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Visão das Presidenciais de 2021. Autor: Nuno Tavares Pereira

Visão das Presidenciais de 2021. 

Primeiro não deveriam ter acontecido nesta situação pandémica e, sobretudo, com tantos doentes e mortos diariamente.

É muito fácil comentar o resultado final, porque no final ele é fácil. O vencedor da noite foi Marcelo Rebelo de Sousa. Mas não havia muitas dúvidas relativas à sua vitória.  A não ser a dúvida de acontecer à primeira ou à segunda volta. As maiores reservas tinham que ver com a abstenção e com os mais de 500 mil portugueses que foram impedidos de votar. Relativamente a isso, Marcelo deu uma lição, pois ganhou em todos os distritos, concelhos e só perdeu em uma freguesia… Mourão.

Agora vamos à análise concreta de quem votou em Marcelo. Toda a gente de todos os partidos, desde novos a velhos. E os restantes resultados interessam??? Aparentemente, para estas eleições nada. Mas vamos a números. Marcelo aumentou a votação em cerca de 100 mil votos, quando houve menos de cerca de 500 mil votantes.

Ana Gomes, que teve inclusivé o apoio do próximo candidato à presidência do PS (Pedro Nuno) e muitos mais nomes fortes do PS, teve uma estrondosa derrota. Qualquer coisa como menos cerca de 500 mil votos quando comparado com o candidato do PS anterior… Embora vemos hoje muitos homens fortes do PS a dizer que votaram Marcelo, mas em 2016 votaram em quem? Será que o dizem para dar a ideia que o PS votou Marcelo??

Aqui pelo burgo, quando apoiei o Marcelo nas últimas eleições caiu-me tudo em cima, principalmente as figuras ilustres do Ps que hoje se bajulam a dizer que Marcelo é o maior..

Mas voltando a Ana Gomes, o melhor resultado que vejo é o do Porto, pois estava a jogar fora, com dois candidatos da terra que acabam por lhe dar destaque. Aliás, é o Porto que a coloca em segundo e atira André Ventura para terceiro. Mesmo em Setúbal Ana Gomes não conseguiu muito mais de 1700 votos, com tanto “ciga” naquela cidade que causou o pânico nos últimos dias…

Mas vamos ao candidato que ficou em terceiro. Nunca o seu partido tinha apresentado um candidato, até porque já foi formado depois das últimas presidenciais e logo na primeira eleição passa para cerca de 500 mil votos. A única freguesia onde Marcelo perdeu foi para André Ventura, curiosamente numa terra comunista. 

O candidato da Direita Popular conseguiu na luta pelo lugar de primeiro dos últimos ganhar na maioria das freguesias, concelhos e distritos à segunda classificada, Ana Gomes. Ele disse que se demitia se ela ficasse à frente e na própria noite colocou o lugar à disposição para o partido decidir. Óbvio que o partido ainda é André Ventura e digo isto porque certamente que mais figuras de relevo irão começar a aparecer nos próximos tempos no partido. E se havia dúvidas relativas ao seu discurso, o que acontece é que muita gente se revê, mas muitos não gostam de ouvir. O efeito amor/ódio aliás tem levado apoiantes de outros partidos a ficarem furiosos.

Já viram o Ricardo Araújo Pereira que com tanta audiência não conseguiu que a sua candidata tive-se pouco mais de 150 mil votos, quando em 2016 teve quase 500000 votos?? Nem o João Ferreira escapou ao desastre eleitoral da noite com pouco mais de 180 mil votos, conseguindo ter menos votos do que Edgar Silva, o candidato desconhecido das últimas presidenciais apresentado pelo PCP.

Já Tiago Mayan conseguiu uma votação simpática, principalmente em Lisboa e no Porto, em particular neste último, onde juntamente com o Vitorino conseguem mais de 60 mil votos. Esses votos que fugiram a André Ventura para segurar o segundo lugar nas eleições. Ao analisar com mais detalhe verificamos que André Ventura entrou mais na população rural, longe dos grandes centros e com menos condições, quer de infraestruturas, quer económicas. Isto explica que André Ventura não foi buscar votos a um ou dois partidos. Ele foi buscar votos a todos os partidos. Os tais 500 mil votos referidos atrás em várias frases são os 500 mil votos ganhos por André Ventura, são os também menos 500 mil votantes, os 500 mil que ficaram impedidos de votar e os 500 mil a menos votantes num candidato/a do PS. Os menos 500 mil votos que a extrema esquerda teve nos seus candidatos, relativamente a 2016.

Factos a reter:

-Marcelo ganhou pela primeira vez em todos os concelhos do país.

-A extrema esquerda teve a maior derrota política de sempre nos eleições presidenciais.

-O PS afastou-se de uma possível derrota, criando uma cisão dentro do partido entre os apointaes da candidata do PS Ana Gomes e os que dispersaram a apoiar Marcelo, João Ferreira, Marisa Matias ou Vitorino, sim Vitorino porque ele vem do PS e teve mais de 122 mil votos.

-A Iniciativa Liberal apresentou pela primeira vez um candidato e logo teve 3,22 por cento que é mais do a Iniciativa Liberal teve nas legislativas.

-André Ventura leva às costas o Chega para um futuro difícil, em que terá um teste nas próximas autárquicas para provar a sua força, pois o Chega é neste momento o partido em Portugal com mais militantes activos (um ano de cotas pagas), cerca de 8 mil.

-O PAN bem tentou não dar a cara, mas cordialmente apoiou a candidata socialista, piscando o olho ao seu eleitorado. 

-Também o Livre se colou no mesmo intuito de pescar nas minorias alguns votos para as próximas Legislativas.

-Já o RIR, o PEV, e o Cds, entre outros movimentos, esperam pela oportunidade para aparecer em destaque.

-Aparentemente esqueci-me do PCP e BE, mas foi intencional, porque a grande derrota foi para a extrema esquerda que perdeu inclusivé muitos votos nos seus bastiões, imagine-se… para o outro lado do campo… A extrema esquerda literalmente desapareceu do mapa de Portugal, o que é estranho. A única explicação é a de que as pessoas deixaram de acreditar nos que lhes diziam que os iam defender, mas que os manteve na mesma situação durante décadas.

Baralhando e lançando de novo as cartas, se tirarmos o Às Marcelo, como seriam as eleições? Pois é, prevemos um futuro político agitado. 

Acho mesmo que estratégicamente a melhor altura para haver eleições para o Governo era agora, isto porque quanto mais para a frente o tempo andar pior será o resultado para o PS e melhor para a sua oposição, excluída da destruída esquerda radical, que pode estar a pagar a factura de uma geringonça que não melhorou Portugal.

Já do lado do PSD, pedem-se resultados nas autárquicas ou então a cabeça de Rui Rio que, embora nervoso, explicou que o André foi essencialmente buscar votos ao seio dos bastiões do PS e PCP. Mas isso serão outras contas. 

Fica o mapa das contas de 2021 e 2016 e a ideia que as divisões entre Litoral e Interior, citadido e rural, trabalhador e subsidiário, serão um tema que levará inevitavelmente a um referendo da regionalização e a uma maior clareza na utilização do poder político em todas as áreas.

Um bom ano político a todos e fica aqui a minha opinião, relativa às eleições de ontem.

Autor: Nuno Tavares Pereira

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