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“Temos um executivo desnorteado, sem ideias e a vender sonhos aos oliveirenses”

Várias dezenas de pessoas participaram ontem no regresso, três anos depois de ser interrompida, da XX edição da festa do PSD das Caldas de S. Paulo. Os sociais-democratas aproveitaram o momento para fazer um balanço dos últimos anos da governação socialista na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. E as criticas foram muitas. Desde a ausência de infra-estruturas estruturantes, até aos gastos em eventos que, na opinião do PSD, não têm qualquer retorno para o concelho. O líder da concelhia classificou mesmo os sete anos de liderança do município por parte de José Carlos Alexandrino como um período em que o executivo andou desnorteado, sem ideias e a vender sonhos aos oliveirenses sem resultados práticos. João Brito, que contou com a presença do secretário-geral do PSD, Matos Rosa, e do presidente da distrital do partido, Maurício Marques, bem como do presidente da distrital do CDS, Luís Lagos, prometeu apresentar no próximo ano “as melhores pessoas e as melhores opções” para reconquistar a liderança da autarquia e inverter a actual política.

Caldas de São PauloComeçando por recordar que José Carlos Alexandrino disse ter a garantia em Dezembro do ano passado de investimentos para o IC6 e requalificação da EN17, João Brito lembrou que, quase um ano depois, nada foi feito. “O presidente do executivo, em 8 Dezembro 2015, que dava como certo um investimento de 2 milhões de euros das Infra-estruturas de Portugal para a requalificação dos 17 Km do limite de Tábua até ao início do Distrito da Guarda. No dia 22 de Dezembro, do mesmo ano, anunciava que tinha acordo com o Governo para que se efectuasse o IC6 até Oliveira do Hospital, num investimento de 25 milhões. Quase um ano depois destes anúncios, tendo o senhor Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital uma conjuntura tão favorável, pois tem um executivo PS e um governo central PS, uma alta influência das esferas do poder (segundo as suas palavras), perguntar: o que é que correu mal? Quem mentiu?”, questionou, para responder de seguida: “O folclore que o senhor Presidente da Câmara faz à volta das questões importantes para o concelho traduz-se nisto: em pouco mais de nada”. Brito lembrou ainda que José Carlos Alexandrino não só não cumpriu aquilo que prometeu, como deveria informar os oliveirenses que “não existe qualquer programação para a realização do IC6”.

“EXPOH é um fiasco que consome 100 mil euros ano”

Aquele que é o único vereador social-democrata na autarquia criticou depois aquilo que classificou de folclore sem retorno para o concelho. Lembrou os vários eventos que foram realizados nos últimos sete anos em nome da promoção do território e que, em sua opinião apenas serviram para gastar dinheiro público. “Tudo serviu para promover a marca de Oliveira do Hospital: rally Cidade de Oliveira, a Volta a Portugal em bicicleta, futebol, a Feira do Queijo e a EXPOH. Quatro anos depois e 3,5 milhões de euros gastos, chegaram à conclusão que o rally cidade de Oliveira não promovia a cidade, o ciclismo não promovia a cidade, o futebol já não promovia nem a cidade nem a imagem do executivo. Baixaram então _DCS0040 (Small)os apoios ao futebol e permaneceu apenas a Feira do Queijo e a EXPOH”, acusou o líder da concelhia, para quem estes dois eventos sobreviventes também estão longe de servirem os interesses da população. “A Feira do Queijo serve para se pagarem autocarros e almoços para trazer até nós potenciais compradores de queijo, pagamos a um canal de televisão para fazer um programa em directo, e no final perguntamos: quanto custou a feira aos contribuintes oliveirenses, qual o resultado líquido, em termos de lucro, que se obteve, que empresas se promovem neste evento? Acho que ninguém sabe”, rematou, classificando depois a EXPOH também “como um fiasco”. “São investidos 100 mil euros todos os anos para a realização de um certame com modelo falido, que não cativa expositores, não cativa público. É um modelo que apenas gera despesa ao concelho”, concluiu, lembrando que os dois eventos se realizam em locais emblemáticos da cidade construídos no tempo em que executivo autárquico era liderado pelo PSD.

O projecto da BLC3 também não escapou às criticas do líder social-democrata que, segundo João Brito, é vendido ao povo oliveirense “como uma incubadora de referencia internacional, tendo potencial para constituir um ex-libris de desenvolvimento científico e industrial para o concelho”, mas que apenas se tem revelado como mais uma fonte de despesa para o município. “A BLC3 recebe cerca de 120 mil euros de subsídio por ano, em seis anos foram mais de 700 mil euros”, referiu, perguntando de seguida quando é que aquela Plataforma será auto-sustentável. “Quantos anos mais anos são necessários para que esta incubadora de referência internacional deixe de ser subsidiada pelo nosso dinheiro e comece a trazer algum retorno económico para o concelho? Pois é, ninguém sabe….”, frisou.

Mais um empréstimo a caminho

João Brito está convencido que o dinheiro gasto nestes eventos e projectos faz falta depois para as obras verdadeiramente importantes. Depois, sublinhou, “não há dinheiro para investimentos locais”. E apontou a título de exemplo a necessidade de contrair um empréstimo de dois milhões de euros para realizar dez empreitadas em várias freguesias do concelho, as quais, no seu entender, deviam ser feitas com as receitas próprias da câmara e durante o mandato. “E não no último ano de mandato como acto meramente eleitoralista”, disse, antes de criticar os sucessivos recuos nos montantes anunciados para Oliveira do Hospital na candidatura ao Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU).

_DCS0037 (Small)“Foi anunciado, em Setembro do ano passado, uma candidatura ao PEDU o valor de 21 milhões de euros. Em Abril do corrente ano, foi anunciado que Oliveira tinha sido contemplado com 7 milhões de euros, contudo em Junho foi então anunciado um investimento de 5.600 mil euros. Ora, destes 5.6 milhões, cabe ao município pagar 15 por cento, aproximadamente 850 mil euros”, acusou o único vereador social-democrata na autarquia, para quem este investimento irá muito provavelmente obrigar a autarquia a recorrer novamente à banca. “Como tudo indica, será contraído mais um empréstimo para fazer face a este investimento de um milhão de euros”, concluiu.

Por estas razões, João Brito considera que Oliveira do Hospital necessita de outro tipo de política. “Precisa de inovação, precisa de políticos que criem mecanismos reais para atrair empresas que gerem emprego reais e não empregos precários. Queremos atrair empresas de carácter tecnológico para criarmos riqueza no concelho e dar condições aos empresários oliveirenses, para que estes invistam cá e não invistam nos concelhos vizinhos”, sublinhou, adiantando que é preciso encontrar soluções cabais para as estruturas de saúde existentes no nosso concelho. “Não basta prometer falsas condições para atrair novos médicos e mascarar a resolução das questões”, disse antes de concluir que a solução passa pelo PSD que “saberá apresentar nas autárquicas de 2017 “as melhores pessoas, as melhores equipas, as melhores opções para o futuro do concelho”.

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