Home - Opinião - Salvemos o “Castro do Vieiro” – ou “Castro de S. Cosme” – da incúria assumida por parte de quem tem como dever público estudá-lo, preservá-lo e divulgá-lo! Autor: João Dinis

Salvemos o “Castro do Vieiro” – ou “Castro de S. Cosme” – da incúria assumida por parte de quem tem como dever público estudá-lo, preservá-lo e divulgá-lo! Autor: João Dinis

O “Castro do Vieiro” ou, na nomenclatura oficial, “Castro de S. Cosme” é vestígio granítico de uma muito antiga povoação castreja – povoação fortificada – cujo início intramuros remontará a uns 3 mil anos atrás. Fica situado no topo de um pequeno monte, junto ao Rio Mondego, na área da União de Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital.

Foi já objecto de estudos oficiais e divulgado em algumas publicações vocacionadas para o efeito. Mas, ao que também acabamos de saber, ainda não foi devidamente classificado como se exige que seja.

Este “Castro do Vieiro” está completamente votado ao abandono institucional, assim vítima de inadmissível desinteresse por parte das Entidades a quem mais compete estudá-lo, preservá-lo e divulgá-lo enquanto vetusto testemunho de Gentes de antanho que o souberam construir e manter – para se protegerem e para nele viverem – ao longo de séculos. Trata-se, pois, de um incontornável polo do Património Histórico e Antropológico desta nossa Região e do Município de Oliveira do Hospital em especial.

Porém, o Ministério da Cultura e seus Organismos Regionais, as Autarquias Locais, desde logo a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, têm ignorado o “Castro do Vieiro” apesar de sucessivas chamadas de atenção (pelo menos de nossa parte) para tamanha negligência!

Hoje, está quase inacessível, coberto e recoberto por areias e espessa vegetação que o envolvem, escondem e mantêm “prisioneiro” dessa forma “selvagem” de abandono. Mas nós sabemo-lo lá – ao nosso “Castro do Vieiro” – e não pretendemos desistir dele !

Enfim, afinal é até provável que “sangue do Castro do Vieiro” ou das proximidades, ainda nos corra nas veias, a nós, nados, criados e residentes nesta Região como também já o foram gerações de ascendentes nossos. Sim, é até provável que o “Castro do Vieiro” e “suas” Gentes ancestrais ainda se mantenham presentes na nossa cadeia genética do DNA…

Resposta da Direcção Regional da Cultura do Centro assume como sua política cultural

e de protecção de Património Histórico, manter o “Castro do Vieiro” abandonado.

Há pouco mais de dois meses, tivemos oportunidade para enviar (mais) uma exposição detalhada sobre a má situação do “Castro do Vieiro” a uma série de Entidades e Instituições também para que “ninguém” possa vir a dizer que “desconhecia” essa situação… Ao mesmo tempo, reclamávamos a tomada de medidas – públicas – que resgatem o “Castro do Vieiro” desse “enterramento anónimo e perpétuo” a que está a ser condenado.

Temos a registar, com agrado de princípio, a resposta que nos foi agora enviada pela Senhora Directora Regional de Cultura do Centro – refª CS – 1456739 – ofício nº S – 2020/2633, de 6 de Nov. de 2020 – para isso mandatada pela Direcção-Geral do Património Cultural. Todavia, a essência dessa resposta é no mínimo inusitada e mais do que controversa ademais vinda da Entidade que a subscreve.

Tomamos a liberdade de aqui reproduzir um dos principais parágrafos dessa resposta da Direcção Regional de Cultura do Centro enviada por “email”. Passamos então a citar:

– “Neste momento, (o “Castro do Veiro”) apresenta revestimentos vegetais próprios de pousios prolongados /abandono de práticas agrícolas anuais, não havendo registo de qualquer dano (intencional ou não) aos bens arqueológicos jacentes. Não há novos revolvimentos de terras, nem florestação, nem outro tipo de situações que possam causar destruição do bem. Deste modo, havendo “abandono” comum, não se considera que existam ameaças à preservação do bem”.

O itálico é de nossa responsabilidade para salientarmos a última frase do citado parágrafo que sintetiza uma “teoria”, que consideramos oportunista e de manifesto demissionismo perante o assunto em causa.

Ou seja, para a Direcção Regional de Cultura do Centro – ou para alguém por ela – a melhor forma de preservar do abandono – e, afinal, preservar das pessoas – este nosso Património Histórico, é mantê-lo abandonado, é mantê-lo enterrado anonimamente, é esquecê-lo !

Trata-se, pois, de política cultural de abandono verdadeiramente inadmissível !

Mais, de nossa parte afirma-se que ficamos muito preocupados, e indignados, perante a constatação de haver “responsáveis” oficiais pela Cultura e pelo Património Histórico com posições deste género !

São posições que, ao invés de levarem a estudar, proteger, dignificar e valorizar o que sabemos ter como Património Público e Comum, aliás como é sua responsabilidade pública, chegam mas é, e objectivamente, a constituir-se como ameaças institucionais a polos importantes na nossa Cultura e do nosso Património Histórico como parece estar a acontecer com o “Castro do Vieiro” ou “Castro de S. Cosme”!…

Esta nossa consideração crítica vai ser enviada a várias Entidades e Instituições, desde logo à Senhora Ministra da Cultura e à Comissão Parlamentar de Cultura e Comunicação. Também à opinião pública. E voltaremos a reclamar, a quem de direito, medidas concretas para a defesa e promoção do “Castro do Vieiro”, no Município de Oliveira do Hospital !

E, se necessário for, voltaremos a denunciar formas, assumidas ou não, de demissionismos oficiais – oportunistas e negligentes – como, repete-se, se considera ser este !

Sim, salvemos o “Castro do Vieiro” ou “Castro de S. Cosme” do abandono e da incúria oficiais!

Com os melhores cumprimentos.

Autor: João Dinis

( Rua da União 22 – 3 405 Vila Franca da Beira – Oliveira do Hospital)

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