Home - Desporto - Viv´ó Futebol! Viv´á Selecção Nacional! Mas deixem-me dar uns pontapés no pântano… Autor: João Dinis, Jano

Viv´ó Futebol! Viv´á Selecção Nacional! Mas deixem-me dar uns pontapés no pântano… Autor: João Dinis, Jano

Sim, gostamos muito de (bom) futebol.  Gostamos da Selecção Nacional.  Temos jogadores para formar uma excelente equipa na Selecção Nacional.   E, todavia, perdemos com Espanha neste mais recente confronto na Liga das Nações.  E não foi um resultado injusto perante o futebol desenvolvido por ambas as equipas durante os 93 minutos do jogo. Mas foi um resultado evitável. Ficamos chateados com isso.

Agora, no rescaldo da derrota, dir-se-á ser mais fácil criticar as tácticas tentadas e os próprios jogadores.

Este treinador “retranqueiro” e em linguagem mais suave “conservador”, dispõe de alguns dos melhores futebolistas mundiais para formar uma equipa capaz de “malhar” noutras com a maior descontracção. Mas também tem uma atracção especial pela teimosia mais empedernida e desaconselhável.  Com maus resultados como agora voltou a acontecer.

Neste desafio com Espanha, Fernando Santos iniciou a caminhada para a derrota com a escolha do onze inicial para entrar em campo.  O guarda-redes tem muita qualidade e tudo indica vir a ser um dos 10 melhores do mundo num posto altamente especializado, o de guarda-redes, porventura aquele posto onde actualmente a concorrência entre os melhores é brutal e a qualidade impressionante.  Mas eu continuo céptico quanto à titularidade de Diogo Costa em detrimento de Rui Patrício, este último, lembremos, o primeiro responsável, enfim, a par com Ederzinho, pela vitória da nossa Selecção na final do Europeu com a França, em 2016.  Ultimamente, um e outro têm sido preteridos pelo seleccionador.

Entrou Cancelo a defesa direito – lugar em que é afirmado craque, sem dúvida – mas no jogo logo a seguir à estrondosa exibição de Diogo Daló (Dalot) nesse mesmo lugar, com dois golos marcados e exibição portentosa contra a Chéquia.  Um jogador faz um jogo de muito elevado quilate como fez Daló e fica com o peito feito para o que der e vier, a transbordar confiança e vontade. Porém, é preterido por outro colega e, repete-se, não está em causa a magnífica qualidade de Cancelo.  Embora Cancelo, no lance do golo de Espanha, tenha permitido que um jogador Espanhol lhe entrasse nas costas com metros de à vontade para decidir o lance como quis e de onde resultou o golo, aliás feito com a baliza Portuguesa completamente escancarada que até Ruben Dias não apareceu no seu sítio posicional…

Bruno Fernandes e Bernardo Silva a jogar juntos “desvalorizam-se” um ao outro…

Bruno Fernandes e Bernardo Silva são dois grandes artistas da bola!  Porém, estorvam-se um ao outro a meio-campo. Competem ambos, entre si, pela posse de bola e pela “nota artística”, mas, com frequência, também caem fora das dinâmicas defensivas da equipa.  Parece-nos que não devem jogar os dois ao mesmo tempo na intermediária.  A jogar juntos “desvalorizam-se” mutuamente.

Ronaldo, Ronaldo!  Quem és tu ?!…

E chegámos à grande questão.  A impressionante “máquina” de correr e de fazer golos está a enferrujar a olhos vistos.  Se contra a Chéquia, Ronaldo fez talvez o jogo mais infeliz da sua estrondosa carreira com vinte anos consecutivos em alta competição, contra a Espanha, Ronaldo voltou a fazer-se notar muito mais pelo que errou – e clamorosamente – do que pelo pouco que fez melhor.

Começa a fazer pena este Ronaldo – fora de tempo e fora de forma – até porque nas nossas memórias há imagens “nítidas como fotografias” de cavalgadas estonteantes e de golos de todas as formas e feitios executados por Ronaldo e com qualquer parte do seu corpo. Que diferenças! Como fugir às comparações e “perdoar” a este Ronaldo?  Sem dúvida alguma que ele é parte maior da história do futebol e “só” por isso nos merece o maior respeito.  Mas também é exactamente por isso que ele deve meter na sua cabeça que se deve preservar e deixar o futebol em alta competição para os mais novos, aí com menos uns 15 anos que ele!  E isto não quer dizer que, um dia destes, com chuva ou com sol, ele não “renasça” com mais uns golaços numa qualquer partida em qualquer estádio de Inglaterra ou do mundo.   Mas a vida corre para todos… Isso é inexorável!

Depois, Ronaldo tem uma parecença funcional com o eucalipto que, como sói dizer-se, “seca tudo à sua volta” pois os seus companheiros jogam sempre com Ronaldo dentro das suas (deles) cabeças e a procurá-lo no terreno.  Fazem a bola girar em função de Ronaldo e os adversários sabem disso…

Atentemos naquela jogada muito sintomática do actual desfasamento competitivo de Ronaldo, quando ele recebe uma bola isolado à entrada da área de Espanha já virado para a baliza e deixa que um jogador Espanhol lhe surja por trás e lhe “roube” a bola com a maior facilidade!  Ora, o Ronaldo com 30 anos, vamos lá, não seria desarmado por nenhum adversário naquela posição privilegiada e com tamanha facilidade!  Era um lance que, com Ronaldo em forma, corria todos os riscos de acabar em mais um golo da “máquina” …

E o (des)treinador/seleccionador nacional?   Vá em paz enquanto pode!

Ou por ele ou por seu intermédio (?), o seleccionador está armado em “castigador” do Ronaldo e em “afundador” da Selecção Nacional.   Acabe-se-lhe com o sacrifício-sacrificador!

Por que razão “obriga” ele Ronaldo a manter-se em campo jogos inteiros e seguidos?  Para dar “minutos” a Ronaldo até ao Mundial no Katar (Novembro deste ano)?  O problema é que esses “minutos”, claramente a mais, transformam-se em “anti-minutos” de jogo tendo em conta as expectativas e o “peso” de Ronaldo, que têm saído frustrados.

Na segunda parte do Portugal – Espanha, Fernando Santos levou um banho de tácticas aplicado pelo treinador Espanhol, sobretudo quando este fez entrar em jogo aqueles três jovens craques, muito rápidos e objectivos.  Que falta fizeram lá o Palhinha e o Matheus Nunes pelo menos, pelo menos, desde o início da segunda parte.  Assim, se Portugal levou apenas um a zero de Espanha, Fernando Santos levou “dez a zero” de Luís Henrique…

É necessário aliviar este nosso sofrimento.  Paz e descanso para o (des)treinador nacional…e o mais rapidamente possível!

 

João Dinis, Jano

(“treinador” desde o sofá… mas convictamente!)

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