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Sernancelhe assinala os 57 anos da morte de Aquilino Ribeiro, o escritor beirão que vergou Salazar

O município de Sernancelhe assinala hoje os 57 anos da morte de Aquilino Ribeiro. O autor que é “considerado um símbolo da Beira e umas das grandes referências da literatura portuguesa, é dono de uma obra que explica o País, e muito particularmente as terras do interior onde nasceu e cresceu e que viria a classificar de “Terras do Demo”. Salazar foi uma das personagens que se rendeu à qualidade do escritor.

Em Novembro de 2019, o município realizou uma acção dedicada a Aquilino Ribeiro e hoje em homenagem voltou a partilhar o vídeo.  “Os Colóquios a ele dedicados, e que marcaram um ano intenso de comemorações do Centenário da obra Terras do Demo, trouxeram ao nosso concelho ilustres portugueses como Nuno Crato e David Justino, antigos ministros da Educação, João Soares, antigo Ministro da Cultura, Aquilino Machado, neto do escritor, e perto de uma dezena de académicos do nosso País, que proporcionaram brilhantes intervenções sobre a vida e obra de Aquilino Ribeiro”, refere uma nota da autarquia.

A qualidade de Aquilino Ribeiro convenceu mesmo Salazar. O ditador “perdoava-lhe” mesmo o facto de ser contra a regime e de dizer mal do ditador. Algo de notável para a época. Ambos naturais da Beira Alta, ambos ex-seminaristas, sem serem colegas de curso, Salazar e Aquilino derivaram para caminhos opostos, muitas vezes em confronto aberto e declarado. Salazar fez exames no Liceu de Viseu para ingressar na Faculdade de Direito de Coimbra, onde se licenciou, doutorou e ficou ligado a católicos e monárquicos. Aquilino carbonário, republicano, visceralmente laico, evadiu-se para Paris devido à acção revolucionária, exercida, no fim da monarquia, contra a ditadura de João Franco. Frequentou na Sorbonne Filosofia e Humanidades clássicas sem acabar qualquer das licenciaturas.

Proclamada a república, voltou a Portugal, foi professor do Liceu Camões e funcionário da Biblioteca Nacional. De armas na mão combateu a ditadura surgida com o golpe militar de 28 de Maio de 1926 que levou Salazar ao poder até ser chefe de governo, em 1932 instituindo a sua própria ditadura que prosseguiu até Setembro de 1968. Esta intervenção deu lugar a novo exilio de Aquilino em França e na Galiza, enquanto era irradiado da função pública.

Em 1932, regressou a Portugal clandestinamente. Foi, entretanto, amnistiado. Residiu na Cruz Quebrada e, no final dos anos 40, radicou-se definitivamente em Lisboa. Viveu exclusivamente da actividade literária, tal como Camilo Castelo Branco e poucos mais.

Salazar e Aquilino conheciam- se, mas nunca conviveram um com o outro. Ao prefaciar e organizar a edição póstuma de Viseu:Letras e Letrados Viseenses, de Maximiano de Aragão (1858-1929), Aquilino, em 1934, citou Salazar, entre os intelectuais oriundos do distrito. Por sua vez, Salazar, ao ser entrevistado por Frédéric Lefèvre (1889-1949) para uma série sob o título genérico Une heure avec… declarou: “Comece o seu inquérito por Aquilino Ribeiro. É um inimigo do regime. Dir-lhe-á mal de mim, mas não importa: é um grande escritor”.

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