Home - Opinião - Uma geração como motor do futuro. Autor: João Miguel Pais

Uma geração como motor do futuro. Autor: João Miguel Pais

Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje. Este é daqueles provérbios populares dos quais o meu avô se fartava de me recomendar. Um pensamento simples que poderia bem definir uma missiva de vida, mas também ajudaria a aconselhar o conjunto de pessoas que, quer outrora no passado quer no presente, tiveram ou têm, sob sua alçada o futuro do nosso Município de Oliveira do Hospital.

Contudo e porém, no seguimento desta analogia há questões essenciais que, hoje mais do que nunca, me parecem pertinentes para os Oliveirenses fazerem acerca da nossa localidade, desde logo: Que rumo levam a nossa cidade e as nossas freguesias? Que projecto há para o Concelho? Qual e que género de Município teremos daqui a 50 anos?

 Em conversas regulares com familiares e amigos o curso do diálogo, por vezes, chega a Oliveira do Hospital e ao seu estado de sítio. Infelizmente a opinião comum e regular é sempre a mesma, a descrença, o cepticismo e a resignação perante um Concelho “perdido” na Beira-Serra, sem oportunidades laborais, com problemas em fixar pessoas e com dificuldades em atrair empresas e novos negócios para a sua povoação. Um Município Beirão agarrado a um sistema do cacique, aculturado por festas e romarias e onde o principal apoio dinâmico-social se remete única e exclusivamente ao desporto, nomeadamente o futebol.

Hoje -ontem já era tarde- é necessário olhar para o futuro e não ter medo. Não ter receio de apostar, planear e inovar. Não obstante, antes de dar um trilho alternativo ao nosso Concelho é necessário, a priori, debatê-lo. Falar sobre o status quo e ver, analisar e comparar também com exemplos nacionais e internacionais de cidades – com parâmetros parecidos aos nossos e que se destaquem por um projecto diferente, mas ousado naquilo que concerne ao planeamento de desenvolvimento municipal. Criar um paralelismo com o nosso concelho e escolher vias onde se podem actuar. Ouvir as gentes Oliveirenses e pessoas nacionais com trabalho realizado em áreas específicas e que putativamente nos interessem. Áreas que se interliguem. Áreas onde nos possamos afirmar e ser um exemplo a seguir.

Um caminho alternativo este, que pode ter o seu mote num passado como referência basilar, de forma a fortalecer células fundamentais da vida quotidiana. Um caminho com ímpeto futurista, assertivo e ousado, que seja bem pensado, para servir de espinha dorsal na vida socioeconómica do concelho. Um caminho que poderá ir da tecnologia às florestas. Da mobilidade ao ambiente. Da saúde à cultura. Da gastronomia à educação. Do turismo à indústria. Um caminho desenhado a médio/longo prazo. Um caminho ímpar e orgulhoso de uma Beira-Serra que há muito tempo merece arreigar-se de uma identidade vincada como bastião do crescimento na nossa Nação.

Paralelamente a este ideal comum, surge uma geração jovem, aguerrida e motivada para contribuir para a comunidade que a viu crescer. Uma geração com uma opinião crítica, que apesar de ter saído do Município para estudar, formar-se e enriquecer-se intelectualmente, está pronta para começar a firmar um novo ciclo, seja nas escolhas de novos intervenientes, seja na contribuição activa e categórica na vida política, social e económica do concelho. Uma geração capaz e multidisciplinar para dar um novo ecossistema de oportunidades a Oliveira do Hospital, com novas ideias, com novas propostas e com novas experiências. Uma geração altruísta e irreverente, com arcabouço para alavancar a nossa terra para um patamar superior, um patamar de excelência. Uma jovem geração que pode ser a peça que falta à locomotiva para começar uma nova a jornada.

Para tal simbiose complementar acontecer, é fulcral que as gentes mais velhas olhem para os jovens com confiança. Que saibam que podem confiar em nós o seu legado no combate civil, com renovadas bandeiras, arejadas propostas, mas sem nunca desvirtuar uma matriz intrínseca do seio da nossa comunidade. Nós jovens Oliveirenses queremos, independentemente da nossa morada residencial ser mais ou menos longe de Oliveira do Hospital, poder continuar a lutar pelas nossas raízes. Sabemos que o contributo local é a pedra basilar da democracia, pelo que queremos estar perto do centro das decisões, numa política próxima, de coração aberto e onde o principal desígnio sejam as pessoas, não apenas em slogans de campanha, mas na prática, na vida real para além das romarias.

Tudo isto se tornará mais simples se os nossos responsáveis políticos renovarem as suas formas de actuação ambíguas e empedernidas no tempo desde a margem sul do Mondego até ao alto da Serra do Açor. Não podemos cair no desleixo, mas podemos seguir o conselho do meu avô: Não guardar para amanhã o que se pode fazer hoje. Só assim deixaremos de ter Freguesias desertificadas. Somente desta forma, conseguiremos dar uma lufada de ar fresco sociopolítico a Oliveira do Hospital. Apenas desta forma, conseguiremos de forma desempoeirada, dar um novo ecossistema recheado de oportunidades em terras Oliveirenses.   

Quanto a respostas concretas às perguntas que fiz inicialmente tenho uma certeza: Não há dogmas, conquanto sei que há uma alternativa, um sentido e uma geração com um pendor abnegado para personificar esse rumo. Basta que hajam oportunidades para que tal aconteça e cabeças que tenham o alvedrio de saber escolher entre o futuro de Oliveira e os interesses pessoais emaranhados num sistema que todos nós conhecemos.

Autor: João Miguel Pais, Presidente da JP Oliveira do Hospital

 

LEIA TAMBÉM

As eleições, os políticos e os funcionários públicos. Autor: Nuno Tavares Pereira

Normalmente de quatro em quatro anos temos alguma instabilidade em muitos lares do nosso país. …

Tão compinchas que eles eram. Tão «galarozes» em que se transformaram… Autor: Carlos Martelo

Caríssimos. Escrevamos pois a glosar o mote: Na verdade, e não estou a descobrir a …