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Viva o 1º de Dezembro de 1640!  Viva a Independência Nacional! Autor: João Dinis

A perda da independência nacional com os Filipes de Espanha e a “União Ibérica” de 1580

A revolução e a guerra patriótica com Espanha a partir de 1640 e até 1668.

Refere-se “apontamentos” de uma época histórica – desde a perda da independência face a Espanha (1580/81) à “Restauração” (1640 até 1668) – ao todo durante mais de 88 anos em que reinaram três reis Portugueses e três reis Espanhóis.

É uma época cheia de traições à Pátria Portuguesa pelos grandes privilegiados da época, os da alta nobreza, do alto clero e da alta burguesia, capazes de colaboracionismos de todos os tipos com os usurpadores Filipes de Espanha e seus mandarins e mandaretes.

Mas também de histórias de patriotismo heróico.  Estas com base no Povo, sob comando de líderes patriotas, e também base em outras classes sociais – nobreza – clero – burguesia – de nível social e económico considerado mais baixo em relação aos níveis do topo da “pirâmide social” de então.

Enfim, características gerais que sempre acontecem em processos de natureza idêntica, ainda que em diferentes épocas históricas, como foi a Revolução patriótica de 1383/85, como foi nas “invasões francesas” do início do século XIX e também foi no 25 de Abril de 1974.

Agindo, ficamos à espera que aconteçam situações congéneres e com desfechos parecidos na sua essência.  Com os olhos e o coração postos, sempre, na independência nacional e na defesa da qualidade de vida da população e na dignidade nacional de Portugal!

“Cortes de Tomar” (1581) consumaram o pior acto institucional de traição à Pátria da nossa História!    Eterno vexame para os traidores!

Sim, as “Cortes de Tomar em 1581” foram, são e vão continuar a ser um episódio histórico de vergonhosa traição, cometido por bastantes “portugueses” – os maiores privilegiados – que para lá foram aclamar e “sossegar” o Filipe II de Espanha o qual também passou a ser Filipe I “de Portugal”.

A personalização dos processos e a “coscuvilhice histórica” acabaram por destacar apenas um deles como tal, afinal um burocrata que acabou morto a 1 de Dezembro de 1640, o “português traidor Miguel de Vasconcelos” que era o governador de Portugal (em Lisboa), em nome do Filipe III “de Portugal” e em parelha com a espanhola Duquesa de Mântua.

De notar que o “Bragança” em título, e depois el-rei D. João IV, (foi logo assim aclamado na manhã do 1º de Dezembro), nesses entretantos da preparação e do golpe, resguardava-se em Vila Viçosa ao estilo do “não me comprometam no golpe” …  Veio a ser “empurrado” pelas circunstâncias que outros construíram para ele…

Antes, Patriotas houve, com D. António o Prior do Crato à cabeça – foi Rei de Portugal 30 dias – que não se resignaram e lutaram contra a perda da independência nacional (ainda em 1580), todavia sem resultado.

Em síntese, com um ponto alto em 1581, nas Cortes de Tomar, o “lustroso” aglomerado de traidores à Pátria e colaboracionistas com Espanha pretenderam sobretudo manter, e se possível reforçar até, os seus vastos privilégios políticos, económicos e sociais, aceitando o Filipe I “de Portugal” e o controlo de ambos os países por parte da Coroa de Espanha.  No contexto, Filipe I “de Portugal” e a “clique” dirigente em Espanha perceberam muito bem isso e subscreveram nas Cortes de Tomar o pacto da “União Ibérica” com um conjunto de regras nas quais assumiram – foi cínico da parte deles! – respeitar matérias tão sensíveis como a própria independência nacional que acabavam de garrotear.

Como nota a destacar, esse acordo de Tomar, e apesar de que Filipe II “de Portugal” cedo o ter começado a torpedear na prática, “conseguia” respeitar a continuidade da Moeda Nacional (Cruzado) e suas paridades com a principal Moeda Espanhola (o Real).  Os Filipes cunharam moeda com as suas insígnias, mas foram respeitados o “capital fiduciário” (a confiança) e o valor intrínseco dessa Moeda – o “Cruzado” – batida em Portugal e em alguns pontos do Império Luso…

De alguma forma, séculos mais tarde, os modernos “traidores da Pátria” aceitaram submeter Portugal a moeda “estrangeira” – o Euro – que, em última análise, é o “Marco forte” (da Alemanha…) – de facto, a moeda-referência que continua a nortear as macropolíticas financeiras (e económicas) desta União Europeia a que nos amarraram.  E país que perde a sua própria Moeda, também perde a sua independência e por mais estórias que nos contem os grandes privilegiados do actual sistema… São os modernaços “traidores à Pátria” a tentarem endrominar-nos enquanto procuram preservar, e se possível expandir, os seus privilégios à custa do interesse nacional.

O “afundanço” premonitório da “Armada Invencível” perto de Inglaterra.

Houve um episódio especialmente grave e gravoso, a derrota, principalmente na batalha naval de Gravelines (1588), perto da Inglaterra, da chamada (pelos Espanhóis) “Grande Y Felicísima Armada” a mando Espanhol e aí derrotada pelos emergentes imperialistas Ingleses ajudados pelos seus mais do que aliados piratas.

Esta batalha desastrosa para Espanha, e também para Portugal, todavia, contribuiu para acicatar e fazer convergir as vontades pela retoma da independência nacional.  Sim, era possível derrotar aquele que, à época, era o maior império do Mundo conhecido!

Acresce que, sobretudo, já com Filipe II “o de Portugal” houve a aplicação de múltiplos impostos e alcavalas que puseram a nobreza, o clero e os burgueses comerciantes a “chiar” de desagrado e dificuldades financeiras que não constavam no acordo saído das Cortes de Tomar. Eis, pois, mais motivos a levar o pensamento e a acção de muita gente para a retoma da independência nacional.

Povo heróico e muito sacrificado suporta a “factura principal” da luta pela Independência.

Sim, foi o Povo Português o grande herói da “Guerra da Independência” contra o domínio dos Filipes. Nos 26 anos de guerra implícita e explícita, desde a batalha de Alcântara (muito perto de Lisboa) em 1580, a Montes Claros (Alentejo – Borba – 1665) passando pelas batalhas de Montijo (em Espanha), Linhas de Elvas, Ameixial, Castelo Rodrigo; até ao ”Tratado de Lisboa” (e de Madrid) no início de 1668; envolvido na guerrilha, nas “correrias” e escaramuças; recrutado para os exércitos de combate; muitas vezes “entalado” entre os ataques e contra-ataques das tropas de ambos os lados; no trabalho agrícola a produzir alimentos que outras tantas vezes lhe acabavam por ser confiscados pelo que também morria à fome e sofria com a desnutrição; com os actos de retaliação pura e dura de que foi alvo; com a violação das Mulheres mas também de jovens aprisionados;  lá esteve o Povo Português na linha da frente, nos flancos e na retaguarda do conflito, com Armas e alfaias agrícolas na mão, a bater-se e a morrer – e a vencer ! – pela Independência Nacional !   Honra permanente lhe seja feita!

Naturalmente, honras também sejam feitas aos principais líderes políticos e comandantes militares, aos Patriotas em suma, nestes incluindo o próprio D. João IV (também Afonso VI e Pedro II) que a dada altura poderia(m) ter tido muito a perder com a sua postura pela retoma da Independência.

É justo lembrar D. Miguel de Almeida, pelos conjurados do 1º de Dezembro. Depois Matias de Albuquerque, este o comandante vitorioso em Montijo, lembrar o Marquês de Marialva em Montes Claros, e dezenas de outros Comandantes Militares e políticos patriotas.  Cabe ainda fazer uma referência respeitosa e agradecida ao general e marechal Frederico Schomberg (conde de Évora) este um experiente militar profissional de origem alemã (e mercenário de alta patente) que deu um precioso contributo na reorganização do exército Português e que chegou a participar em batalha, no comando das tropas nacionais.

Portanto, 381 anos depois do 1º de Dezembro de 1640, Portugal precisa, e muito, de uma política patriótica e nacional ao serviço do Povo e do País!

Viva a “Restauração”!      Viva os Patriotas dessa época!

Viva a Independência Nacional!

Viva Portugal!

 

 

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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