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Secretário da Junta de Travanca de Lagos acusado de utilizar tractor da Junta para levar terra para o quintal da filha

Secretário da Junta de Travanca de Lagos acusado de utilizar tractor da Junta para levar terra para quintal da filha

O secretário da Junta de Freguesia de Travanca de Lagos, no concelho de Oliveira do Hospital, utilizou o tractor daquela autarquia, em horas de serviço, para transportar terra de um caminho público que foi nivelado para o quintal da filha. O assunto foi levantado ontem pelo independente Amadeu Gonçalves na Assembleia daquele órgão que tinha por objectivo aprovar o orçamento para o ano de 2015. “Isso é muito grave”, acusou o deputado, aludindo ao facto dos restantes elementos do executivo só terem tomado conhecimento depois dos acontecimentos. Tomás Pedro, eleito pelo PS, classificou a acusação “como infantil” e explicou que a sua intenção foi sempre facilitar a vida à autarquia que tinha ali a 200 metros um local quando ao contrário teria de se deslocar mais de mil para depositar a terra. O presidente António Soares mostrou de forma subtil que não concordava com aquele procedimento, embora reconhecesse que não houve qualquer prejuízo para uma autarquia em que  o executivo é composto por três elementos de outras tantas forças políticas (Independente, PS e PSD).

“Tive a sorte de encontrar ouro e prata naquela terra. Pensei que estava a fazer um serviço à autarquia, afinal, no entender do senhor Amadeu, não estava”, reforçou Tomás Pedro. Amadeu não gostou, frisando que em causa estavam princípios, não se a terra tinha ouro ou prata, e questionou porque o membro do executivo não tinha utilizado o seu próprio tractor. Tomás Pedro não respondeu e foi a presidente da AF, Maria Helena Mendes, também eleita pelo PS, a procurar desvalorizar o assunto, uma vez que não tinha acarretado prejuízos para a Junta. “Utilizou o tractor… Tudo Bem…”, disse com um encolher de ombros. “Tudo bem não! Tudo mal!”, disparou Amadeu Gonçalves.

IMG_5160 (Medium)Amadeu Gonçalves, o deputado independente que levantou o problema do transporte da terra               

O presidente da Junta, António Soares, por seu lado, reconheceu que só tomou conhecimento à posteriori, mas sublinhou que o assunto já tinha sido conversado em sede de executivo e que o incidente não acarretou custos para a autarquia, pelo contrário até terá beneficiado. Mas deu um exemplo em que deixou subentendido que não concordava de todo com o procedimento. “Tive uma situação em que andaram a tirar entulho da minha casa e eu sabia que era necessário numa estrada da freguesia. Podia ter chamado o tractor da junta, carregando e colocando directamente a terra no caminho. Mas entendi que não o devia fazer. Quem estava a fazer o trabalho levou a terra para estaleiro habitual e o tractor da junta foi depois ali carregar para transportar a terra para o referido caminho onde era necessária. Entendo que nestas coisas temos de ter muito cuidado para o nosso nome não ser falado”, explicou.  António Soares.

IMG_5152 (Medium)Tomás Pedro (ao centro), o Secretário da Junta, eleito pelo PS, que utilizou o tractor da junta      

No final, Tomás Pedro disse ao CBS que nunca lhe passou pela cabeça que fosse visado neste caso. “Não me preocupou nada, fiz sem maldade, mas admito que poderia ter tratado do assunto de outra forma”. Mas estes argumentos não convencem Amadeu Gonçalves, considerando que em causa estão princípios e abuso de poder. “Não se pode fazer uma coisa destas sem dar conhecimento pelo menos aos restantes elementos do executivo. Já não é a primeira vez. Por altura da Feira do Queijo também foi carregar com o seu próprio tractor tuvenan e quando depois apareceu o presidente disse que era para levar para um caminho, onde acabou por o descarregar. As coisas num órgão colegial como a Junta não podem ser feitas por auto-recreação de cada um dos elementos. Há regras”, frisou ao CBS o deputado eleito pelos independentes.

Ausência de respostas da Câmara

António Soares, perante as perguntas dos deputados, fez questão de deixar claro que na sua intervenção na Assembleia Municipal questionou José Carlos Alexandrino sobre a situação da Ponte da Adarnela que está há cerca de um ano encerrada ao trânsito de pesados. Mas explicou que não obteve uma resposta sobre quando a situação será regularizada. Como também não obteve resposta sobre o facto da carrinha da Fundação Amaro Dinis não se ter deslocado mais a Travanca de Lagos desde a viagem de apresentação. “Penso que foi mesmo por lapso”, considerou. Sobre as paragens de autocarros e abrigo para as crianças que aguardam à chuva, também mostrou vários mails enviados à autarquia, aguardando uma solução.

Lembrou ainda que a certa altura teve autorização por parte da vereadora Graça Silva para “os habitantes utilizarem a carreira quetravancavenida faz o transporte escolar para se deslocarem a Oliveira”, mas que posteriormente recebeu um telefonema da mesma vereadora a dar conta que não podiam ser transportados no autocarro da Câmara, porque esta não podia cobrar bilhetes.  “Disse-lhe que tive o cuidado, no email que lhe enviei a solicitar a autorização, de referir a carreira que faz o transporte escolar. Respondeu-me que não tinha visto mail nenhum. Tive de lhe responder que isso era um problema de comunicação interna da Câmara”, explicou António Soares aos deputados, lembrando que os habitantes da Freguesia apenas podem utilizar o autocarro que não pertence à Câmara. O Secretário da Junta, eleito pelo PS, referiu mesmo que a “ Câmara Municipal de Oliveira do Hospital não foi muito generosa este ano com Travanca de Lagos. “Esperamos que no novo ano de 2015 seja mais generosa”, rematou.

Antes a Assembleia de Freguesia tinha aprovado por unanimidade o orçamento para 2015. Um documento que, explicou António Soares, aumentou em termos de despesas exactamente aquilo que é o aumento previsto das receitas. O executivo teve em conta os problemas das famílias e manteve as taxas e licenças no mesmo valor do ano anterior. “É um orçamento realista, com contas equilibradas e rigorosas”, explicou o autarca, apelando, tal como tinha feito na última Assembleia Municipal relativamente ao concelho, a “um entendimento entre todas as forças políticas para o bem de Travanca de Lagos”. Ficou igualmente decidido, embora não definitivamente, que o parque infantil de Negrelos não irá mudar de local, mas será sim, provavelmente, alvo de uma intervenção para aumentar as condições de segurança. António Soares deu ainda conta da intenção do executivo se candidatar a um fundo europeu para reabilitar o local de Covais, onde se pensa ter nascido Travanca. “Queremos construir ali um local aprazível”, concluiu.

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