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Trabalhadoras da Textursymbol suspendem contratos e fazem vigília à porta da empresa

Vinte seis funcionárias da unidade de confeções Textursymbol, em S. Paio de Gramaços, suspenderam os contratos de trabalho devido ao atraso no pagamento de subsídios e ordenados. Desconfiadas da retirada de maquinaria do interior das instalações, as trabalhadoras estão desde ontem a vigiar o portão da empresa.

Angústia era o sentimento que, esta manhã, estava estampado no rosto das 26 mulheres que se concentravam à porta da unidade de confeções Textursymbol, localizada em S. Paio de Gramaços, às portas da cidade de Oliveira do Hospital.

Por motivo de atrasos no pagamento de subsídios e salários – subsídios de 2012, subsídio de férias de 2013, parte do salário de agosto e a totalidade de setembro – as trabalhadoras optaram pela suspensão dos contratos de trabalho como forma de poderem aceder ao subsídio de desemprego e assim fazer face às despesas, que nos últimos tempos têm tido dificuldade em suportar.

“A entidade patronal disse que não tinha condições de efetuar o pagamento e as trabalhadoras viram-se obrigadas a suspender os contratos para virem a beneficiar do subsídio de desemprego, caso contrário estariam mais quatro ou cinco meses a trabalhar e sem receber nada”, explicou ao correiodabeiraserra.com Luís Ferreira do Sindicato dos Têxteis, Lanifícios e Vestuário do Centro que, por esta altura, presta apoio ao grupo das 26 trabalhadoras que seguiram aquela via. As restantes nove que se mantiveram ao trabalho deverão seguir o mesmo caminho, já que ao final da manhã de ontem receberam ordem da patroa para ficarem em casa.

O incumprimento da entidade patronal no pagamento atempado dos salários e subsídios não é de sempre, mas vinha-se agudizando nos últimos meses. Uma situação para a qual sindicato e trabalhadoras não chegam a encontrar explicação, já que pese embora algumas baixas nas encomendas, o trabalho na empresa nunca parou. “As funcionárias trabalharam até ao último dia”, revelou o responsável do Sindicato que, por esta altura, não tem grandes expectativas na recuperação da empresa, já que – segundo referiu – a administração nunca se disponibilizou a pagar a dívida por partes, “limitando-se a dizer que não tinha condições para pagamento e que metessem a insolvência”. “Ainda empurrou para os trabalhadores”, criticou, contando que apesar de não ser essa a vontade das trabalhadoras, poderá ser “um caminho” a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda à espera que a entidade patronal emita documento necessário ao processo de suspensão dos contratos de trabalho, as funcionárias da Textursymbol estão igualmente preocupadas com a possibilidade de a maquinaria da empresa estar a ser retirada do interior das instalações. Um sentimento de desconfiança que é comum a todas as funcionárias que, depois de alertadas para o facto de uma carrinha ter entrado e saído das instalações da unidade de confeções, decidiram vigiar o portão de acesso à empresa. “Ficámos durante a noite e vamos cá continuar”, contou Paula Ferreira. “Com certeza que o camião não veio visitar a empresa, mas antes para carregar alguma coisa”, comentou ainda o responsável Sindical Luís Ferreira, notando que no caso de ser verdade a empresa está a “jogar de má fé”. “Eles que se entreguem à insolvência ou que façam o que quiserem, porque não podem estar com os trabalhadores sem receber da empresa, nem do centro de emprego, porque agora ao meterem as cartas ainda vão demorar mais de um mês para receber subsídio de desemprego. Isto é doloroso para estas pessoas”, fez notar o responsável.

A confecionarem vestuário feminino para conceituadas marcas como a Zara e Massimo Dutti, as trabalhadoras só encontram uma explicação para o que está a acontecer. “Má gestão”, referem em uníssono as funcionárias que dizem ter sido a própria patroa a dizer-lhes para se irem embora porque não tinha “condições psicológicas” para manter a unidade em laboração. “E agora?”, questionam-se as trabalhadoras, a maioria das quais com filhos a estudar e casas para pagar e que não têm outra fonte de rendimento que não seja o próprio ordenado. “Cheguei ao ponto de ser o meu marido desempregado a pagar a gasolina para eu vir trabalhar”, comentou uma funcionária visivelmente desolada por não vislumbrar qualquer perspetiva de emprego a curto prazo.

A Textursymbol contava com cinco anos de laboração e sucedia à desativada TRF, uma unidade de confeções que funcionava na Catraia de S.Paio. Parte das trabalhadoras transitaram para a nova empresa cuja adminstração está a cargo de uma das antigas sócias da TRF. Problemas decorrentes da extinta unidade também poderão motivar problemas de ordem financeira sentidos pela Textursymbol e que se terão agravado no último ano e meio.

Contactada pelo correiodabeiraserra.com, a responsável pela Textursymbol, Teresa Moreira, escusou-se a prestar qualquer esclarecimento sobre a situação.

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