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“Tenho muitas dúvidas quanto à legalidade do que se tem feito”

Feira do Queijo, pessoal da Adesa ao serviço da Câmara e campo de futebol de Oliveira do Hospital são matérias de que o destituído presidente da Assembleia tem dúvidas quanto à sua legalidade. António Lopes vai “pedir a intervenção de quem de direito”.

A votar contra as contas de 2013 do município de Oliveira do Hospital – foram aprovadas por maioria – que apontam para um resultado líquido negativo de 457 mil Euros, o destituído presidente da Mesa da Assembleia Municipal anunciou na reunião daquele órgão a intenção de “pedir a intervenção de quem de direito para esclarecer” a legalidade de atos relacionados com a Feira do Queijo, pessoal da Adesa “que está aqui dentro” e o campo de futebol de Oliveira do Hospital. “Tenho muitas dúvidas quanto à legalidade do que se tem feito”, afirmou António Lopes lamentando não ter obtido resposta aos requerimentos que apresentou, com o objetivo de ficar esclarecido . “Não digo que tenho razão, ou deixe ter. Mas, tenho dúvidas e quero esclarecimentos”, referiu.

Em face de um prejuízo de 457 mil Euros registado no ano 2013, o já considerado “deputado da oposição” questiona assim as opções tomadas pelo executivo municipal. “Numa altura em que estamos conforme estamos, fizemos no ano passado dois campos de futebol – “não sou contra o futebol, se pudesse fazia um em cada freguesia”, frisou – pergunto é se foi essa a melhor opção que fizemos, quando se diz que é tudo pelas pessoas. De facto há meia dúzia de rapazes que jogam a bola, uma boa parte até é de fora, mas são muitas as pessoas que emigram e passam fome. Acho que numa altura destas, impunha-se outro tipo de gestão”, afirmou António Lopes, lembrando que, ao invés disso, ficou por fazer a ESTGOH e por resolver o problema das águas pluviais que continua pesar na fatura dos saneamento básico.

Sobre a Feira do Queijo – “fui informado por várias pessoas e não efetivamente por quem de direito que foram gastos os tais 60 mil euros”, notou – a dúvida recai sobre a despesa do município com almoços, jantare e direito a hotel com pessoas de Lisboa, que foram convidadas para o certame. “Não encontro cobertura legal para isso”, referiu o deputado que, mal sucedido pela via da “influência da magistratura”, não quer ser acusado de “não ter feito o que devia”.

A querer do mesmo modo esclarecer a contratação de pessoal pela Adesa, António Lopes frisou que “metade da Comissão Política do PS está aqui empregue” e confidenciou que a única resposta que lhe foi dada pelo presidente da Câmara a essa respeito, é que as pessoas entraram do mesmo modo que outras entraram com o anterior presidente de Câmara, dizendo de igual modo que não é um “anjo”.

“Não tenho medo da verdade, tenho medo da mentira”

Suspeições levantadas por António Lopes e que agudizaram o clima entre o destituído presidente da Assembleia e o presidente da Câmara, com este último a assegurar que “mais do que ninguém quer que estes assuntos sejam apurados e investigados”. “Eu próprio levarei a reunião de Câmara um documento onde pedirei a inspeção geral de finanças e trarei relatório para apresentar na Assembleia Municipal . Não tenho medo da verdade, tenho medo da mentira”, afirmou o presidente, que rejeitando a acusação que lhe é dirigida por António Lopes de falar “meias verdades”, criticou quem propaga “mentiras e calúnias”. “É preciso coerência e coluna vertical”, continuou José Carlos Alexandrino , assegurando que, no âmbito da Feira do Queijo, não foram pagos hotéis, mas apenas jantares onde António Lopes “também esteve” e que no caso dos relvados sintético foi o próprio a dar os parabéns” por o de Lagares da Beira ter sido feito. A considerar que Lopes “está incomodado com o sucesso” está “com alguma azia”, Alexandrino disse não estar preocupado com os contratos em nome da Adesa, porque ainda recentemente foi feita uma inspeção e está certo de que “não vai haver problema nenhum”.

“Não tenho nada que me envergonhe. O que me envergonha é alguns que esta semana disseram que o presidente da Câmara tinha ficado 50 noites em hotéis de luxo à conta da Câmara Municipal”, continuou o autarca, informando tratar-se de “uma vergonha, uma calúnia”, porque “o presidente da Câmara nunca ficou em nenhum hotel e quando vai a Lisboa fica numa casa que lá tem, com uma filha”. À Assembleia, José Carlos Alexandrino garantiu que “nunca” meteu ajudas de custo, nem os elementos da sua equipa. “Há muitas mentiras e inverdades”, continuou, assegurando levar a tribunal “essa dos hotéis”, porque “com certeza queriam-me meter num rol que eu não tenho”.
“Tem que me dizer quem foi que lhe disse que eu disse que dormiu em hotéis de luxo. Tenho dado provas de que sou pessoa idónea. Não fui eu que levantei isso”, assegurou o destituído presidente da Assembleia Municipal, aconselhando José Carlos Alexandrino a “ouvir o que eu digo”. “Não me tentem amesquinhar. Sou homem com provas dadas. Não preciso da política para nada. Está a querer meter os pés pelas mãos”, concluiu António Lopes.

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