassa-la.

É, então para mim, assustadora a convergência que alguns indivíduos teimam em estabelecer entre capital e sucesso, quando deveria ser realização pessoal e felicidade.

Sendo assim, é preferível a riqueza ou a pobreza?

Bem, no que toca ao espírito, espero que sejamos todos ricos, contudo, abdico da riqueza baseada em lucros, na ignorância e sem qualquer tipo de prazer ou felicidade. Nesse caso prefiro a pobreza, mas ser feliz e retirar prazer da vida, não ter lucros mas ter amigos, e não ser totalmente ignorante ao ponto de poder emitir o seguinte pensamento: O Capitalismo é um sistema económico, não o utilizem para uma corrente de pensamento, até porque, não o é!

Autor: André Duarte Feiteira.

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