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“Sei que incomoda, a ideia também é essa”

António Lopes revelou-se hoje numa voz incómoda no decorrer da reunião da Assembleia Municipal. A pugnar por intervenções sucessivas, o destituído presidente da mesa daquele órgão foi mesmo convidado a interromper as suas intervenções.

Impedido de fazer incluir um ponto na ordem de trabalhos da Assembleia Municipal e a aguardar pelo esclarecimento da Câmara Municipal a um conjunto de situações que reportou, o ex presidente da Mesa da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital desdobrou-se,hoje, num conjunto de intervenções na sessão ordinária daquele órgão, que decorreu entre as 09h00 e terminou perto das 16h00 deste sábado.

A começar por fazer fortes reparos ao modo como decorreu a reunião de abril onde foi destituído, António Lopes foi ao longo de toda a Assembleia uma voz incómoda. Aconteceu também por ocasião da votação para a constituição da nova mesa da Assembleia e assim sucessivamente, fazendo ainda uso do período antes da ordem do dia para requerer o inclusão do ponto alusivo às políticas de licenciamento na ordem de trabalhos, bem como para requerer a apreciação à recusa por parte do município de entrega de documentos com o objetivo de serem enviados à Inspeção Geral de Finanças. “Eu nunca disse que são desonestos, porque para mim a honra das pessoas vale muito dinheiro. Mas se eu tenho dúvidas, tenho direito de as esclarecer”, afirmou na ocasião António Lopes, não poupando críticas às notícias veiculadas após a sua destituição, fazendo por isso questão de entregar à mesa da Assembleia uma declaração de não dívida. A entrevista cedida pelo presidente da Câmara Municipal foi igualmente objeto de reparo. “Será que um presidente que invade a vida pessoal de outro, denegrindo-a, deve merecer ser presidente da Câmara?”, chegou a questionar António Lopes num desfiar de outros considerandos que efetuou ao conteúdo da referida entrevista.

Acabou por ser no ponto I da ordem de trabalhos que o deputado municipal, na condição de independente, se revelou mais acutilante, questionando o presidente da Câmara sobre assuntos como “cartas de conforto”, atrasos nos pagamentos a coletividades e juntas de freguesia, pedido de devolução do “empréstimo de 100 mil euros” que fez ao kikas. “O António Lopes está a arder”, referiu o deputado que, independentemente dos boatos de que está “falido e que ando a pedir o dinheiro que dei”, entende que “o que é dado eu esqueço, o que empresto quero de volta”. “Há leis neste município?” questionou ainda António Lopes fazendo-se acompanhar por um conjunto de cartas que dirigiu para acertos de contas, mas que “o carteiro não conseguiu entregar” .

Interrogações que, tal como aconteceu no ponto seguinte reservado ao Plano Diretor Municipal, incomodaram a Assembleia, com a a maioria socialista a revelar-se desconfortável com as excessivas intervenções. Escusando-se a tecer qualquer consideração sobre o Kikas, o presidente da Câmara Municipal informou da inexistência de qualquer carta de conforto emitida pelo município. “Há subsídios aprovados, não há cartas de conforto”, explicou José Carlos Alexandrino, informando que “os subsídios estão a ser pagos dentro da lógica da sustentabilidade da Câmara Municipal. O autarca esclareceu ainda que “as Juntas já receberam a 1ª tranche, tal como estava prometido” e que os atrasos às coletividades decorrem do facto de a Câmara estar a definir uma política de atribuição de subsídios mais igualitária.

“Admito intrigas e injúrias, mas não admito faltas de educação”

“Será que eu estou mesmo louco?”, chegou a perguntar António Lopes, quando no ponto 2 viu questionado o teor da sua intervenção sobre política de licenciamentos quando estava em análise a aprovação da revisão do Plano Diretor Municipal. Impossibilitado de prosseguir na intervenção, o deputado lembrou que enquanto presidente da Mesa nunca tirou “palco” a ninguém, pelo que criticou o o facto de o presidente da Câmara poder falar uma hora e a si só lhe serem dados 10 minutos. “Naturalmente que haverá problemas. A lei é só para mim?”, questionou António Lopes que, voltando a ser interrompido na intervenção que fazia a propósito de alegados favorecimentos na BLC3 , disse: “sei que incomoda, mas a ideia também é essa”.
Tendo, no decorrer da Assembleia, referido que os deputados “não percebem” as suas intervenções e voltado a aludir ao interesse nas senhas de presença que ali auferem, o socialista André Duarte viu-se na necessidade de defesa da honra pela forma “no mínimo indecorosa” como António Lopes se dirigiu à Assembleia, informando não ser burro e não estar naquele órgão pela senha de presença. “Já entreguei uma e posso entregar-lhe a próxima”, referiu o jovem deputado socialista que disse admitir “intrigas e injúrias”, mas não admitir “faltas de educação”. António Lopes respondeu não ser o próprio a querer que a Assembleia termine “antes das quatro da tarde”.

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